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Exposição documenta fascinação das figurinhas

4 de julho de 2002

Museu em Karlsruhe mostra séries de valor artístico criadas há mais de 100 anos.

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Durante a Copa do Mundo, elas voltaram a despertar a cobiça dos colecionadores, fazendo crescer a venda de produtos destinados principalmente ao público infanto-juvenil: figurinhas com os jogadores da Seleção Alemã.

Não é de hoje, porém, que as empresas recorrem a essa estratégia para prender o consumidor à "sua" marca, como demonstra a exposição "ARTE-Reclame em figurinhas da época de 1900", que pode ser visitada, a partir desta quinta-feira (04), em Karlsruhe.

A mostra é composta de cerca de 50 coleções seriadas de figurinhas de alto valor artístico que eram encontradas nas embalagens de produtos. Este tipo de "arte destinada ao bolso da calça" popularizou-se nas últimas décadas do século 19, quando os artigos de marca começaram a se impor. A primeira série de que se tem notícia foi lançada em 1875 por uma loja de departamentos parisiense, a qual distribuía figurinhas todas as quintas-feiras às crianças que, desta forma, levavam os pais às compras.

Na Alemanha, a primeira firma a utilizar o novo recurso de marketing foi a Liebig, que fabricava extrato de carne. Os irmãos Stollwerck, fabricantes de chocolates, foram os primeiros a se preocupar com a qualidade, criando, já em torno de 1890, uma comissão especial para as figurinhas. No período até a Primeira Guerra Mundial, milhares de séries já tinham chegado ao mercado alemão.

Cultura e clichês —

"No fundo, as figurinhas substituíam os livros escolares e contribuíram muito para a idéia que o pessoal fazia do mundo naquela época", explica o colecionador Detlef Lorenz, a quem pertence a maior parte das séries expostas.

Em muitos casos, elas serviram também para divulgar clichês sobre culturas "estranhas", acentua o diretor do museu, Harald Siebenmorgen. E cita como exemplos uma série intitulada "Nativos em nossas colônias", outra que documentava um "Cortejo de casamento em Sumatra", ou figurinhas de animais exóticos, tais como camaleão ou lhama.

Artistas de renome —

Consideradas por muitos como "coisa de criança", as figurinhas nunca mereceram a atenção de historiadores de arte. No entanto, entre seus criadores encontram-se muitos artistas, inclusive a nata dos pintores em torno de 1900. A lista dos artistas contratados pelas firmas alemãs para desenhar figurinhas inclui nomes como Max Liebermann, Adolph Menzel, Max Slevogt e Otto Modersohn. Eles cobravam cachês entre 2000 e 6000 Reichsmark (marcos ouro), "uma fortuna na época", afirma Lorenz.

Hoje as figurinhas antigas fazem bater mais forte o coração dos colecionadores, que chegam a pagar milhares de euros pelas raridades.

A exposição pode ser visitada no Museum beim Markt, em Karlsruhe, até 1º de setembro. (ddp/lk)