Europeus fecham espaço aéreo para novo Boeing | Notícias internacionais e análises | DW | 12.03.2019
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Mundo

Europeus fecham espaço aéreo para novo Boeing

Agência Europeia para a Segurança da Aviação suspende pouso, decolagem e sobrevoo de aviões 737 MAX na UE. Alemanha, Reino Unido e França já haviam decidido suspender o uso do modelo que caiu na Etiópia no domingo.

Asa e cauda de um Boeing 737 MAX 8

O órgão regulador americano FAA ordenou que a Boeing realize modificações nos modelos da série MAX

A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) suspendeu nesta terça-feira (12/03) todos os voos com aeronaves Boeing 737 MAX 8 na União Europeia (UE).

A decisão foi anunciada após Alemanha, França, Reino Unido e outros membros da UE se juntarem a uma série de países que proibiram em seus espaços aéreos pouso, decolagem e sobrevoo de aviões do mesmo modelo que caiu na Etiópia no domingo.

Além do modelo MAX 8, a agência europeia suspendeu todos os voos com o semelhante modelo MAX 9. A EASA afirmou que se trata de uma medida de precaução, com o objetivo de garantir a segurança de todos os passageiros.

A decisão da agência europeia afeta todas as operações dos dois modelos no espaço aéreo da UE, incluindo voos comerciais de países não europeus dentro, para ou a partir do bloco. 

Antes do anúncio da EASA, o ministro dos Transportes da Alemanha, Andreas Scheuer, comunicou o fechamento do espaço aéreo para aeronaves Boeing 737 MAX 8, em entrevista à emissora alemã N-TV. O ministro alegou preocupações com problemas de segurança em consequência dos dois acidentes recentes envolvendo aeronaves 737 MAX 8.

"Segurança vem em primeiro lugar. Até que todas as dúvidas tenham sido esclarecidas, ordenei que o espaço aéreo alemão seja fechado para todas a aeronaves Boeing 737 MAX 8, com efeito imediato", disse Scheuer.

As medidas dos europeus foram tomadas no dia seguinte à determinação da Agência Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês) de que a Boeing realize modificações e ocorre paralelamente à decisão de diversas companhias aéreas de suspender o uso das aeronaves da série MAX.

Em um comunicado, um porta-voz da Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido disse que o fechamento do espaço aéreo britânico se trata de uma "medida cautelar" devido à falta de informação e acrescentou que "ela estará em vigor até novo aviso". O Reino Unido proibiu todos os aviões Boeing 737 MAX de sobrevoar o espaço aéreo britânico.

No domingo, o voo 302 da Ethiopian Airlines caiu poucos minutos após decolar de Adis Abeda, o que resultou na morte de todos os 157 ocupantes. Em outubro, sob circunstâncias similares, um Boeing 737 MAX 8 da Lion Air caiu na Indonésia, deixando 189 mortos.

Devido às duas quedas num curto espaço de tempo, o órgão regulador americano FAA ordenou que a Boeing realize modificações nos modelos da série MAX, embora tenha afirmado que as aeronaves são seguras para voar e que novas medidas seriam tomadas caso problemas de segurança fossem detectados.

As garantias emitidas pela FAA não foram suficientes para tranquilizar as autoridades de aviação de Reino Unido, Alemanha, França, Cingapura, Austrália, Irlanda, Itália, Áustria, Malásia, Omã e Índia, entre outros, que também baniram temporariamente aviões 737 MAX de seus espaços aéreos.

A China, um mercado muito importante para a Boeing, havia pedido na segunda-feira que as companhias aéreas domésticas suspendessem as operações com o modelo – assim como fizeram Indonésia e Coreia do Sul.

Paralelamente, diversas companhias aéreas decidiram suspender o uso de suas unidades da série MAX. No Brasil, a Gol suspendeu o uso de suas sete unidades do Boeing 737 MAX 8 – nas rotas de Brasília e Fortaleza para Miami e Orlando, além de São Paulo a Quito.

A Gol é a única no Brasil que tem aviões desse modelo. A Aerolineas Argentinas suspendeu o uso de seus cinco modelos MAX 8 nesta terça-feira, assim como o fizeram companhias aéreas no México e nas Ilhas Cayman.  

A série MAX foi lançada no começo de 2017, e a Boeing já recebeu mais de cinco mil pedidos de cerca de 100 clientes. Desde a década de 1970, quando ocorreram sucessivos acidentes fatais com o McDonnell Douglas DC-10, um modelo recém-lançado não está envolvido em duas quedas num período tão curto. O desastre do voo 302 no domingo fez com que as ações da Boeing despencassem até 12% na segunda-feira.

PV/afp/rtr/ap/dpa

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