EUA e Rússia falham em aprovar resoluções sobre Venezuela na ONU | Notícias internacionais e análises | DW | 01.03.2019

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Venezuela

EUA e Rússia falham em aprovar resoluções sobre Venezuela na ONU

Rússia e China bloqueiam proposta dos EUA para pedir novas eleições. Já os russos não conseguiram reunir votos para sua própria resolução. Resultado revela incapacidade do órgão mais poderoso da ONU de mitigar crise.

Para embaixador da Indonésia, propostas apresentadas ao Conselho de Segurança foram “politizadas demais”.

Para embaixador da Indonésia, propostas apresentadas ao Conselho de Segurança foram “politizadas demais”.

Tanto os Estados Unidos quanto a Rússia falharam em aprovar resoluções sobre a Venezuela apresentadas nesta quinta-feira (28/02) ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), mantendo a entidade dividida e sem assumir uma posição sobre a crise política, econômica e humanitária que assola o país.

Os EUA, que apoiam o presidente autodeclarado Juan Guaidó e propunham a realização de eleições livres, obtiveram o apoio de 15 países. A medida proposta pelos americanos pedia "a restauração pacífica da democracia” na Venezuela, expressava preocupação com "a violência e o uso excessivo de força por forças de segurança venezuelanas contra manifestantes pacíficos e desarmados” e citava "tentativas recentes de bloquear a chegada de ajuda humanitária”, pedindo o acesso ilimitado de auxílio externo.

Nove votos teriam sido suficientes para a adoção da resolução, no entanto, Rússia e China, que apoiam o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, usaram seu poder de veto por considerarem a postura americana uma ingerência sobre os assuntos internos da Venezuela. A África do Sul também votou "não”, enquanto Indonésia, Guiné Equatorial e Costa do Marfim se abstiveram.

"Tivemos que utilizar nosso direito de veto porque o projeto dos EUA não tem a meta de resolver os problemas na Venezuela. Por isso, apresentamos uma alternativa que poderia ter ajudado o povo da Venezuela sem uma intervenção estrangeira para que o país resolva seus problemas”, disse o representante da Rússia na ONU, Vasili Nebenzia.

"Muitas delegações disseram que é necessário realizar eleições o quanto possível na Venezuela: eleições ou não, isso é algo que o povo venezuelano deve decidir, não que se deve decidir por eles.”

O plano apresentado pela Rússia, que defendeu a não intromissão nos assuntos internos da Venezuela e se opôs a uma intervenção militar, contou com o respaldo de China, África do Sul e Guiné Equatorial. Sete países votaram contra e quatro se abstiveram. Ao menos nove votos teriam sido necessários para uma aprovação, mas, caso isso tivesse ocorrido, os EUA, por sua vez, teriam usado seu poder de veto, afirmou o enviado especial dos EUA para a Venezuela, Elliott Abrams.

A resolução proposta pela Rússia afirmava ainda que é papel do governo venezuelano buscar e consentir com a entrega de ajuda humanitária internacional.

O resultado da votação revelou a incapacidade do órgão mais poderoso das Nações Unidas de agir para mitigar a crise na Venezuela devido às suas divisões internas.

Pouco antes das votações, Nebenzia acusou os EUA de se envolver em práticas de ”propaganda sem vergonha” com o objetivo de obter uma ”mudança no regime” venezuelano.

Já Abrams afirmou após o desfecho que "lamentavelmente, ao votar contra a resolução (norte-americana), alguns membros desse Conselho continuam protegendo Maduro e seus amigos e prolongando o sofrimento do povo venezuelano.”

Para o embaixador da Indonésia, Dian Triansyah Djani, que se absteve de votar nas duas resoluções, ambas eram incompletas, careciam de equilíbrio, não eram amplas o suficiente e se tornaram "politizadas demais”.

"Esse é um dia triste para a comunidade internacional, particularmente para o povo da Venezuela”, disse. "Isso é sem dúvida um fracasso coletivo – um fracasso de nós 15 que estamos sentados nessa mesa, porque todos nós viemos aqui hoje sabendo que não chegaríamos ao consenso necessário para adotar uma resolução.”

O presidente dos EUA, Donald Trump, deixou claro que todas as opções estão abertas para lidar com a crise na Venezuela, embora Abrams tenha ressaltado a intenção de chegar a uma solução "pacífica”. A proposta de Washington foi alterada para incluir a palavra diversas vezes, assim como o pedido pelo "início de um processo político pacífico que leve a eleições presidenciais livres, justas e com credibilidade.”

PJ/ap/afp/efe

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