EUA criticam política de informação de Tóquio | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 17.03.2011
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Mundo

EUA criticam política de informação de Tóquio

Enquanto helicópteros tentam resfriar reatores em Fukushima, surgem críticas a governo japonês. Chefe de agência reguladora nuclear dos EUA diz que o pior, provavelmente, já está em andamento.

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Jaczko teme que o pior já esteja ocorrendo no Japão

A situação na usina japonesa de Fukushima 1 é muito pior do que o admitido até agora pelo governo em Tóquio. Esta é a mensagem de especialistas em Washington.

O governo norte-americano, cujo número de soldados no Japão é de 50 mil, não se diz mais satisfeito com a política de informação do governo japonês. A autoridade reguladora nuclear dos Estados Unidos deu o sinal de alarme. "A piscina de armazenamento do reator 4 não contém mais água", disse Greg Jaczko, presidente da Comissão Reguladora Nuclear (NRC) dos EUA.

Caso a avaliação dos especialistas norte-americanos se confirme, isto significa que não há nada que impeça as barras de combustível de aquecerem e, por fim, de entrarem em fusão. O invólucro externo das barras também pode inflamar e ganhar força suficiente para lançar o combustível radioativo em uma área extensa.

"Espero estar errado"

Flash-Galerie Japan Atomkrise Fukushima Reaktor 16.03.2011

Prédios danificado dos reatores 3 (liberando fumaça branca) e 4

Jaczko afirmou ser provável que o pior já esteja acontecendo, mas ressaltou que espera estar errado e que a situação não seja tão dramática como ele e sua equipe de especialistas avaliam. "Mas a chance de que estejamos enganados é pouca", observou Jaczko, afirmando ter conversado com uma equipe norte-americana de cientistas nucleares em Tóquio, a qual tem contato permanente com especialistas da indústria nuclear japonesa, sobretudo em Fukushima. Jaczko fez as afirmações em Washington, durante depoimento a deputados no Congresso norte-americano.

Ele também insinuou que as medidas de segurança do governo japonês em relação à área de proteção são insuficientes. "Evacuaríamos imediatamente todas as pessoas em um raio de 80 quilômetros", afirmou.

Toneladas de água

A operadora da usina afirma que a piscina de armazenamento do reator 4 ainda tem água e deixou claro que sua prioridade está no reator 3. Somente na manhã de quinta-feira (17/3) helicópteros militares despejaram sobre a central cerca de 30 toneladas de água trazidas do mar.

Japan Pressekonferenz Atomkrise Fukushima Reaktor 16.03.2011

Coletiva da Tepco: prioridade é reator 3

Dentro do complexo, castigado por quatro explosões desde o terremoto de sexta-feira passada, seguido de maremoto, os trabalhadores com roupas protetoras tentam controlar o que ocorre dentro dos seis reatores de Fukushima. Eles trabalham em turnos curtos, para minimizar a exposição à radiação. Engenheiros tentam também recuperar o cabeamento elétrico responsável pelo fornecimento de energia ao sistema de refrigeração dos reatores.

Nas últimas imagens da central nuclear podem ser vistos graves danos a alguns dos edifícios, devido às explosões. Dois dos prédios se assemelham a uma massa desfigurada de aço e concreto. Militares norte- americanos ofereceram ao Japão um avião não tripulado, equipado com sensores infravermelhos para uma melhor análise da situação dentro dos reatores.

Sebastian Pflugbeil, presidente da Sociedade de Proteção da Radiação, uma agência privada alemã, disse que os esforços do Japão para tentar controlar a situação em Fukushima dão sinais de que se aproxima "o começo da fase catastrófica". "Talvez tenhamos que rezar", acresceu.

Radiação ruma para os EUA, diz especialista

Segundo Lars-Erik De Geer, diretor de pesquisa do Instituto de Pesquisa de Defesa da Suécia, um órgão governamental, pequenas e inofensivas concentrações de partículas radioativas se dirigem do Japão para os Estados Unidos. Ele citou dados de uma rede internacional de estações de monitoramento.

A Embaixada dos EUA em Tóquio pediu aos norte-americanos que vivem em uma área de 80 quilômetros de Fukushima para deixar a região ou permanecer em casa "como medida de precaução", enquanto a embaixada britânica instou seus cidadãos "a considerarem um abandono da área ".

As últimas advertências não foram tão fortes como as emitidas anteriormente por França e Austrália, que pediram a seus cidadãos para deixarem o Japão. A Rússia disse que planejava retirar famílias de diplomatas na sexta-feira. O governo do Japão pediu àqueles que vivem em um raio de 30 quilômetros de Fukushima para ficarem em casa.

Autor: Ralph Sina / Márcio Damasceno
Revisão: Carlos Albuquerque

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