Estudo atesta atuação de criador da Berlinale no regime nazista | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 01.10.2020

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Cultura

Estudo atesta atuação de criador da Berlinale no regime nazista

Historiadores confirmam que Alfred Bauer, fundador do Festival Internacional de Cinema de Berlim, teve papel de destaque na implementação da política de propaganda do regime de Adolf Hitler.

Alfred Bauer e Gina Lollobrigida

Alfred Bauer com atriz Gina Lollobrigida: nos anos pós-guerra, ele escondeu seu passado nazista

O fundador e primeiro diretor do Festival Internacional de Cinema de Berlim, Berlinale, teve um papel mais significativo no regime nazista do que se pensava, e mais tarde tentou ocultar suas ações, de acordo com um novo estudo divulgado nesta quarta-feira (30/09).

Alfred Bauer (1911-1986) fundou o Festival de Cinema de Berlim, hoje um dos mais destacados da Europa, ao lado de Cannes e Veneza, e dirigiu o evento entre 1951 e 1976.

Em janeiro, a Berlinale cancelou um prêmio que levava o nome de Bauer, concedido desde 1987, após o jornal alemão Die Zeit noticiar que o ex-diretor desempenhara um papel fundamental na execução da política nazista na indústria cinematográfica alemã. O festival, então, encomendou um estudo ao Instituto de História Contemporânea de Munique.

"Alfred Bauer deu uma contribuição significativa para o funcionamento do sistema cinematográfico alemão durante a ditadura nazista e, portanto, para a estabilização e legitimação do regime nazista", concluiu o estudo.

A cooperação de Bauer para o nazismo começou em 1942, com seu trabalho no Reichsfilmintendanz, informa um resumo do relatório divulgado pela Berlinale. A referência é ao órgão criado pelo Ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels, que tinha função de controlar a produção de filmes sob o regime do Terceiro Reich.

A pesquisa também mostrou que Bauer havia ingressado em várias organizações nazistas antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial. Segundo o resumo, "os arquivos vistos até agora só permitem declarações limitadas sobre a competência de tomada de decisão" e a "margem de manobra criativa" de Bauer.

Alfred Bauer com Shirley MacLaine

Bauer em 71, com Shirley MacLaine: diretor da Berlinale afirmava ter sido oponente ativo do regime nazista

"Bauer sistematicamente encobriu esse papel depois de 1945", prossegue o relatório. Após a derrota da Alemanha na guerra, Bauer retratava a si mesmo como um "oponente convicto e ativo" do regime. Essas ações "revelam o oportunismo ambicioso e quase inescrupuloso de Bauer", atesta o documento, "o que também pode ter influenciado sua proximidade com o regime nazista".

A atual diretora da Berlinale, Mariette Rissenbeen, considerou chocantes as revelações sobre o papel de Bauer, e "as novas descobertas também mudam a forma como vemos os anos de fundação da Berlinale".

Após sua morte em 1986, o festival instituiu o Prêmio Alfred Bauer, como reconhecimento a "um longa-metragem que abra novas perspectivas no campo da arte cinematográfica".

Ele era concedido ao lado da série de Ursos de Prata, que inclui, entre outros, o de melhor ator e diretor, e do Urso de Ouro, concedido ao melhor filme. Em agosto, o festival anunciou que, no lugar do Prêmio Alfred Bauer, foi instituído o Urso de Prata do Júri.

A notícia foi divulgada juntamente com o anúncio de que, a partir de 2021, os prêmios de atuação da Berlinale se tornarão neutros em termos de gênero, sendo atribuídos aos melhores desempenhos principais e secundários, e não ao melhor ator e atriz.

MD/dpa/ap