Estudar cinema é cada vez mais popular, mas não garante sucesso | Tudo o que você precisa saber para estudar na Alemanha | DW | 13.03.2012
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Estudar na Alemanha

Estudar cinema é cada vez mais popular, mas não garante sucesso

Qual o melhor caminho para se tornar um diretor de sucesso? Uma faculdade de cinema ajuda? Três cineastas da nova geração alemã contam suas experiências.

Pode-se aprender cinema? É possível virar um diretor de sucesso aprendendo as técnicas de direção de filmes numa faculdade? A lista de diretores que nunca frequentaram um curso de cinema é longa. Na Alemanha, Rainer Werner Fassbinder e Tom Tykwer são exemplos conhecidos.

Fassbinder não foi aceito na faculdade de cinema de Munique. A escola de Tykwer foram as salas de exibição, onde ele trabalhou como projecionista por muitos anos e administrou a sala de cinema Moviemento, de Berlim. Fassbinder foi um dos cineastas mais importantes do Novo Cinema Alemão. Tom Tykwer trabalha atualmente com estrelas de Hollywood e orçamentos milionários.

Florian Henckel von Donnersmarck, ganhador de um Oscar, estudou em uma faculdade de cinema em Munique

Florian Henckel von Donnersmarck ganhou um Oscar pelo filme 'A Vida dos Outros'

Mas há também inúmeros exemplos de carreiras que começaram após a conclusão da universidade. Roland Emmerich formou-se na faculdade de cinema em Munique e é hoje um dos mais bem-sucedidos diretores do mundo. Florian Henckel von Donnersmarck, de A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen), também estudou em Munique. Nomes como Wim Wenders ou Dorris Dörrie são outros exemplos de carreiras bem-sucedidas após o término da faculdade. A lista pode ser complementada com muitos outros nomes.

Isso vale também para a nova geração? A Deutsche Welle contactou três novos cineastas. Jessica Krummacher se formou na Universidade de Televisão e Cinema de Munique, Jan Zabeil estudou na Faculdade de Televisão e Cinema Konrad Wolf, em Potsdam-Babelsberg, e Christian Schwochow se formou há alguns anos na Filmakademie Baden-Württemberg, em Ludwigsburg.

Laboratório para experimentar

"Para mim a universidade foi certamente o caminho certo para começar", conta Schwochow, de 34 anos. Ele diz que encontrou um espaço seguro, principalmente nos primeiros dois anos de estudo, uma fase na qual não se reflete muito sobre o que vem depois da faculdade.

O jovem cineasta Christian Schwochow em entrevista a DW

O jovem cineasta Christian Schwochow em entrevista a DW

Há quatro anos Schwochow terminou a faculdade em Ludwigsburg. Seu primeiro longa-metragem, Novemberkind, foi premiado em festivais. Seu novo filme, o drama Die Unsichtbare, também foi exibido em muitos festivais e chegou às salas de exibição da Alemanha em janeiro. Atualmente Schwochow dedica-se à minissérie televisiva de dois episódios Der Turm, baseado no best seller de Uwe Tellkamp.

Schwochow pode ser citado como exemplo do sucesso das escolas superiores de cinema. De acordo com o diretor, a faculdade foi como um laboratório onde ele podia experimentar. "Eu podia descobrir com o que eu mais me identificava ou não." Ele aprendeu principalmente a trabalhar em grupo e também construiu uma rede de contatos, que é até hoje útil para o seu trabalho.

DIE UNSICHTBARE Regie: Christian Schwochow Produktion: teamWorx TV & Film GmbH

'Die Unsichtbare', de Christian Schwochow

Sete escolas superiores na Alemanha

Ludwigsburg é uma das sete escolas superiores de cinema da Alemanha, onde os estudantes aprendem matérias como direção, câmera ou produção. Formandos da academia de Baden-Württemberg tiveram nos últimos anos sucessos internacionais, incluindo alguns Oscars.

Ao lado da Hamburg Media School, da Academia de Artes Midiáticas de Colônia e da Escola Internacional de Cinema de Colônia, ela pertence à nova geração de faculdades de cinema na Alemanha.

O jovem cineasta Jan Zabeil

O jovem cineasta Jan Zabeil

Já a Faculdade de Televisão e Cinema de Munique e e Academia de Cinema e Televisão de Berlim oferecem cursos de graduação para aspirantes a cineastas desde meados dos anos 1960. Na Alemanha Oriental, a Faculdade Konrad Wolf, de Potsdam-Babelsberg, era e ainda é até hoje o primeiro passo para estudantes apaixonados por cinema.

Importância da prática

Lá estudou Jan Zabeil. Nascido em 1981, ele é um bom exemplo de uma nova geração de diretores de cinema, cuja trajetória dentro da faculdade não ocorreu da forma planejada. Zabeil estudou câmera em Potsdam-Babelsberg e se formou nessa área. Mas se tornou famoso nos últimos anos como diretor do filme Der Fluss war einst ein Mensch (O rio já foi um ser humano), que conta a história de um jovem alemão que perde seu rumo durante uma viagem de férias pela África.

Um filme tranquilo, quase meditativo, que com sua fotografia fascinante transporta o espectador para dentro da história. O filme ganhou em 2011 o prêmio para novos diretores em São Sebastião, Espanha.

Quais vantagens Zabeil vê em estudar cinema? "Eu tive a possibilidade de obter conhecimentos práticos", diz o berlinense. Ele diz que isso é muito importante, pois só assim se aprende o que funciona num filme ou não. "Não foi pela teoria e sim pela prática que adquiri confiança para dizer: 'Vou sair agora e fazer alguma coisa'". Zabeil filmou na África, nas locações originais, acompanhado apenas pelo ator Alexander Fehling e dois técnicos. As filmagens foram uma aventura e valeram a pena. O filme foi muito elogiado em festivais locais e internacionais.

Cinema sem viver de "bicos"

O ator Alexander Fehling no filme de Jan Zabeil 'Der Fluss war einst ein Mensch'

O ator Alexander Fehling no filme de Jan Zabeil 'Der Fluss war einst ein Mensch'

A trajetória de Jessica Krummacher na faculdade também não correu em linhas retas. Krummacher se formou em documentário e televisão, mas também decidiu gravar um longa-metragem. O filme se tornou um sucesso artístico, e Totem foi a única contribuição da Alemanha no Festival de Veneza do ano passado. Ela se sente no dever de continuar com seus documentários, mas seu grande objetivo agora é outro: "Eu quero mesmo é fazer filmes de ficção e com isso ganhar meu dinheiro, sem ter que fazer trabalhos paralelos". Mas a jovem é realista e sabe que isso não é tão fácil assim.

Totem é um estudo sombrio sobre uma jovem que trabalha como empregada doméstica para uma família e é explorada física e psicologicamente. Não é um tema que faça sucesso com o público. Mas Krummacher quer se manter fiel a essa temática. Em médio prazo ela vê seu futuro sobre dois apoios financeiros. Como não consegue ganhar dinheiro suficiente com seus filmes, faz trabalhos paralelos para a televisão. Seu maior objetivo é se tornar uma diretora de cinema e viver disso, sem ter que apelar para "bicos". No momento ela se esforça para conseguir verba para seu segundo filme.

Trecho do filme 'Totem', primeiro longa-metragem de Jessica Krummacher

Trecho do filme 'Totem', primeiro longa-metragem de Jessica Krummacher

Sem garantias de sucesso

Schwochow, Zabeil, Krummacher: três exemplos de uma nova geração de cineastas. Todos eles conseguiram sucesso em suas estreias, foram contemplados com prêmios e participaram de festivais pelo mundo. A faculdade de cinema ensinou a eles as técnicas e os mostrou como funciona a Sétima Arte. Mas isso não é uma garantia de que se manterão nesse meio. E os três novos talentos estão cientes disso.

Com o entusiasmo e a determinação típica dos jovens é possível sobreviver aos primeiros anos depois do término do curso superior. Mas uma olhada nas primeiras turmas formadas pelas faculdades de cinema da Alemanha mostra que muitos talentos, nos quais se depositavam grandes esperanças, sumiram de vista ou hoje dirigem seriados policiais e programas comerciais na televisão. Esses são empregos bem pagos, mas longe do que eles mesmo imaginavam um dia fazer.

Autor: Jochen Kürten (aks)
Revisão: Alexandre Schossler