Estatueta encontrada na Alemanha é indício de primeiro povo civilizado | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 14.05.2009
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Alemanha

Estatueta encontrada na Alemanha é indício de primeiro povo civilizado

Estatueta de figura feminina feita de marfim de mamute encontrada por arqueólogos da Universidade de Tübingen na região alemã da Suábia pode ser prova de que nessa região viveu o primeiro povo civilizado.

default

Vênus de Hohler Fels

Em uma caverna da região da Suábia, no sul da Alemanha, foi encontrada a mais antiga representação de figura humana até hoje conhecida, a "Vênus de Hohler Fels". Esculpida em marfim de mamute, a estátua feminina de apenas 6 centímetros, com seios volumosos e vulva acentuada, tem no mínimo 35 mil anos, calculam os pesquisadores.

A estatueta foi encontrada por um grupo de arqueólogos dirigido pelo pré-historiador Nicholas Conard, que apresentou o achado ao público nesta quarta-feira (13/05). Em setembro último, Conard e sua equipe encontraram na caverna de Hohler Fels (rochedo oco, em alemão) seis pequenos pedaços, que juntos formam a "Vênus de Hohler Fels".

Figura em excelente estado

Venusfigur bei Ausgrabungen auf der Schwäbischen Alb

Estátua tem pelo menos 35 mil anos, diz arqueólogo

Já há 12 anos, Conard vem encontrando pequenas peças de marfim na caverna de Hohler Fels. O reitor da Universidade de Tübingen, Bernd Engler, denominou os pequenos animais de marfim encontrados pelo historiador na região de "o pequeno zoológico de Conard". Juntamente à Vênus recém-encontrada, tais peças nos possibilitam saber mais sobre os nossos antepassados que viveram há 30 ou 40 mil anos atrás. Assim como outros cientistas em todo o mundo, Conard afirmou que ficou "boquiaberto" diante da "Vênus de Hohler Fels".

Segundo o arqueólogo, com exceção do braço esquerdo, a figura está completa e em excelente estado. Na parte superior, um pequeno aro substitui o local da cabeça. Isso é uma indicação que "a peça foi usada como um pingente", afirmou Conard. A estatueta foi encontrada nas camadas mais profundas de terreno do período aurignaciano (início do paleolítico superior, que costuma ser associado ao homem moderno na Europa), acresceu o cientista.

Por esse motivo, o pesquisador de Tübingen acredita que a estatueta foi esculpida por antepassados do homem moderno que vieram para a Europa há 40 mil anos. Quanto a seu significado, afirmou Conard, há apenas especulações. Considerados os atributos sexuais exagerados, a estátua pode ter sido usada como símbolo de fertilidade.

Cientista contesta "suabiocentrismo"

Venus von Willendorf

Venus de Willendorf, encontrada na Áustria em 1908

Esse também é o caso da Vênus de Willendorf, outra famosa estátua pré-histórica com mais de 20 mil anos de idade, encontrada na Áustria, em 1908. Assim como a estatueta encontrada na região alemã de Schwäbische Alb, na Suábia, a estátua austríaca apresenta formas volumosas e também é considerada símbolo de fertilidade. Outra teoria defendida por historiadores é a de que as mulheres da época sofriam de uma doença chamada esteatopigia, uma hipertrofia das nádegas causada pelo acúmulo de gordura.

Para alguns pesquisadores, a estatueta encontrada em Schwäbische Alb é uma indicação de que naquela região viveu o primeiro povo civilizado da terra. Essa tese já havia sido defendida há muito tempo por renomados arqueólogos, cuja posição é agora reforçada através da "Vênus de Hohler Fels".

No entanto, é o próprio Conard quem ironiza o "suabiocentrismo" implícito na explicação de seus colegas. O arqueólogo explicou que o fato de o mais antigo instrumento musical de que se tem notícia também ter sido encontrado próximo à caverna de Hohler Fels tornaria muito simplista a ideia de que o suábio primitivo teria inventado a música. E seu vizinho de caverna, as artes plásticas.

A "Vênus de Hohler Fels" estará exposta ao público em Stuttgart, entre 18 de setembro próximo e 10 de janeiro de 2010, no contexto da mostra Idade do gelo: arte e cultura.

CA/dpa/ap

Revisão: Soraia Vilela

Leia mais