Especialista alemão adverte que superávits perturbam comércio mundial | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 20.10.2009
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Economia

Especialista alemão adverte que superávits perturbam comércio mundial

Quando a situação econômica mundial voltar a melhorar, economia alemã se beneficiará acima da média de outros países. Especialista em histórica econômica adverte, no entanto, que superávits devem ser evitados.

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Alemanha exportou quase 1 trilhão de euros em 2008

Devido ao título de campeã mundial de exportação, a economia alemã sofreu um impacto especialmente profundo durante a crise. Nenhum outro país da Europa é tão dependente dos mercados estrangeiros quanto a Alemanha. Mais de 45% do Produto Interno Bruto (PIB) alemão provêm das exportações de mercadorias.

Por outro lado, quando a situação econômica mundial voltar a melhorar, a economia alemã se beneficiará acima da média de outros países. Segundo parecer divulgado na semana passada, após a crise, as exportações alemãs continuarão sendo o motor do crescimento do país.

Em outros países industrializados, no entanto, as perspectivas são moderadas. Os principais institutos de pesquisa não acreditam em um crescimento oriundo das exportações para tais países.

Os pesquisadores partem do princípio que, em 2010, as exportações alemãs não conseguirão recuperar nem metade das perdas sofridas neste ano. Para 2009, eles preveem um decréscimo em torno de 14% e, para o próximo ano, um aumento de 6,1%.

Médias e grandes empresas

Desde 2002, a economia alemã tornou-se campeã mundial de exportações. Somente em 2008, o país enviou para o exterior mercadorias no valor de quase 1 trilhão de euros. Um quarto dos trabalhadores alemães produz bens para exportação. Um em cada três euros gerados na economia do país provém dos negócios com exportação. Máquinas, produtos químicos e automóveis são os produtos que levaram à Alemanha ao topo da lista dos global players.

Symbolbild Wirtschaftswachstum, Wirtschaft, Industrie

Exportação é forte da Alemanha desde a Segunda Guerra

Segundo Werner Abelshauser, especialista em história econômica da Universidade de Bielefeld, não somente grandes companhias, mas também empresas de médio porte têm êxito nesse comércio mundial.

"Muitas de nossas empresas de médio porte, digamos, na faixa dos 50 empregados, ganham a maior parte de seu dinheiro no exterior, e isso já há muito, muito tempo. Assim é a nossa forma de produzir e não vai ser tão fácil sair dela. Nosso forte é a produção de máquinas, produtos químicos, eletrotécnica, que encontram mercado em todo o mundo", disse Abelshauser.

Nação exportadora

Desde a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha se desenvolveu como uma das maiores nações exportadoras mundiais. Mas a história poderia ter sido outra. Em 1944, ou seja, ainda durante a guerra, o Tesouro norte-americano elaborou o chamado Plano Morgenthau para o futuro da Alemanha (denominado segundo o então secretário do Tesouro Henry Morgenthau).

O programa previa transformar a Alemanha em um país essencialmente agrário e desmontar todas as instalações industriais ainda existentes. No entanto, o plano foi rejeitado pelas secretarias norte-americanas do Exterior e da Guerra e caiu no esquecimento em 1947.

Sportwagen der Marke Porsche

Superávit gera déficit em parceiros comerciais, diz professor

Em seu lugar, entrou em vigor o Plano Marshall (nome do secretário norte-americano de Estado George Marshall). Ele visava contribuir para o fortalecimento econômico não somente da Alemanha, mas também de toda a Europa. "O Plano Marshall, tornou-se um alicerce para que, no início dos anos de 1950, o comércio livre mundial pudesse se formar", explica Abelshauser.

O professor acrescenta que, em tal mercado mundial, a Alemanha – com sua habilidade de construir máquinas, automóveis e fabricar produtos químicos – era muito competitiva. Por isso, ela sempre se viu como uma nação exportadora, afirma.

Superávits perigosos

Decisões políticas também beneficiaram o desenvolvimento das exportações alemãs. Após a guerra, os acordos de Bretton Woods estabeleceram um valor fixo do marco alemão em relação ao dólar. Esse sistema fez com que o marco alemão continuasse baixo, ainda que as mercadorias do país fossem bastante disputadas no exterior. No caso do câmbio livre, a demanda teria encarecido os produtos.

Além disso, durante os anos 1950, as indústrias química, siderúrgica e a extração de carvão foram fortemente subsidiadas. Durante os assim chamados "anos de milagre econômico", as exportações quadruplicaram. Os crescentes superávits garantiram à Alemanha as primeiras reservas monetárias.

Principalmente em tempos de declínio econômico, no entanto, Abelshauer diz que tais superávits, que ainda hoje existem, são um perigo. "O problema não está no fato de sermos uma nação exportadora, mas em sermos uma nação de superávit de exportação. Ou seja, nós exploramos nossos parceiros comerciais de forma a termos superávit, o que significa déficit para o parceiro e isso perturba o comércio mundial."

Abelshauer explicou ainda que, por esse motivo, deve-se tentar evitar os superávits. "Ou seja, devemos importar mais para equilibrar nossa balança de pagamentos, em especial a parcela referente a importação e exportação."

Autora: Monika Lohmüller / Carlos Albuquerque
Revisão: Augusto Valente

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