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Tsitsi Dangarembga fala em um púlpito. Ela veste roipa colorida, vermelha e tons de azul. Ao fundo há uma placa com a escrita "Friedens preis".
Em seu discurso, escritora lembrou a violência sofrida pela população negra durante o colonialismoFoto: Thomas Lohnes/dpa/picture alliance

Escritora do Zimbábue recebre Prêmio da Paz em Frankfurt

24 de outubro de 2021

Tsitsi Dangarembga foi agraciada pelo júri do Comércio Livreiro Alemão, uma das maiores distinções literárias do país, por abordar em sua obras "conflitos sociais e morais que vão muito além da referência regional".

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A romancista, dramaturga e cineasta Tsitsi Dangarembga, do Zimbábue, recebeu neste domingo (24/10) o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão 2021, uma das maiores distinções literárias do país, em cerimônia na Feira do Livro de Frankfurt.

O júri considerou a mulher de 62 anos "não apenas uma das artistas mais importantes de seu país, como também uma voz da África na literatura contemporânea".

O trabalho de Dangarembga "aponta conflitos sociais e morais que vão muito além da referência regional e abrem espaços de ressonância para questões globais de justiça", afirmou o júri em comunicado.

O Prêmio da Paz, no valor de 25.000 euros, é atribuído todos os anos a quem contribui para a literatura, a ciência ou a arte em nome da paz.

Dangarembga é a primeira mulher negra a receber o prêmio, concedido desde 1950. 

Passado colonial

Em seu discurso, Dangarembga falou sobre o passado colonial do Zimbábue e as várias formas de violência que os colonialistas brancos infligiram à população negra nos séculos 19 e 20, que seguiram quando o Zimbábue se tornou independente, em 1980.

"Esses tipos de violência estão estruturados na ordem global em que vivemos e têm suas raízes nas estruturas do império ocidental que começou a se formar há mais de meio milênio", disse.

Dangarembga afirmou que o mundo precisa de novas formas de pensamento e que fazer mudanças reais exige não "curas milagrosas", mas um trabalho árduo e consciente daqueles que se beneficiaram com as estruturas de poder ocidentais.

Segundo a escritora, o pensamento racista trazido ao mundo pelo colonialismo ocidental e pelo imperialismo deve ser abandonado e um sistema econômico mundial explorador deve ser superado. Para Dangarembga, o racismo é responsável por grande parte da violência que as pessoas cometem umas contra as outras.

Elogios de irmã de Obama

A cerimônia contou com um discurso da socióloga Auma Obama, meia-irmã do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, que homenageou a amiga de longa data.

Auma disse que a escritora e cineasta lutou "contra todas as probabilidades" e "com todos os meios possíveis" pelos "que não têm voz e pela liberdade de expressão" no Zimbábue e "apresentou uma imagem diferenciada do continente africano para todo o mundo".

"Você não é comum, uma vida comum não era uma opção para você", disse ela sobre sua amiga. "Você é uma das vozes mais importantes e bem-sucedidas do continente africano e, espero que com esse prêmio, em breve em todo o mundo", destacou. "Leia a literatura africana, olhe além do seu horizonte, estamos aqui", disse Obama.

Sucesso com autobiografia

Dangarembga nasceu em 14 de fevereiro de 1959, em Mutoko, na então Rodésia, hoje Zimbábue, e morou parte da vida no Reino Unido. Em 1988, lançou seu romance de estreia Condições nervosas, a primeira parte de uma trilogia autobiográfica. Usando o exemplo de uma adolescente, os três livros descrevem a luta pelo direito a uma vida decente e à autodeterminação feminina no Zimbábue. 

De 1989 a 1996, Dangarembga estudou direção de cinema em Berlim e depois voltou ao Zimbábue com o marido alemão. Em seus filmes, ela aborda problemas que surgem do choque entre tradição e modernidade.

Em 2019, o prêmio foi concedido ao fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado

le (ap, dpa, ots)