Escândalo após morte de jornalista derruba ministro na Eslováquia | Notícias internacionais e análises | DW | 12.03.2018
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Mundo

Escândalo após morte de jornalista derruba ministro na Eslováquia

Ministro do Interior e vice-primeiro-ministro Robert Kalinak renuncia após um dos partidos da coalizão governista ameaçar deixar a aliança, em meio a suspeita de ligação entre políticos e máfia.

Manifestantes exigem a saída do ministro Robert Kalinak após assassinato de jornalista

Manifestantes exigiram a saída do ministro Robert Kalinak após assassinato de jornalista

O ministro do Interior e vice-primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Kalinak, anunciou sua renúncia nesta segunda-feira (12/03) em meio às tensões geradas após o assassinato do jornalista investigativo Jan Kuciak, que investigava a possível ligação entre políticos de alto escalão no país com organizações criminosas.

Kalinak disse que decidiu renunciar para manter a estabilidade do governo do primeiro-ministro, o social-democrata Robert Fico. O partido da minoria húngara Most Hid, parceiro da coalizão governista, havia exigido sua saída como condição para seguir no governo. Outro aliado, o Partido Popular Europeu (PPE), também exigia a remoção do ministro.

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O agora ex-ministro reconheceu que a pressão popular e dos parceiros de coalizão o motivaram deixar o governo após dez anos no cargo.

"Sou obrigado a cumprir a ordem dada ao governo para que a Eslováquia se mantenha estável e próspera", disse Kalinak. "A situação é realmente boa: um país desenvolvido com os melhores resultados econômicos de sua história, baixo desemprego e o maior crescimento, e é importante manter a estabilidade."

O país de 5,4 milhões de habitantes, membro da União Europeia e da Otan, viveu uma série de protestos anti-governo após o assassinato de Kuciak. Ele investigava atividades da máfia italiana na Eslováquia e supostos contatos com dois colaboradores próximos ao presidente.

Kuciak havia alertado a polícia que tinha recebido ameaças, que supostamente não foram investigadas pelos órgãos de segurança, sob responsabilidade de Kalinak. Ele foi encontrado morto a tiros em sua casa junto com a namorada no final de fevereiro.

O ministro foi alvo de uma denúncia de um promotor e do chefe de Polícia, Tibor Gaspar, juntamente com outros altos funcionários do governo, por supostamente sabotar as investigações sobre o crime organizado, o que Kalinak nega.

A polícia afirmou que a morte de Kuciak estaria "muito provavelmente” relacionada às investigações que resultaram num artigo publicado após a sua morte sobre os laços entre políticos do alto escalão do governo com a organização criminosa 'Ndrangheta.

O presidente eslovaco, Andrej Kiska, que pediu mudanças no governo ou até a convocação de novas eleições após a morte de Kuciak, manteve conversações com os partidos aliados para tentar pôr fim à crise política.

Fico chegou a criticar a postura do presidente, acusando-o de tentar desestabilizar o país, mas acabou retrocedendo. Se o Most Hid abandonar a coalizão governista, as consequências mais prováveis seriam a formação de um governo de minoria ou a realização de novas eleições.

RC/efe/afp

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