Erdogan ordena que Guarda Costeira impeça migrantes de cruzar o Egeu | Notícias internacionais e análises | DW | 07.03.2020
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Mundo

Erdogan ordena que Guarda Costeira impeça migrantes de cruzar o Egeu

Decisão ocorre após presidente turco ser criticado por violar acordo e permitir passagem de migrantes com o objetivo de pressionar a União Europeia. Tensão continua na fronteira terrestre com a Grécia.

Griechenland Insel Lesbos Migranten erreichen Küste (picture-alliance/dpa/AP/M. Varaklas)

Migrantes tentando chegar à ilha de Lesbos, na Grécia

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ordenou na noite de sexta-feira (06/03) que a Guarda Costeira do país impeça que os migrantes atravessem o mar Egeu, informou a imprensa turca.

A ordem ocorre poucos dias depois de um menino de seis anos morrer após o bote em que ele viajava com a família afundar nas proximidades da ilha grega de Lesbos.

O presidente turco vem sendo criticado por permitir e até mesmo incentivar o movimento de migrantes na última semana em direção à Grécia, como forma de pressionar a União Europeia.  

O Mar Egeu estende-se da Grécia até a Turquia e é umas das rotas de migração mais utilizadas na região.

"Por ordem do presidente [...] nenhum migrante será autorizado a atravessar o mar Egeu devido aos riscos implicados", afirmou o corpo de guardas costeiros citado pela agência de notícias Anadolu.

"A prática de não intervir contra migrantes que desejavam deixar a Turquia se mantém, mas esta nova decisão se aplica aos que atravessam o mar, devido aos riscos de que isso representa", acrescentou.

Os guardas costeiros turcos afirmaram que na quinta-feira 97 migrantes foram resgatados depois que "a parte grega desinflou três botes, deixando-os meio afundados no meio do mar".

A ordem do presidente só se aplica à travessia do mar. Não parece ter ocorrido qualquer mudança em relação à política de permitir que os migrantes sigam em direção à fronteira terrestre com a Grécia, onde nos últimos dias foram registrados choques com as autoridades fronteiriças. Neste sábado, pelo menos 1.200 migrantes, a maioria do Afeganistão e do Paquistão, tentaram cruzar a fronteira.

Ancara e Atenas têm trocado acusações em relação aos migrantes e refugiados. 

Os turcos denunciam a brutalidade das autoridades da Grécia contra as pessoas que tentam chegar à Europa, e os gregos acusam a Turquia de pressionar e auxiliar o êxodo.

Nos últimos dias, a tensão entre Ancara e Bruxelas aumentou após a Turquia ter anunciado a abertura de fronteiras para deixar passar milhares de migrantes e refugiados que desejam seguir para a UE, ameaçando rasgar um acordo anterior com a Europa.

Desde então, as forças de segurança gregas dizem ter impedido 39 mil pessoas de atravessar a fronteira. A Turquia diz que o número real é mais de três vezes superior.

A UE e a Turquia celebraram em 2016 um acordo no qual Ancara se comprometia a combater a passagem clandestina de migrantes para território europeu em troca de bilhões de euros em ajuda financeira.

Mas Ancara afirma que outros termos do acordo com a União Europeia, entre eles a facilitação de vistos e o estabelecimento de determinadas regras comerciais, não foram respeitados.

Erdogan lembrou ainda que a Turquia abriga mais de 3,5 milhões de refugiados sírios e anunciou que iria "abrir as portas” da Europa.  Ele fez o anúncio depois da morte de várias dezenas de soldados turcos num ataque aéreo na Síria.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, afirmou em entrevista à CNN que o acordo entre a União Europeia e a Turquia sobre refugiados e migrantes está "morto" por causa das ações da Turquia.

"Sejamos honestos, o acordo está morto", disse Mitsotakis. "E ele morreu porque a Turquia decidiu violar completamente o acordo, por causa do que aconteceu na Síria."

O primeiro-ministro grego reconheceu que a Turquia abriga mais de 3 milhões de refugiados sírios, mas sublinhou que o país "não vai chantagear a Europa com esse problema".

 "Não fomos nós os que agravamos esse conflito [...] Temos todos os direitos [...] de proteger as nossas fronteiras soberanas", disse.

JPS/lusa/afp

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