Enfim, uma liga além do Bayern | Leia as principais notícias sobre o futebol internacional | DW | 09.10.2018
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Coluna Habzeit

Enfim, uma liga além do Bayern

Há seis temporadas o time de Munique impera absoluto no Campeonato Alemão e, desta vez, parecia que a história seria a mesma. Mas a liga vive agora uma reviravolta: os concorrentes se aproveitam, e torcedores se animam.

Deutschland Oktoberfest München | Karl-Heinz Rummenigge & Niko Kovac (Getty Images/Bongarts)

O chefão Rummenigge e o técnico Kovac na Oktoberfest: durante todo o evento, pouco clima para festa entre os jogadores e comissão

Não faz nem um mês que tudo parecia ir às mil maravilhas com o hexacampeão que atende pelo nome de Bayern Munique. Afinal, um título já havia sido conquistado – o da Supercopa em cima do Eintracht Frankfurt – e isto com a maior facilidade. Na Bundesliga então, nem se fala. Após quatro rodadas, já liderava com relativa folga. Somava quatro pontos de vantagem sobre o Borussia Dortmund, o seu sério concorrente.

Enquanto os mais cotados adversários do todo poderoso Bayern ainda estavam acertando os ponteiros, em Munique o céu era de brigadeiro.

Mas, mesmo com este bom começo de campanha, alguns observadores mais críticos chamavam a atenção para eventuais quedas de produção do time bávaro. Elencavam a falta de experiência do técnico Niko Kovac em dirigir um time superpovoado de estrelas e duvidavam de sua competência técnica.

Apontavam também para o fato inconteste: o time considerado titular está recheado de jogadores cuja idade gira em torno dos 30 anos ou mais. Cedo ou tarde essa alta faixa etária poderia impactar negativamente sobre o rendimento da equipe.

As três rodadas subsequentes bastaram para confirmar, ao menos em parte, a visão pessimista dos jornalistas e torcedores mais céticos.

Kovac não conseguiu dar padrão de jogo com sua marca ao time e muito menos mudar de estratégia no decorrer de uma partida, especialmente com placar adverso. O time insistia em cruzamentos sobre a grande área adversária ou em alguma arrancada pelos flancos, seja com Robben ou com Ribéry. Tudo muito previsível. Viu-se isto nas partidas diante de Hertha e Gladbach quando o técnico à beira do campo parecia sem saber o que fazer, mais preocupado em reclamar da arbitragem do que orientar sua equipe. 

Enquanto o Bayern perdia fôlego ao ganhar apenas um ponto em nove disputados nas últimas três partidas, o Borussia Dortmund nadava de braçada com três triunfos consecutivos. Consequentemente, inverteram-se as posições na tabela com os auri-negros na liderança.

Leipzig, Borussia Mönchengladbach, Werder Bremen e Hertha Berlin também se aproveitaram da fraquejada bávara e ultrapassaram o atual campeão na classificação geral.  Numa competição de pontos corridos, um empate e duas derrotas consecutivas não ficam impunes.

A punição para o Bayern foi de amargar. No último dia da mundialmente famosa Oktoberfest de Munique, o time lamentava um sexto lugar na tabela. Normalmente, diretoria, comissão técnica e todos jogadores do Bayern aproveitam o dia de encerramento da maior festa de cerveja do mundo para marcar presença no local e se confraternizar com a torcida. Pela fisionomia de todos envolvidos deu para perceber que não tiveram muitos motivos para festejar.

Se o momento atual é ruim para o Bayern, é ótimo para a liga. 

Paco Alcácer (esq.) jogou ao todo apenas 81 minutos da liga, mas já fez seis gols

Paco Alcácer (esq.) jogou ao todo apenas 81 minutos da liga, mas já fez seis gols

De repente, o vacilo bávaro proporcionou a outras equipes, ultimamente relegadas à segunda prateleira, a oportunidade de mostrar serviço e, pelo menos no início da atual temporada, encher de esperanças renovadas as suas torcidas.

A começar pelo próprio Borussia Dortmund, cujo ataque avassalador com Paco Alcácer inspiradíssimo, artilheiro da liga com seis gols, está dando o que falar. São 23 gols marcados em sete jogos, e isso não é pouca coisa. E por falar em Alcácer, estou ligeiramente desconfiado de que ele se tornará um dos astros mais brilhantes da atual temporada.  Mas cuidado! Se o ataque vai bem, obrigado, a defesa auri-negra vira e mexe entrega presentes de bandeja ao adversário e bate cabeça.

E o Borussia Mönchengladbach? Foi a Munique e, em pleno ambiente de Oktoberfest, encarou o campeão jogando num corajoso 4-3-3 para sair de lá com um triunfo categórico por 3 a 0, que contou com o protagonismo de Stindl, Herrmann e Plea. Este último foi adquirido junto ao Nice por 23 milhões de Euros e já está rendendo: até agora foram cinco gols e uma assistência. Nada mal para quem acabou de chegar ao clube.

Tem mais: Leipzig, Hertha e Werder dividem a vice-liderança com o Gladbach e tem ambições. Estão todos à frente do Bayern e a apenas três pontos do atual líder. 

Digno de nota também é o fato de que times como Gladbach, Werder e Hertha que, em outras temporadas entravam em campo mais preocupados em se defender do que atacar, agora perderam o medo e jogam corajosamente para frente.

Perceberam que é perfeitamente possível encarar o Bayern sem abdicar do jogo ofensivo. Como se viu, deu resultado: Hertha e Gladbach derrotaram o campeão com autoridade (2:0 e 3:0) e contribuíram para que, pelo menos temporariamente, a tabela de classificação ficasse embolada. De quebra, mostraram à concorrência como se faz para derrotar o "todo poderoso". 

P.S. Já estava encerrando a coluna quando me lembrei de um fato inédito do último fim de semana, jamais ocorrido em 55 anos de Bundesliga. Paco Alcácer atuou até agora em apenas três jogos do campeonato, sempre entrando na segunda etapa. Jogou ao todo 81 minutos, nos quais ele fez seis gols. Recorde absoluto na história da Bundesliga. Como disse Marco Reus: "Sensationell"! 

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Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast "Bundesliga no Ar". A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no Twitter, Facebook e no site Bundesliga.com.br

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