Energia limpa obtida do sol é oportunidade para a África | Energia fotovoltaica no Senegal | DW | 22.02.2011
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Energia fotovoltaica no Senegal

Energia limpa obtida do sol é oportunidade para a África

A energia solar limpa vinda do deserto poderá superar instalações poluentes movidas a carvão, bem como usinas nucleares. Em particular na África, onde as condições de incidência solar são excelentes.

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Instalações solares como essa poderiam reduzir rapidamente a emissão de CO2

Quando o assunto é África, frequentemente os noticiários abordam a falta de alimentos, deficiências na educação e a falta de condições para uma vida saudável. Uma coisa, porém, o continente tem de sobra: o sol.

E é por esse motivo que a energia solar poderia resultar em uma mudança expressiva para o continente – tanto em termos econômicos, quanto sociais. Hoje, tal estimativa é compartilhada simultaneamente por pesquisadores, ambientalistas e profissionais de ajuda ao desenvolvimento.

Fatos e números

De acordo com a Agência Internacional de Energia, o sol irradia permanentemente mais de 120 mil terawatts para a superfície terrestre. Isso corresponde ao desempenho de 100 milhões de grandes usinas atômicas. A luz solar oferece 7.700 vezes mais energia do que toda a demanda mundial medida em 2006 (136 mil terawatts-hora).

Em decorrência da forte incidência solar em diversos países africanos, o continente apresenta condições particularmente boas para produzir energia a partir dos raios solares. Conforme os cálculos da organização ambientalista Greenpeace, se apenas 2% da área do deserto do Saara fossem ocupados por plantas solares, seria possível suprir toda a demanda energética do planeta.

Solaranlagen zur Weltenergieversorgung

Representação da área necessária para que plantas solares abasteçam o mundo, a Europa, a Alemanha ou o continente africano

Altos custos de lançamento

O principal obstáculo para uma ampla captação de energia solar na África, de acordo com as estimativas de especialistas, ainda são os altos custos para a construção da planta solar – tanto o sistema fotovoltaico, quanto o termossolar. Quando se trata de um projeto desse gênero, os investimentos são muito altos, ainda que a geração posterior de energia seja praticamente gratuita, explica Frank Asbeck, diretor da construtora alemã de plantas solares SolarWorld, de Bonn.

Quem opta por combustíveis poluentes, como o querosene ou o diesel, paga nitidamente mais pela mesma quantia de energia, mas esse montante é distribuído em gastos menores, diz. Esse é um dos fatores que leva principalmente os países mais pobres a dar preferência às usinas que prejudicam o meio ambiente.

Em função disso, o Greenpeace propõe um maior esforço político e financeiro dos países desenvolvidos, especialmente os europeus, para amparar a técnica solar na África. Entre eles, por exemplo, o governo alemão estaria promovendo a inovação de usinas termossolares com um orçamento de pesquisa de 8 milhões de euros. No desenvolvimento da tecnologia nuclear, no entanto, seriam investidos pelo país mais de 130 milhões de euros anualmente, reclama.

Andree Böhling, especialista em energia do Greenpeace, pondera: "Na realidade, a Alemanha não depende de importações de energia solar da África, mas considerando os enormes problemas climáticos e energéticos que temos, é necessário que nos abstenhamos o quanto antes de fontes de energia fósseis como o carvão e o gás – evidentemente, também da atômica – e foquemos nas renováveis."

As instalações solares africanas poderiam ser uma boa contribuição para incentivar a utilização de energias limpas, afirma Böhling.

"Tecnologicamente, não há desafio"

Solarturmkraftwerk Jülich

Torre de energia solar na cidade alemã de Jülich: mais de 2 mil espelhos móveis concentram os raios solares em um receptor de radiação a 60 metros de altura

Enquanto falta, acima de tudo, dinheiro e determinação política, os engenheiros não veem dificuldade técnica alguma em construir usinas termossolares ou sistemas fotovoltaicos na África. "Hoje em dia, há modernas usinas de energia movidas a gás ou petróleo no Egito, no Marrocos, na Líbia e em outros países [do norte da África]. Comparado a elas, as usinas termossolares ou os sistemas fotovoltaicos não são uma tecnologia complicada", explica o pesquisador solar Robert Pitz-Paal do Centro Aeroespacial Alemão, DLR. "Tecnologicamente, isso não é um desafio", diz.

Entre uma série de parcerias, o DLR trabalha no Projeto Desertec, que pretende instalar usinas na região do cinturão colar africano, a fim de gerar energia "verde" para a África, Oriente Médio e Europa.

Limpa e ecológica

Se as usinas poluentes fossem substituídas pelas solares, o benefício climático seria imenso. Um estudo do Greenpeace mostra que as usinas termossolares planejadas de acordo com o conceito da Desertec no Saara poderiam prevenir a emissão de 4,7 bilhões de toneladas de CO2 até o ano 2050. Essa economia equivale a seis vezes o volume total de CO2 produzido pela Alemanha atualmente.

Heliostatenfeld Jülich

Visão obtida da torre solar de Jülich

Vantagens para a África

A geração de energia através da força solar também poderia resolver grandes problemas no próprio continente africano. Lá, mais de meio bilhão de pessoas não têm um abastecimento constante de energia elétrica, o que prejudica o desenvolvimento econômico e social. Os custos de produção são mais altos do que em outros lugares, afetando negativamente a competitividade de países africanos no mercado mundial. Uma energia solar barata não apenas possibilitaria um melhor atendimento à saúde, comunicação, informação e educação, como também é um pré-requisito para unidades de produção competitivas no mercado mundial.

Horizonte de tempo

Resta a pergunta: Quando os africanos estariam prontos para se tornarem fornecedores de energia limpa para si próprios e para os outros? O especialista Böhling, do Greenpeace, afirma que parte disso poderia estar em andamento já em dez anos. Por outro lado, o pesquisador de tecnologia solar Pitz-Paal é mais cauteloso e acredita que irá demorar mais de 20 anos até que nas tomadas alemãs corra eletricidade vinda da África.

Autor: Martin Schrader (mdm)
Revisão: Roselaine Wandscheer