Em Kenosha, Trump condena protestos e declara apoio à polícia | Notícias internacionais e análises | DW | 01.09.2020

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Estados Unidos

Em Kenosha, Trump condena protestos e declara apoio à polícia

Em visita à cidade que se tornou palco de confrontos e atos antirracismo após ação brutal da polícia contra homem negro, presidente dos EUA acusa manifestantes de "terrorismo doméstico" e de serem "antiamericanos".

Presidente dos EUA, Donald Trump, visita Kenohsa, no Wisconsin, e promete reconstruir a cidade após protestos

Presidente dos EUA, Donald Trump, visita Kenohsa, no Wisconsin, e promete reconstruir a cidade após protestos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ignorou apelos de autoridades locais e visitou nesta terça-feira (01/09) a cidade de Kenosha, em Wisconsin, nos EUA, palco de mais um episódio recente de violência policial contra um homem negro que resultou em vários dias de protestos e confrontos entre os manifestantes e as forças de segurança.

Trump evitou contato com a família de Jacob Blake, o homem de 29 anos alvejado com sete tiros nas costas por um policial branco no dia 23 de agosto, no incidente que deflagrou os protestos em Kenosha.

Ao contrário, seu objetivo era demonstrar apoio à polícia e, mais uma vez, tentar transmitir uma imagem de defensor da lei e da ordem, em um país amplamente dividido pelas tensões raciais.

Em uma cidade abalada pela onda de conflitos e distúrbios dos últimos dias, o presidente optou por se reunir com representantes das forças de segurança e alguns proprietários de estabelecimentos comerciais saqueados e incendiados durante as manifestações.

O republicano teceu elogios à polícia local e exaltou a atuação da Guarda Nacional, convocada após várias noites de protestos pacíficos que resultaram em violentos confrontos, agravados pela presença de milicianos armados. Ele disse que a cidade foi devastada por "revoltas antipolícia e antiamericanas".

O governador de Wisconsin e o prefeito de Kenosha – ambos do Partido Democrata – haviam pedido que o presidente evitasse ir até a cidade, temendo um novo acirramento das tensões, e para permitir que a população pudesse cicatrizar as feridas deixadas pelos atos de violência.

Trump, porém, utilizou a visita para tentar obter para si os créditos da restauração da paz na cidade desde a chegada da Guarda Nacional, mesmo que a iniciativa de pedir reforços das tropas federais tenha partido do governo estadual.

"Estes não são atos de manifestantes pacíficos, mas, realmente, de terrorismo doméstico", afirmou Trump. "Para pôr fim à violência política, temos que confrontar a ideologia radical [...] temos que condenar a perigosa retórica antipolícia."

Ele prometeu reconstruir Kenosha e disponibilizar verbas do governo federal para o estado de Wisconsin, bastante disputado por republicanos e democratas por ser considerado fundamental para as pretensões de ambos os lados nas eleições presidenciais.

Em 2016, quando derrotou a democrata Hillary Clinton na disputa pela Casa Branca, Trump venceu por margem apertada no Wisconsin e sabe que precisa agora conquistar o apoio dos eleitores locais para ampliar sua base no estado até a votação do dia 3 de novembro.

Os distúrbios em Wisconsin se seguiram a meses de acirramento das tensões raciais deflagradas após o assassinato de George Floyd, um homem negro de 46 anos, na cidade de Minneapolis em 25 de maio. Floyd morreu após ser brutalmente imobilizado por um policial branco. Sua morte deu início à recente onda de protestos antirracismo em todo o país.

Em Kenosha, durante o caos gerado pelas manifestações, um atirador de 17 anos  armado com um fuzil semiautomático matou duas pessoas nas ruas da cidade. Depois de ser preso pela polícia, ele alegou que agiu para proteger algumas lojas de serem saqueadas.

Trump chegou a defender o adolescente branco, que enfrenta seis acusações na Justiça, e se recusou a condenar a violência perpetrada por seus apoiadores, alguns dos quais também foram vistos fortemente armados pelas ruas de Kenosha.

Mas quando um de seus simpatizantes foi morto a tiros nas ruas de Portland, no Oregon – cidade que há três meses convive diariamente com protestos antirracismo – o presidente lamentou o incidente ao afirmar que "um homem foi executado em plena rua".

RC/rtr/dpa/afp

 

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