Egito vai às urnas em eleição que deve confirmar Sisi | Notícias internacionais e análises | DW | 26.03.2018
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Oriente Médio

Egito vai às urnas em eleição que deve confirmar Sisi

Reeleição de Abdel Fattah al-Sisi é dada como certa em pleito marcado pela ausência de adversários políticos. Oposição boicota, e participação servirá de termômetro do apoio popular do presidente.

Presidente egípcio, Abdel Fattah al Sisi, deposita seu voto em local de votação

Presidente egípcio, Abdel Fattah al Sisi, deposita seu voto: governo com mão de ferro e pouco tolerância com a oposição

Cerca de 60 milhões de cidadãos foram convocados às urnas nesta segunda-feira (26/03) na eleição presidencial no Egito. Os locais de votação abriram às 9h (horário local), e o atual presidente, Abdel Fattah al-Sisi, é considerado o franco favorito. A votação vai durar três dias, e os resultados oficiais deverão ser divulgados em 2 de abril.

O ex-comandante do Exército egípcio tem apenas um desafiante, o presidente do partido liberal Al Ghad, Musa Mustafá Musa, visto como um aliado de Sisi. O "adversário" pouco conhecido do chefe de Estado deve angariar poucos votos.

A campanha foi antecedida por ações contra adversários políticos do atual presidente. Potenciais candidatos foram presos ou retiraram a candidatura sob circunstâncias obscuras. O fato de a vitória do titular ser dada como certa faz com que a atenção se volte para a participação dos eleitores, que servirá de termômetro do apoio que Sisi tem entre a população.

Sisi repetidamente apelou aos egípcios para que compareçam às urnas, prometendo uma eleição justa. A oposição convocou os eleitores a um boicote, classificando o pleito como "uma farsa".

Cerca de 250 mil membros das forças de segurança foram enviados aos 14 mil locais de votação. Dois dias antes do início da eleição, uma bomba matou dois policiais em Alexandria, segunda maior cidade do Egito. Um dia depois, policiais mataram, num tiroteio, seis homens supostamente envolvidos no ataque e ligados à hoje proibida Irmandade Muçulmana. 

A imprensa pró-governo noticiou que o ataque de sábado em Alexandria teve como objetivo intimidar os egípcios e pediu aos eleitores para "responderem" em massa comparecendo às urnas. Não houve reivindicação de responsabilidade pelo ataque.

Sisi tomou o poder em julho de 2013, após a queda do então presidente, Mohammed Morsi. Em 2014, ele foi eleito presidente. Muitos egípcios consideram Sisi o "homem forte" que pôs fim ao caos após a derrubada do governante de longa data Hosni Mubarak por um levante popular, em 2001.

No entanto, grupos de direitos humanos acusam Sisi de ser ainda mais repressor que Mubarak. Isso e a contínua crise econômica, juntamente com aumentos consideráveis de preços, prejudicam a reputação do chefe de Estado, que também prometera estabilidade econômica.

O país do norte da África não conseguiu alcançar plena estabilidade desde as revoltas árabes em 2011,
quando Mubarak foi derrubado. O primeiro presidente eleito democraticamente, em 2012, foi Morsi, o líder islâmico derrubado por Sisi, então comandante do Exército, um ano depois de uma série de protestos populares.

Sisi perseguiu os seguidores de Morsi e, desde 2014, governa o país com mão de ferro, reprimindo não somente a Irmandade Muçulmana e jihadistas mas também a oposição moderada, dessa maneira sufocando a sociedade civil, de acordo com organizações de direitos humanos.

MD/dpa/afp

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