Eduardo Paes impõe derrota a Marcelo Crivella no Rio | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 29.11.2020

Conheça a nova DW

Dê uma olhada exclusiva na versão beta da nova DW. Sua opinião nos ajudará a torná-la ainda melhor.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Eleições 2020

Eduardo Paes impõe derrota a Marcelo Crivella no Rio

Político do DEM obtém mais de 64% dos votos válidos e vai voltar a comandar Prefeitura do Rio de Janeiro. Crivella amarga 35% após quatro anos de administração mal avaliada e associação com bolsonarismo. 

Eduardo Paes (DEM) foi eleito neste domingo (29/11) para a Prefeitura do Rio de Janeiro com 64,07% dos votos válidos. O atual prefeito, Marcelo Crivella (Republicanos), que tentava a reeleição, obteve 35,93%, com 100% das urnas apuradas.

Paes venceu em todas 59 zonas eleitorais do Rio. Após o resultado, Paes celebrou o que chamou de "vitória da política" contra a radicalização.

"A primeira mensagem que eu queria passar é de agradecimento aos cariocas que foram às urnas e acreditaram nas nossas propostas. Queria também celebrar aqui uma vitória da política. Nós passamos os últimos anos radicalizando a política brasileira. O resultado desse radicalismo certamente não fez bem a nenhum de nós, cariocas, não fez bem a nenhum de nós, brasileiros."

Veterano da política carioca, Paes vai voltar à prefeitura após um hiato de quatro anos, no qual acumulou uma derrota na corrida ao governo do estado do Rio de Janeiro e uma troca de partido, passando do MDB para o DEM. Ele comandou o Executivo municipal entre 2009 e 2017. 

Numa campanha marcada por poucas propostas, Paes contou como principal trunfo a impopularidade de Crivella, que foi avaliado negativamente por 60% da população carioca em pesquisa Ibope divulgada há uma semana.

Brasilien Marcelo Crivella

Crivella tentou usar Bolsonaro como cabo eleitoral durante a campanha

O resultado do Rio de Janeiro também marca um revés tanto para o bolsonarismo quanto para as ambições políticas da Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo. Crivella é sobrinho do chefe da Universal, e sua vitória no pleito de 2016 deveria ter servido de vitrine para a capacidade de administração de políticos evangélicos que fizeram carreira em pautas de costumes.

No entanto, o projeto não funcionou. Crivella não só se tornou um dos prefeitos mais impopulares da história do Rio de Janeiro, como colecionou uma sucessão de escândalos durante sua administração – ele chegou a ser alvo de dois pedidos de abertura de processo de impeachment. Seus quatro anos foram marcados por episódios infames, como a apreensão de um gibi durante a Bienal do Livro de 2019 e a criação de uma gangue de assessores com o objetivo de tumultuar reportagens sobre a situação da saúde no município.

Nos últimos dias, em desvantagem nas pesquisas, Crivella voltou a apelar para a velha pauta de costumes que projetou sua carreira política, acusando Paes falsamente de querer implementar a "pedofilia" nas escolas do município. Em um aceno ao presidente Jair Bolsonaro, ele ainda fez comentários homofóbicos sobre um desafeto do presidente, o governador paulista João Doria.

A derrota do prefeito do Rio também marca um revés para o bolsonarismo. Nas últimas semanas, Crivella tentou associar insistentemente sua imagem a Bolsonaro, numa tentativa de repetir o efeito que impulsionou candidaturas alinhadas ao presidente em 2018. Jair Bolsonaro chegou a declarar apoio ao prefeito nos dois turnos, mas não se dedicou de maneira ostensiva em conquistar eleitores para seu aliado. 

JPS/ots