Editorial anônimo no ″NYT″ alimenta obsessão de Trump sobre governo paralelo | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 08.09.2018
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Mundo

Editorial anônimo no "NYT" alimenta obsessão de Trump sobre governo paralelo

Além do artigo de opinião não assinado, escrito supostamente por alto funcionário do governo, novo livro do jornalista Bob Woodward enfurece Trump. Várias autoridades americanas negam ser autores do artigo.

Donald Trump na Casa Branca

Donald Trump na Casa Branca

A publicação nesta semana de um artigo anônimo de um funcionário crítico ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alimentou a obsessão do líder americano sobre a existência de um possível governo paralelo que trabalha contra ele, fato que o atormenta desde que chegou ao poder.

"As células dormentes [do governo] acordaram", dizia uma mensagem de texto que, segundo relatórios da imprensa, circulou entre vários assessores e aliados de Trump na última quarta-feira (05/09), depois que o jornal The New York Times publicou o editorial de opinião anônimo.

O artigo, assinado por um "alto cargo do governo americano", revelava um suposto esforço de "resistência" interna por parte de um grupo de funcionários, decididos a "frustrar parte das iniciativas e as piores inclinações de Trump".

Na quinta-feira, várias autoridades do governo americano negaram serem autores do editorial, cujo cargo estaria ameaçado se o seu nome fosse revelado, afirmou o jornal. E então não demorou para que jornalistas e veículos da mídia do país passassem a especular quem seria tal funcionário.

Entre as diversas autoridades e membros do gabinete que rejeitaram serem o autor do artigo estão o vice-presidente, Mike Pence, e o secretário de Estado, Mike Pompeo. "O vice-presidente coloca seu nome em seus editoriais de opinião", defendeu o diretor de comunicação de Pence. "Não é meu", disse, por sua vez, Pompeo, que estava em viagem à Índia.

Também rejeitaram ser autores do artigo o secretário americano de Defesa, James Mattis, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, o diretor de inteligência nacional, Dan Coats, e a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley.

"Estado profundo"

A coluna comoveu uma Washington que ainda não tinha terminado de ler os suculentos detalhes sobre o dia a dia na Casa Branca, que constam no novo livro do veterano jornalista Bob Woodward.

Esse volume, que será colocado à venda na próxima terça-feira, retrata também uma Casa Branca cheia de assessores alarmados que tentam conter os impulsos de Trump, até o ponto de roubar papéis de sua mesa antes que ele os assine, como fez supostamente seu ex-assessor Gary Cohn a fim de evitar a ruptura de dois pactos comerciais.

A combinação desses dois textos enfureceu Trump, que falou de "traição", e pediu a seu Departamento de Justiça que desmascare o autor da coluna, além de ter chegado a pensar em submeter seus conselheiros a testes de detector de mentiras.

"Poderia ser uma pessoa do Estado 'profundo' que esteja no governo há muito tempo", especulou Trump em entrevista na quinta-feira.

O líder recuperava assim um dos conceitos mais bem-sucedidos entre seus seguidores: a teoria de que existe um "Estado profundo", uma rede de funcionários de carreira que trabalham supostamente a partir de dentro do governo para minar os interesses do presidente.

O autor do editorial do The New York Times tratou de se antecipar a essa previsível reação do presidente, ao assegurar no texto que sua "resistência" não era a de um suposto "Estado profundo" favorável ao Partido Democrata, mas a de um "Estado firme" de conservadores que compartilham algumas ideias de Trump, mas não seu estilo de governo.

Essa explicação não evitou que os comentaristas conservadores batizassem o funcionário como "Deep State Throat" ("Garganta do Estado Profundo"), em referência ao nome da fonte de Woodward durante o escândalo Watergate em 1974, "Garganta Profunda".

Lições de Watergate

Durante o primeiro ano de Trump no poder, em Washington predominava a sensação de que havia uma série de figuras que exerciam o contrapeso ao presidente, e seus nomes não eram nenhum segredo.

Mas com aumento do êxodo desses assessores – como o chefe de gabinete Reince Priebus e o secretário de Estado Rex Tillerson –, a impressão de que Trump estava mais livre para atuar segundo seus impulsos foi tomando conta da capital.

A publicação do artigo de opinião, cujo autor promete resistir aos excessos de Trump enquanto estiver no poder, supôs um alívio para os que contemplavam essa nova dinâmica com horror, mas pode ser contraproducente, segundo alguns republicanos.

"Isto basicamente reforça a mensagem [de Trump] de que há uma série de gente na burocracia de Washington que está contra ele. Não tenho certeza que o funcionário responsável por isto consiga o que deseja", disse o senador republicano John Thune em declarações ao jornal Politico.

Em público, Trump se mostrou nesta sexta-feira satisfeito com os "preciosos" comunicados nos quais seus principais assessores negavam ter redigido o artigo e descartou que o autor do texto fosse uma "pessoa de muito alto nível" no Executivo.

Mas, nos bastidores, é improvável que Trump – necessitado de periódicas amostras de lealdade de seus subordinados – tenha esquecido uma lição histórica: o ex-funcionário Mark Felt negou durante três décadas ter sido a fonte de Woodward no caso Watergate e não se revelou como "Garganta Profunda" até pouco antes de morrer.

CA/efe/rtr/dpa

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