Editor-chefe do maior site independente da Hungria é demitido | Notícias internacionais e análises | DW | 22.07.2020

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Europa

Editor-chefe do maior site independente da Hungria é demitido

Demissão de Szabolcs Dull ocorre semanas após ele alertar que a independência do Index.hu estava em perigo. Empresa que publica o site de notícias foi comprada por empresário próximo do primeiro-ministro Orbán.

Página principal do site húngaro Index.hu

O Index.hu é um dos veículos independentes que viram sua liberdade de imprensa ser reduzida sob Orbán

O editor-chefe do maior site de notícias independente da Hungria, o Index.hu, foi demitido nesta quarta-feira (22/07), semanas após alertar que o veículo estava sob risco de perder sua independência em relação ao governo do primeiro-ministro Viktor Orbán.

"A equipe e a independência do Index.hu correm grave perigo", disse Szabolcs Dull em artigo publicado em junho. "O site está sob tal pressão externa que pode ser o fim de nossa equipe editorial como a conhecemos. Estamos preocupados em, com a revisão organizacional proposta, perder os valores que fizeram do Index.hu o maior e mais lido site de notícias da Hungria."

No texto, Dull ainda defende um veículo "independente, autônomo e que opera sem influência externa, que trabalha com liberdade e como uma única organização". "Queremos um site de notícias em que políticos e mensageiros do governo ou atores econômicos não tenham poder para publicar um texto", acrescentou o então editor-chefe.

Em março deste ano, o empresário Miklós Vaszily, próximo de Orbán, comprou 50% da agência Indamedia Network, que controla a publicidade e as finanças do Index.hu. O ato gerou temores sobre a futura independência do site, que produz um jornalismo crítico ao governo.

Anteriormente, Vaszily chegou a transformar o site Origo.hu, concorrente do Index.hu, em um meio pró-Orbán, embora tenha negado que planeja exercer controle editorial também sobre o Index.

A demissão de Dull nesta quarta-feira foi justificada pelo presidente do conselho administrativo do site, László Bodolai, com o argumento de que ações do editor-chefe comprometeram a posição do veículo no mercado.

Por outro lado, em artigo publicado no Index.hu, mais de 90 funcionários do site afirmam que a demissão de Dull não passa de "uma tentativa escancarada de exercer pressão", o que tornará impossível a realização de um trabalho independente na redação.

"Essa decisão é inaceitável para nós", afirmam os jornalistas. "Estamos dizendo há anos que consideramos duas coisas como condições para a operação independente do Index: que não haja intromissão externa no conteúdo publicado no site ou na composição da equipe."

O Index.hu é um dos meios de comunicação independentes da Hungria que viram sua liberdade de imprensa ser reduzida pelos esforços do primeiro-ministro nacionalista de controlar uma porção cada vez maior da mídia húngara.

Orbán tem transformado o cenário da imprensa desde que chegou ao poder em 2010. Muitos meios de comunicação públicos se tornaram órgãos estatais, enquanto seus aliados endinheirados compraram grande parte do setor privado de mídia. Muitos veículos independentes fecharam as portas ou adotaram linhas editoriais pró-governo após serem comprados por figuras pró-Orbán.

"Minha mensagem continua sendo a de que o Index é uma fortaleza poderosa que eles querem explodir", disse Dull em um discurso de despedida na redação do site, cujo vídeo foi publicado no site de notícias 444.hu.

O governo, que não comentou o caso inicialmente, vem negando interferir na imprensa do país. A demissão, porém, tem potencial para iniciar um novo conflito entre a Hungria e a Comissão Europeia, depois de uma alta funcionária ter expressado preocupação com a independência do Index.hu no início deste mês.

"O que vocês [Index.hu] têm feito, os valores pelos quais vocês têm lutado, a liberdade de imprensa e o pluralismo, são essenciais para a democracia", disse Vera Jourova, vice-presidente da Comissão Europeia para valores e transparência, em comunicado publicado no site de notícias húngaro. "Vocês podem contar com meu apoio."

Jourova alertou ainda que os lucros não devem ser usados ​​como pretexto para influenciar o jornalismo do Index.hu. "Embora os leitores e a audiência tenham batido recordes, as receitas foram fortemente atingidas. A pressão econômica não deve se transformar em pressão política."

Em 2020, em uma pesquisa global sobre liberdade de imprensa realizada pela ONG Repórteres sem Fronteiras, a Hungria caiu duas posições e ficou em 89º lugar entre 180 países. Em 2013, o país ocupava a 56ª posição.

EK/ap/dpa/rtr/dw

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