DPA marcou retomada de jornalismo não propagandista após nazismo | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 18.08.2009
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Alemanha

DPA marcou retomada de jornalismo não propagandista após nazismo

Deutsche Presse Agentur (DPA), principal agência de notícias alemã, surgiu de três serviços de informação dos aliados após a Segunda Guerra. Desnazificação e separação de fato e opinião eram as principais coordenadas.

default

Linha direta com 100 diferentes países

Em 1850, Paul Julius Reuter, fundador da agência de notícias Reuters, ainda soltava pombos-correio entre Bruxelas, na Bélgica, e Aachen, Alemanha, para transportar da forma mais rápida possível as notícias e os dados do mercado financeiro. Poucos anos depois, os telégrafos e os cabos submarinos tornaram obsoletos os serviços aéreos da Reuters.

Brieftaube mit Brief

Pombo-correio: hoje, uma prática exótica

Com o uso militar da radiocomunicação durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, as agências de notícia também aderiram aos transmissores de ondas longas para a propagação de suas informações.

No entanto, ao fim da Segunda Guerra, os meios de comunicação na Alemanha estavam arrasados. As emissoras propagandísticas nazistas silenciaram, bem como as agências de notícias e a imprensa do regime. Tanto maior era a sede dos alemães por notícias confiáveis e por informações que lhes dessem uma noção do futuro rumo do país destruído.

Com a infraestrutura e a visão de mundo dos aliados

1860: Seekabel nach Indien verlegt Empfänger der indo-europäischen Telegraphenlinie Kalenderblatt

1860: receptor de sinais por cabos submarinos

Nessa situação, os oficiais de imprensa dos aliados foram os primeiros a entrar em ação. Mas logo se encontraram editores e jornalistas alemães considerados "limpos" pelas potências de ocupação e, por fim, incumbidos com a retomada de um jornalismo não propagandista.

Em cada uma das zonas de ocupação ocidentais – a francesa, a inglesa e a norte-americana – surgiram agências de notícias regionais que futuramente se uniriam em uma única, a DPA (Deutsche Presse Agentur). Este serviço de notícias do pós-guerra nasceu da fusão de três outras agências: a Dena (Deutsche Nachrichtenagentur), a Südena (Süddeutsche Nachrichtenagentur) e o DPD (Deutscher Pressedienst).

Joseph Goebbels

Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler

Três meses após a promulgação da Lei Fundamental da República Federal da Alemanha e poucas semanas antes das primeiras eleições para o Bundestag, câmara baixa do Parlamento alemão, a agência recém-fundada lutava contra a escassez material da Alemanha do pós-guerra. A sede da agência em Hamburgo começou a funcionar mesmo na falta de papel, cadeiras e técnica de comunicação.

Mas a DPA logo passou a dispor da infraestrutura das agências aliadas, das quais ela se compusera. Os britânicos transferiram de Flensburg, cidade próxima à Dinamarca, para Hamburgo o departamento de telecomunicações da Marinha alemã, com sua técnica, seus radiotelegrafistas e tradutores-intérpretes, criando assim a base para o DPD. A Südena, criada na zona de ocupação francesa, utilizava sobretudo as capacidades de propagação do correio.

Desnazificação e prioridade do factual

Dos americanos, a nova agência herdou não apenas a tecnologia de rádio, mas também um tipo totalmente diferente de jornalismo. Quase 600 redatores e repórteres, entre os quais intelectuais norte-americanos, jornalistas alemães retornados da emigração e jovens politicamente distantes da doutrina nazista, passaram a noticiar segundo o modelo americano.

Alliierter Kontrollrat

Conselho de Controle Aliado, em Berlim, 1945

Isso implicava uma rigorosa separação entre notícia e opinião, mas também uma "desnazificação" da linguagem. Conceitos nazistas ou apelativos deveriam ceder lugar a uma objetividade sóbria. Afinal, os aliados conferiram à imprensa e ao rádio um papel importante no processo de "reeducação" dos alemães no pós-guerra.

Essa "higiene linguística" ou "limpeza da língua alemã" significava excluir do vocabulário todas as palavras das quais os nazistas haviam abusado anteriormente para a propagação de sua doutrina. A palavra "Führer" (líder, guia), com a qual se denominava Adolf Hitler, não poderia ser mais empregada. A não ser como parte do termo "Lokomotivführer" (condutor de locomotivas), ao qual os mestres americanos acabaram capitulando.

A fundação oficial da DPA ocorreu no dia 18 de agosto de 1949. Hoje, ela é uma das agências de notícias mais importantes da Alemanha, com representações em 100 países e 50 escritórios na Alemanha. Diariamente, 800 funcionários da DPA e milhares de colaboradores produzem cerca de 3.500 textos e 450 fotos, além de vídeos e gráficos, em alemão, inglês, espanhol e árabe.

SL/dpa/ap

Revisão: Roselaine Wandscheer

Leia mais