Dois anos após tragédia, Gênova inaugura nova ponte | Notícias internacionais e análises | DW | 04.08.2020

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Mundo

Dois anos após tragédia, Gênova inaugura nova ponte

Nova estrutura é inaugurada em cerimônia marcada por tristeza e orgulho, no mesmo local do desastre que chocou a Itália e deixou 43 mortos. Famílias das vítimas ainda pedem justiça.

Ponte San Giorgio é inaugurada em Gênova, na Itália, quase dois anos após tragédia que deixou 43 mortos

Ponte San Giorgio é inaugurada em Gênova, na Itália, quase dois anos após tragédia que deixou 43 mortos

O desmoronamento da ponte Morandi na cidade italiana de Gênova, no dia 14 de agosto de 2018, matou 43 pessoas e deixou todo o país em choque. A enorme estrutura cedeu após fortes chuvas, fazendo com que dezenas de automóveis e caminhões caíssem sobre trilhos ferroviários localizados logo abaixo.

O incidente – um dos piores desastres ocorridos na Itália nas últimas décadas – jogou luz sobre as falhas de manutenção na infraestrutura do país e resultou em uma investigação criminal sobre a concessionária responsável pela administração da ponte – uma importante via de ligação no noroeste da Itália com a cidade portuária de Gênova.

Nesta segunda-feira (04/08), a poucos dias do segundo aniversário da tragédia, autoridades italianas inauguraram uma nova estrutura no mesmo local, a ponte San Giorgio, projetada pelo famoso arquiteto genovês Renzo Piano, que também é o criador do arranha-céu The Shard ("O Estilhaço") em Londres e do Centro Georges Pompidou, em Paris.

Implosão do que restou da ponte Morandi após colapso da estrutura em 2018

Implosão do que restou da ponte Morandi após colapso da estrutura em 2018

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, disse que a nova ponte será um "símbolo de uma nova Itália que volta a se erguer". O presidente Sergio Mattarella foi o primeiro a cruzar oficialmente a nova estrutura, que deverá ser aberta ao tráfego de veículos na próxima quarta-feira.

Foram apenas 18 meses entre a demolição da velha ponte e a inauguração da nova estrutura. O processo para erguer a ponte levou apenas 10 meses. A construção se tornou motivo de orgulho em um país normalmente criticado pela demora em concluir projetos públicos.

"Não houve dias de folga, trabalhamos até durante o Natal e a Páscoa. Foi uma loucura, mas estávamos todos voltados para que este ano fosse o 'ano da ponte'", disse o chefe dos trabalhadores, Stefano Mosconi. "Foi uma honra", acrescentou.

Tristeza e orgulho

Apesar do sucesso do projeto, a inauguração teve um tom solene em respeito às vítimas e seus familiares. Mosconi e seus colegas não planejaram comemorações, temendo interpretações negativas. "Claro que fizemos algo de bom, mas antes uma coisa terrível aconteceu aqui", observou.

"Há tanto um sentimento de lamentação pelo ocorrido quanto de orgulho pelo trabalho realizado", disse o prefeito de Gênova, Marco Bucci, que supervisionou a construção da nova ponte. O arquiteto Renzo Piano relatou a mesma sensação. "A nova ponte veio para tomar o lugar da outra, e portanto, sentimos uma mistura de tristeza e orgulho."

A Autostrade, que administra quase a metade da rede rodoviária da Itália, é investigada por homicídio culposo e é acusada de falsificar relatórios em razão de pressões internas para reduzir custos de manutenção. Várias autoridades do Ministério dos Transportes também estão sob investigação. 

A operadora de rodovias Atlantia, controladora da Autostrade, cedeu à pressão e, no mês passado, abandonou a administração de rodovias e pedágio no país, que será estatizada.

Enquanto Matarella inaugurava a nova ponte, um arco-íris surgiu no céu de Gênova. As famílias dos mortos no desastre e os bombeiros que trabalharam no resgate das vítimas se recusaram a comparecer à cerimônia. Eles estão revoltados com o fato de que a ponte San Giorgio também será administrada pela mesma empresa que está sendo responsabilizada pelas falhas de manutenção que resultaram na tragédia.

Arco-íris surge no céu de Gênova no dia da inauguração de nova ponte, quase dois anos após tragédia

Arco-íris surge no céu de Gênova no dia da inauguração de nova ponte, quase dois anos após tragédia

Riccardo Morandi, o engenheiro que projetou a ponte construída nos anos 1960 e que levava seu nome, recomendara manutenção constante na estrutura em razão do efeito corrosivo do ar vindo do mar Mediterrâneo e da poluição sobre o concreto da estrutura. Os promotores investigam se a manutenção vinha sendo realizada adequadamente nos anos que antecederam o desastre.

A transição da Autostrade em empresa pública deverá levar tempo. Um acordo firmado pelo governo italiano estabelece que a empresa deve pagar 3,4 bilhões de euros em compensações.

RC/ap/afp/rtr

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