Divergências no Eurogrupo antecedem cúpula sobre resgate da Grécia | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 20.07.2011
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Economia

Divergências no Eurogrupo antecedem cúpula sobre resgate da Grécia

Persiste temor que crise de endividamento dos "pequenos" se alastre para a Espanha e a Itália. Participação de setor bancário no pacote de resgate é principal ponto de discórdia.

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Os dirigentes dos países que adotam o euro como moeda nacional encontram-se nesta quinta-feira (21/07), numa cúpula extraordinária sobre o resgate financeiro da Grécia. Depois de ficar constatada a insuficiência do primeiro programa de crédito, no valor de 110 bilhões de euros, eles deliberam sobre um segundo pacote, no valor de até 120 bilhões de euros.

Na realidade, os ministros das Finanças do Eurogrupo já deveriam ter aprovado o segundo plano de resgate na semana passada. Porém essa intenção fracassou diante da incompatibilidade de posições. Neste meio tempo, a crise de endividamento dos três "pequenos" – Grécia, Irlanda e Portugal – continua ameaçando "contagiar" os pesos-pesados Espanha e Itália. Assim, a conferência dos chefes de governo e Estado europeus em Bruxelas transcorre sobre enorme pressão.

Decisões controversas

Com a ameaça pairando sobre Roma e Madri, e os mercados financeiros em polvorosa, a responsabilidade dos tomadores de decisão é grande. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, voltou a lançar um apelo dramático aos governantes da eurolândia.

EU-Gipfel in Brüssel

Durão Barroso: a situação do euro é muito séria

"Ninguém deve se permitir ilusões. A situação é muito séria. Ela exige uma resposta. Senão as consequências se farão sentir por toda a Europa e mais além. O euro é uma de nossas maiores conquistas. Seus benefícios ultrapassam de longe os esforços exigidos dos países-membros, nos diferentes polos das negociações. Não podemos lidar com isso de maneira leviana. Senão a história irá julgar com rigor esta geração de políticos."

Barroso espera diversas resoluções mínimas dessa cúpula: sobre o respaldo à situação financeira grega; sobre a praticabilidade e o montante de uma participação dos credores privados; sobre as possibilidades de intervenção do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF); sobre as medidas para proteger o setor bancário. Até o momento, todos esses tópicos são altamente controversos.

Um exemplo é a participação do setor privado no pacote de resgate. Praticamente ninguém mais acredita que Atenas seja capaz de saldar suas dívidas por meios próprios. No entanto, caso o país tenha parte da dívida aliviada, a Alemanha, a Holanda e a Finlândia exigem que também os bancos e seguradoras arquem com o ônus, e não apenas os contribuintes.

Previsões radicais

Mas é grande a resistência por parte do Banco Central Europeu (BCE) e de uma série de governos. O chefe do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, afirmara categoricamente já no final do ano passado que, até meados de 2013, o setor privado não participaria de forma alguma da resolução das dívidas da Grécia, Irlanda e Portugal. O combinado era que somente a partir da criação de um fundo permanente de resgate, em 2013, haveria uma participação de credores privados – mas hoje isso não está mais garantido.

Belgien EU Mario Draghi wird EZB-Präsident

Draghi: temor de default

Os críticos de uma participação bancária argumentam que as agências de rating certamente classificariam a medida como "default" (incapacidade de pagamento de dívidas). Essa é, por exemplo, a opinião do italiano Mario Draghi, futuro presidente do BCE, que adverte, em especial, para as consequências após o default, quando "os bancos gregos teriam que ser recapitalizados". A partir daí, os contribuintes de toda a Europa seriam chamados a sustentar os bancos, um após o outro, resultando em caos nos mercados financeiros, teme Draghi.

No tocante à crise grega, certos peritos e políticos já falam até mesmo em falência estatal e exclusão da União Monetária Europeia. Eles alertam que ajudas financeiras ilimitadas paralisam a disposição para implementar reformas, fazendo com que, a longo prazo, as nações financeiramente sólidas tenham que cobrir as periclitantes. Outros já preveem até mesmo que a disputa em torno da crise do euro possa ser o início do fim da zona do euro.

Autor: Christoph Hasselbach (av)
Revisão: Alexandre Schossler

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