Diretor do Museu Judaico de Berlim renuncia após controvérsia | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 15.06.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Alemanha

Diretor do Museu Judaico de Berlim renuncia após controvérsia

Peter Schäfer vinha sendo criticado por entidades judaicas e políticos israelenses após organizar exposição acusada de ser “pró-palestina” e divulgar texto sobre campanha de boicote a Israel.

Deutschland Direktor Jüdisches Museum Berlin Peter Schäfer (picture-alliance/dpa/W. Kumm)

Peter Schäfer comandava o museu desde 2014 e seu contrato havia sido recentemente renovado até 2020

O Museu Judaico de Berlim informou que seu diretor, Peter Schäfer, renunciou ao cargo na sexta-feira (14/06) para "evitar mais desgaste" para a instituição, que recebe 700 mil visitantes anualmente e que se descreve como um "local de reflexão" sobre história e cultura judaica da Alemanha.

O museu vinha sendo alvo de criticas há meses por causa da exposição temporária "Bem-vindo a Jerusalém", que abordou a vida cotidiana, a religião e a política na cidade santa. Alguns grupos e políticos apontaram que a exibição era tendenciosa em favor do ponto de vista palestino.

Mas o estopim para a saída de Schäfer ocorreu nesta semana após a conta do museu no Twitter publicar o link para uma reportagem sobre acadêmicos israelenses que condenaram uma resolução do Bundestag (Parlamento Alemão) que classificou o movimento pró-palestino de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) de "antissemita".

Legisladores alemães disseram que o BDS usa métodos antissemitas para promover seus objetivos políticos, uma acusação que é rejeitada pelo movimento, que promove boicote econômico, cultural e acadêmico de Israel para forçar o país a mudar suas políticas para os palestinos e colocar fim à ocupação da Cisjordânia, das Colinas de Golã e de Jerusalém Oriental.

Segundo os deputados do Bundestag, parte da campanha do BDS remete inevitavelmente a antigas iniciativas promovidas pelos nazistas que usavam slogans como "não compre de judeus”.

O tuite do museu imediatamente provocou críticas de entidades judaicas da Alemanha e da embaixada israelense em Berlim. 

Em uma entrevista publicada na quarta-feira, Schäfer disse à revista Der Spiegel que o tuite sobre o texto que criticou a resolução foi apenas uma "contribuição para a discussão” do tema.

Netanyahu exigiu o enceramento da exposição

Schäfer também havia defendido a exposição "Bem-vindo a Jerusalém" do museu. Segundo ele, não houve a adoção de uma linha anti-israelense ou pró-palestina.

Em dezembro passado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, escreveu para a chanceler federal Angela Merkel exigindo o encerramento da exposição. Na época, o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung citou declarações de Schäfer, que descreveu Jerusalém como o "lugar de anseio por judeus, cristãos e muçulmanos".

A acusação de Netanyahu contra a exposição – que durou entre dezembro de 2017 até abril deste ano – de que ela equivalia a uma "visão palestino-muçulmana" unilateral foi classificada como interferência política tanto por Schäfer quanto por Monika Grütters, comissária do governo alemão para a cultura e a mídia.

Deutschland Jüdisches Museum in Berlin (imago/Schöning)

Museu foi inaugurado em 2001 e recebe verba federal

Na sexta-feira, Schäfer voltou a defender a exposição, dizendo que ela não produziu propaganda anti-israelense nem pró-palestina.

Em março, Schäfer também havia sido envolvido em outra controvérsia quando recebeu o chefe do departamento de assuntos culturais da embaixada iraniana em Berlim, Seyed Ali, em sua casa. Na ocasião, ele disse que o encontro visava discutir uma possível exibição de fotos de arquivo de judeus iranianos, segundo o Süddeutsche Zeitung.

Partida "respeitada"

Grütters, que preside a diretoria da fundação do museu, disse na sexta-feira que respeita a decisão de Schäfer de deixar o cargo.

"Todos os responsáveis devem ajudar a garantir que o Museu Judaico de Berlim possa se concentrar novamente em seu importante trabalho em termos de conteúdo", disse Grütters.

O presidente do Conselho Central dos Judeus da Alemanha, Josef Schuster, disse no início desta semana que o museu parecia "totalmente fora de controle" e questionou se a instituição ainda poderia usar o termo "judaico” em seu nome. Ele também disse que Schäfer precisava sair para "evitar danos adicionais".

Schuster também disse ao jornal Tageszeitung, de Berlim, que o judaísmo deveria ter "mais influência" na instituição no futuro e que ele veria com bons olhos a nomeação de um diretor judeu para o museu, que recebe financiamento do governo federal alemão.

Em abril, o conselho do museu havia prorrogado o contrato de Schäfer até 2020. Ele comandava a instituição desde 2014. No texto que anunciou a saída de Schäfer, o museu informou ainda que o diretor-executivo Martin Michaelis vai comandar interinamente a instituição até que um sucessor seja escolhido.

JPS/dpa/ots

______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube 
WhatsApp | App | Instagram | Newsletter

Leia mais