Dilma usa Assembleia da ONU para atacar EUA por espionagem | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 24.09.2013
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Dilma usa Assembleia da ONU para atacar EUA por espionagem

Presidente evita menção direta a americanos, mas usa grande parte de seu discurso para condenar e repudiar política de inteligência de Washington. A internet, afirmou, não pode ser "campo de batalha entre Estados".

default

Dilma Rousseff abriu a sessão da 68ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York

A presidente Dilma Rousseff criticou de forma rígida o programa de espionagem americano em discurso, nesta terça-feira (24/09), na abertura da 68ª Assembleia Geral da ONU em Nova York. Em sua intervenção, Dilma disse que o combate ao terrorismo – alegação usada por Washington – não serve como justificativa para espionar cidadãos de outros países.

O discurso na ONU é realizado uma semana depois de a presidente cancelar a visita de Estado que faria a Washington em 23 de outubro, que agravou o mal-estar com o governo Barack Obama. Nesta terça-feira, Dilma falou em "violação dos direitos humanos" e destacou que não apenas cidadãos foram alvo da espionagem, mas também ela mesma, o corpo diplomático brasileiro e a Petrobras.

"O Brasil sabe se proteger. Repudia, combate e não abriga terroristas", disse Dilma num discurso em que evitou referência nominal aos EUA. "Somos um país democrático rodeado de países democráticos. Sem respeito à soberania não pode haver relações adequadas entre os países."

Obama se defende

Em clara referência às atividades levadas a cabo pelos EUA, a presidente disse que uma soberania não pode se firmar em detrimento de outra: "Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos fundamentais dos cidadãos de outro país."

Dilma abordou o assunto logo nos primeiros minutos de seu discurso e, em nenhum momento, escondeu sua indignação com as ações americanas. Ela pediu que a ONU desempenhe um papel de liderança no esforço de regular o comportamento dos EUA e disse que a internet não pode ser "um novo campo de batalha entre os Estados."

G20 Gipfel Russland Sankt Petersburg Barack Obama und Dilma Rousseff

Dilma e Obama conversam na cúpula do G20, mas mesmo assim presidente cancelou ida aos EUA

“Não podemos permitir que ações ilegais recorrentes sejam tidas como normais”, frisou a presidente.

Dilma foi seguida na tribuna por Obama, que fez referência breve e sem menção direta à questão da espionagem. "Nós começamos a rever a forma como organizamos a inteligência, de modo a alcançar um balanço adequado entre a preocupação do nossos cidadãos e nossos aliados", afirmou o presidente americano.

Contra intervenção na Síria

No discurso, a presidente Dilma voltou a se posicionar contra uma intervenção militar na Síria e criticou a disposição dos EUA e de seus aliados de agir sem o apoio do Conselho de Segurança da ONU. “O abandono do multilateralismo é o prenúncio de guerras.”

Ela considerou, ainda, preocupante a polarização observada no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Dilma pediu, com urgência, uma reforma do organismo até 2015 com a inclusão de novos membros permanentes, o que, segundo ela, “permitirá sanar o atual déficit de representatividade e legitimidade do conselho”.

Para a presidente, é preocupante a limitada representação do Conselho de Segurança da ONU face aos novos desafios do século 21. Exemplos disso, afirmou, são "a grande dificuldade" de oferecer solução para o conflito sírio e a "paralisia" no tratamento da questão entre israelenses e palestinos.

A presidente aproveitou para falar sobre a onda de protestos que levou milhões de brasileiros às ruas, em junho do ano passado. Ela afirmou que o governo não reprimiu as manifestações, porque também veio das ruas.

O Brasil realiza o discurso de abertura da reunião anual desde 1947, por ter sido um dos primeiros países-membros a se associarem às Nações Unidas, em 1945.

Leia mais