Desconfiança impede Enem de se firmar como alternativa plena ao vestibular | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 31.10.2013
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Brasil

Desconfiança impede Enem de se firmar como alternativa plena ao vestibular

Exame é cada vez mais aceito, mas provas não tão completas como o vestibular, realização apenas anual e incerteza em relação à segurança ainda levam universidades a preferirem realizar seus próprios processos.

Criado para avaliar o desempenho de alunos, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) acabou se tornando, em alguns casos, passaporte para entrar no Ensino Superior. Porém, embora aceita cada vez mais, a prova ainda enfrenta resistência por parte de algumas universidades – que preferem controlar elas mesmas seus processos seletivos – e ainda não se consolidou como alternativa universal ao vestibular.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é uma das federais que utiliza o Enem como prova de seleção. Em 2013, a instituição foi a mais procurada pelos participantes do exame – foram quase 125 mil inscrições para as mais de 3 mil vagas do segundo semestre deste ano.

Segundo a pró-reitora de graduação da UFRJ, Angela Rocha dos Santos, a universidade optou pelo Enem para democratizar o acesso e também para se tornar uma instituição nacional, atraindo estudantes de todo o país. Desde 2012, todos os calouros são selecionados por essa nota. "A nossa instituição ampliou o público alvo. Quando você amplia o universo, acaba selecionando os melhores", afirma.

Nacional e única

Para a pró-reitora, a grande vantagem do Enem é seu caráter nacional, além de ser uma prova única que substitui vários vestibulares. Esses aspectos, afirma, contribuem para diminuir o desgaste sofrido por candidatos, que precisavam fazer vários vestibulares por ano, além de possibilitar a inscrição em instituições de todo o país.

"Esse exame mudou o perfil de distribuição geográfica dentro da UFRJ. Em 2010, apenas 1% dos nossos alunos era de fora do estado do Rio de Janeiro, hoje essa parcela subiu para 20%", conta.

Mas, para a pró-reitora, o exame ainda não é perfeito, apesar de já possuir um bom nível. Ela espera que, com uma maior participação das universidades no processo de elaboração das provas, a qualidade aumente.

Para o assessor pedagógico da Editora Positivo, Robson Luiz Rodrigues de Lima, a qualidade do exame é boa. "Ele possibilita a avaliação de uma série de habilidades cognitivas e a aplicação prática de diversos conceitos costumeiramente aprendidos em sala de aula", diz.

Ensino em perigo

Além de facilitar o processo de ingresso no Ensino Superior para os estudantes, a adoção do Enem significa, para as universidades, economia nas despesas com a realização dos vestibulares. Mas, apesar das vantagens, algumas instituições ainda não pretendem alterar seu modelo de seleção.

Brasilien Abschlussprüfung ENEM Oktober 2013

Mais de 5 milhões fizeram as provas do Enem neste ano

Provas não tão completas como o vestibular de algumas universidades, sua realização apenas anual, a demora para saída dos resultados e a desconfiança com relação à segurança do processo são alguns dos fatores que pesam nessa decisão. Em 2009, o MEC cancelou o exame uma semana antes da realização das provas, após confirmar o seu vazamento. Em 2011, novamente algumas questões foram vazadas.

As grandes de São Paulo, como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), optaram por manter os seus vestibulares. Segundo o coordenador-executivo da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp, Edmundo Capelas, a instituição ainda não pretende substituir a sua prova pelo exame do MEC. "Hoje, isso descaracterizaria o nosso vestibular, pois não teríamos o controle total dos estudantes que entrariam na Unicamp", afirma.

Para o professor Renato Pedrosa, do Instituto de Geociências da Unicamp, o maior problema de estabelecer o Enem como prova única e universal de acesso ao ensino superior é o peso que esse exame assumiria em relação ao currículo escolar.

"Se tiver só o Enem como prova seletiva para o ensino superior, em certo sentido, ele vai determinar o que vai ser feito no ensino médio. Hoje, em alguns lugares, o ensino médio está se tornando em um treinamento para o Enem. Essa crítica já era feita aos vestibulares, mas como ele era de vários tipos o efeito era menor do que está sendo agora", afirma Pedrosa.

Recorde de inscritos

Em 2013, a prova, criada em 1998, bateu recorde de inscrições, com mais de 7 milhões de candidatos do país inteiro. Dos inscritos, cerca de 5 milhões fizeram as provas no último fim de semana. A grande maioria vai usar a nota do Enem para tentar uma vaga no Ensino Superior.

Atualmente, a nota do Enem é adotada para preencher as vagas em cursos de 21 universidades federais, 29 institutos federais e quatro estaduais. Segundo o Ministério da Educação, outras dez universidades federais e duas estaduais também adotarão o sistema em 2014.

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