Deputado alemão diz que Brasil é mais perigoso que a Síria | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 19.03.2018
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Alemanha

Deputado alemão diz que Brasil é mais perigoso que a Síria

Parlamentar de partido populista de direita faz declaração após viagem polêmica a Damasco. AfD quer que país em guerra seja considerado seguro pelo governo alemão.

Grão-mufti da Síria ao lado do deputado da AfD Christian Blex durante encontro em Damasco

Grão-mufti da Síria ao lado do deputado da AfD Christian Blex durante encontro em Damasco

O deputado alemão Christian Blex, do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), afirmou nesta segunda-feira (19/03) que considera o Brasil mais perigoso que a Síria. A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva, na qual parlamentares da legenda apresentaram impressões de sua controversa viagem à Síria.

"Eu me senti seguro em Damasco, Homs e Aleppo", afirmou Blex. "No Brasil, me sinto extremamente inseguro", acrescentou o deputado, que disse ir ao Brasil com frequência por motivos profissionais.

No início de março, um grupo de seis deputados da AfD viajaram para Damasco, onde se encontraram com o grão-mufti da Síria e representantes do governo do presidente Bashar al-Assad. Os integrantes da delegação da AfD disseram que, com a viagem, pretendiam se informar sobre as condições locais para o retorno dos refugiados sírios que estão na Alemanha. 

Durante a entrevista coletiva, os seis deputados do AfD afirmaram que a Síria pode ser considerada um país seguro e que refugiados sírios deveriam ser enviados de volta ao país.

Blex disse que o grupo não se reuniu com opositores do regime, mas reconheceu que ainda há "regiões de conflito" na Síria. O parlamentar destacou, porém, que viu várias áreas que não foram destruídas.

Já o porta-voz da bancada da AfD no Parlamento, Armin-Paulus Hampel, sugeriu que a Alemanha ou a União Europeia influenciassem o regime de Assad para evitar a prisão de refugiados críticos ao governo após o retorno à Síria. "Destinar recursos financeiros seria um argumento persuasivo”, ressaltou.

A viagem do grupo foi duramente criticada pelo governo alemão e pelos demais partidos políticos da Alemanha. "O regime sírio mostra todos os dias seu desrespeito aos direitos humanos", afirmou o porta-voz da chanceler federal Angela Merkel, Steffen Seibert. "Quem corteja esse regime desqualifica a si mesmo."

O governo alemão desaconselha expressamente viagens à Síria e pede aos alemães que ainda estejam no país que o deixem o quanto antes. Segundo o Ministério do Exterior, não há como garantir a segurança pessoal e não há atendimento consular no país. A embaixada em Damasco está fechada.

O conflito na Síria já dura sete anos. Mais de 353 mil pessoas morreram desde o início da guerra civil, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

CN/dpa/afp/ots

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