Decisão de Cunha acirra disputa política | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 03.12.2015
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Brasil

Decisão de Cunha acirra disputa política

Partidos do governo afirmam que abertura de processo é retaliação por apoio à cassação de Cunha, mas, ao mesmo tempo, encerra chantagem de deputado. Oposição comemora decisão e aproveita para pressionar por impeachment.

As reações à autorização do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ao pedido de abertura de um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff dividiu políticos nesta quarta-feira (02/12).

O deputado do PDT Miro Teixeira afirmou que a decisão acabou com o impasse sobre o futuro do governo. "Há esse lado positivo de se resolver, de uma vez por todas, esse impasse entre o mandato da presidente e o processo do Eduardo Cunha no Conselho de Ética", ressaltou.

Para o líder do PT no Senado, Humberto Costa, a decisão foi uma retaliação clara ao anúncio dos petistas de que iriam votar a favor da cassação de Cunha no Conselho de Ética, mas, por outro lado, ela encerra a pressão que havia sobre esse processo.

"Aparentemente havia uma tentativa de que o PT viesse a proteger quem quer seja e aí acho que a decisão da bancada pelo menos elimina com essa pressão. Cada cidadão brasileiro tem condição de fazer essa avaliação. Acho que foi uma retaliação e é algo muito pequeno para alguém que tem uma função tão importante para o país", afirmou Costa, ressaltando que, depois da decisão, o Congresso aprovou duas medidas importantes para o governo.

O deputado Jarbas Vasconcelos, do PMDB , mesmo partido de Cunha, afirmou que a decisão não é uma tentativa de chantagem. "Ele é um chantagista cínico. Não tem a menor condição de comandar um processo como esse", disse.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani, afirmou que Cunha cometeu um equívoco ao misturar o impeachment com um "conflito político" e ressaltou que não há motivo jurídico para o afastamento da presidente.

Já o líder da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues, defendeu que Cunha não tem legitimidade para comandar esse procedimento. "Um processo contra a presidente da República não pode ser conduzido por alguém que é praticamente réu no Supremo Tribunal Federal", acrescentou.

Tentativa de mobilização

A oposição, além de comemorar a decisão, aproveitou a situação para tentar mobilizar a população para impulsionar o impeachment de Dilma.

O presidente do PSDB, o senador Aécio Neves, afirmou ao jornal O Globo que prevê grandes mobilizações populares. "O estopim foi aceso. Apoiamos o impeachment, que não é golpe, está previsto na Constituição e a peça que encaminhamos através dos juristas tem elementos muito consistentes para que a presidente Dilma seja processada", disse.

Para o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado, a situação impactará o país economicamente e politicamente nos próximos dias. "Haverá uma paralisia generalizada com recessão e mais demissões, ninguém sabe direito em que dimensões. Passado o pânico, o segundo momento será de recuperação da perspectiva do Brasil apresentar um plano de recuperação com Dilma fora", alegou.

O presidente do PPS, Roberto Freire, ressaltou que, apesar do impeachment, o Conselho de Ética, o qual deve votar o processo de cassação de Cunha, continuará funcionando. Freie também aproveitou a ocasião para tentar incitar a população. "A maior responsabilidade agora é do povo na rua. Que a cidadania se mobilize e faça sua parte", disse.

CN/abr/ots

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