Dívidas públicas ameaçam estabilidade financeira mundial, avalia FMI | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 20.04.2010
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Economia

Dívidas públicas ameaçam estabilidade financeira mundial, avalia FMI

Enquanto os riscos para o sistema financeiro diminuíram, situação das finanças estatais é motivo de crescente preocupação. Isso é o que aponta o relatório anual do FMI sobre a estabilidade do sistema financeiro global.

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Sistema financeiro ainda corre risco, diz FMI

Após a crise mais grave das últimas décadas, o sistema financeiro mundial está a caminho da recuperação. Em seu novo relatório sobre a estabilidade financeira mundial, apresentado nesta terça-feira (20/04), o Fundo Monetário Internacional (FMI) salientou que "os riscos para a estabilidade financeira global diminuíram no decorrer de um processo acelerado de recuperação da economia".

Segundo o FMI, as perdas globais do sistema financeiro devido à crise somam 2,3 trilhões de dólares (1,7 trilhão de euros). Dessa soma, segundo estimativas do Fundo, os bancos amortizaram somente 1,5 bilhão de euros.

Os riscos e obrigações no cenário financeiro global ainda são preocupantes. Devido às novas regulamentações e mudanças no setor, muitas instituições de crédito têm que repensar completamente suas estratégias de negócios, explica o FMI.

Nessas condições, a concessão de empréstimos a pessoas físicas deverá ficar mais difícil. Além disso, a elevação maciça da demanda de crédito pelo Estado deverá pressionar os juros para cima.

Endividamento estatal

Enquanto os riscos diminuíram para o sistema financeiro, o relatório apontou que a situação das finanças estatais é motivo de crescente preocupação. A crise de crédito poderia "entrar em uma nova fase", caso o endividamento público venha a elevar os juros, constatou o relatório.

Segundo o FMI, a montanha de dívidas dos países ricos ameaça a incipiente recuperação conjuntural. Outro problema é que uma série de países emergentes registra elevados fluxos de capital, através do comércio de ações, entre outros. Isso implica ameaças à estabilidade, como inflação elevada ou possíveis bolhas nos mercados de investimento, disse o FMI.

Bancos alemães

O relatório apontou que, em comparação com instituições financeiras de outros países, os bancos alemães já finalizaram a maior parte da carga de amortizações da crise financeira. O FMI calcula que as perdas alemãs provenientes de empréstimos e securitizações, entre 2007 e 2010, giram em torno de 314 bilhões a 338 bilhões de dólares.

O FMI informou que, até o final do ano passado, os bancos alemães já haviam amortizado 261 bilhões de dólares, ou seja, cerca de 80% do total. Mundialmente, essa média é de somente 65%.

Falências e orçamentos

Para evitar o problema da falência de instituições financeiras, algo que ameaça o sistema financeiro, o FMI defende, além de maior autoridade e novas estruturas de controle, outros instrumentos de observação do mercado financeiro, como depósitos de capital nos bancos ou até mesmo limite de volume para negócios arriscados.

O FMI apela ainda por uma consolidação a médio prazo dos orçamentos estatais, um novo processo regulado de amortização de dívidas no sistema financeiro e a finalização consequente e rápida de reformas com vista a maior transparência e robustez.

CA/dpa/rtr/afp

Revisão: Simone Lopes

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