1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
Duas profissionais da saúde com luvas, máscaras, toucas e óculos de proteção observam um paciente em um leito. Uma delas está de costas.
Para OMS, todos os profissionais de saúde já estariam vacinados se distribuição das doses fosse mais igualitáriaFoto: Patricio Murphy/ZUMAPRESS/picture alliance
SaúdeGlobal

Covid-19 matou 115 mil profissionais de saúde, estima OMS

24 de maio de 2021

Ao abrir assembleia anual, chefe da entidade critica ainda a concentração de 75% das vacinas contra o coronavírus em nações ricas, enquanto em muitos países pobres médicos e enfermeiros não foram vacinados.

https://www.dw.com/pt-br/covid-19-matou-115-mil-profissionais-de-sa%C3%BAde-no-mundo-estima-oms/a-57648381?maca=bra-rss-br-all-1030-rdf

Pelo menos 115.000 profissionais da saúde morreram devido à covid-19 em todo o mundo desde o início da pandemia, estimou nesta segunda-feira (24/05) a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Muitos foram infectados e, embora os relatórios sejam escassos, estimamos que pelo menos 115.000 profissionais de saúde pagaram o preço final servindo aos outros", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no início da assembleia anual da entidade, que engloba 194 países.

Tedros afirmou que não pediria um minuto de silêncio às vítimas, mas, em vez disso, convocou as poucas dezenas de pessoas presentes na sala com ele, bem como todos aqueles que assistem à assembleia virtualmente em capitais de todo o mundo, a agradecerem com salvas de palmas aos milhões de profissionais de saúde do planeta.

Em seu discurso, Tedros ainda criticou os países ricos por comprarem a maior parte das vacinas disponíveis. Segundo ele, 75% das doses estão concentradas em apenas dez países, enquanto em muitas outras nações mais pobres milhões de profissionais de saúde ainda não foram vacinados.

"O número de doses administradas globalmente até agora teria sido suficiente para cobrir todos os profissionais de saúde e idosos se tivessem sido distribuídas de forma equitativa", afirmou.

O chefe da OMS lamentou que os países que começaram a vacinar crianças e pessoas de baixo risco estejam fazendo isso "às custas dos trabalhadores de saúde e pessoas vulneráveis ​​em outros países".

Tedros também disse que muitos médicos se sentiram "frustrados, desamparados e desprotegidos, com a falta de acesso a equipamentos de proteção individual e vacinas".

Ele apelou aos países mais ricos que abram mão de suas doses e pediu às autoridades de saúde que garantam que pelo menos 10% das pessoas em todo o mundo sejam vacinadas até setembro, e 30% até o final do ano.

O diretor-geral destacou que o programa Covax Facility, com o qual a OMS e outras organizações tentam dar acesso mais igualitário às vacinas, já distribuiu 72 milhões de doses em 125 países.

"No entanto, essas doses só foram suficientes para imunizar cerca de 1% da população desses países", esclareceu Tedros.

Tedros também alertou que, embora haja uma terceira semana consecutiva de queda de casos, a situação mundial é muito frágil e nenhum país pode dizer que está seguro.

"O vírus está mudando constantemente, e isso pode tornar as ferramentas que temos ineficazes. Devemos deixar claro que a pandemia não terminou e não terminará até que a transmissão esteja sob controle em todos os países", acrescentou.

Apesar disso, ele garantiu que, até o momento, nenhuma das variantes do coronavírus comprometeu as vacinas já existentes.

Segundo Tedros, no ritmo atual, em três semanas as mortes ocorridas apenas neste ano ultrapassarão todas as registradas em 2020. Os contágios desde o início de 2021 já superam os registrados no primeiro ano da pandemia.

Merkel: "Esta pandemia não será a última"

Em uma mensagem de vídeo transmitida na assembleia, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, emitiu um alerta sobre futuras pandemias, dizendo às autoridades que a comunidade científica precisava estar mais bem preparada.

"Esta pandemia ainda não foi superada e não será a última", disse Merkel.

Ela pediu um tratado internacional que permita uma colaboração mais fácil entre os países e um sistema de alerta mais rápido para impedir uma eventual próxima pandemia.

Ao todo, mais de 167 milhões de pessoas contraíram o coronavírus no mundo, e 3,46 milhões morreram em decorrência da doença desde o início da pandemia, segundo números oficiais contabilizados pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

le (AFP, DPA)