Coronavírus supera mortes causadas pela Sars na China | Notícias internacionais e análises | DW | 03.02.2020
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Mundo

Coronavírus supera mortes causadas pela Sars na China

Mortes pelo surto do novo coronavírus na China sobem para 361 e passam número de falecimentos devido à Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), em 2002. Vírus derruba mercado chinês em reabertura após feriado.

Funcionário com máscara sobre nariz e boca empunha termômetro para checar a temperatura corporal de uma fila de passageiros na estação de trem de Jinan, no oeste da China. Os passageiros também usam máscaras.

Funcionário confere temperatura corporal de passageiros na estação de trem de Jinan, no oeste da China

O número confirmado de mortes pelo surto do novo coronavírus subiu para 361 nesta segunda-feira (03/02) e superou as mortes causadas pela epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), em 2002-2003, que provocou 349 mortes na China continental. O número de infecções na China também aumentou significamente na segunda-feira, passando para mais de 17.200. 

As 57 novas mortes confirmadas representam o maior aumento desde que o vírus foi detectado no final de 2019 na cidade chinesa de Wuhan, onde se acredita que o coronavírus tenha sido transmitido de animais para humanos em um mercado.

Desde então, o vírus se espalhou para mais de 24 países, apesar de muitos governos imporem proibições de viagem a pessoas vindas da China. O Japão lidera com 20 casos, e a Tailândia, com 19.

Na Europa, o vírus infectou dez pessoas na Alemanha, seis na França, além de duas no Reino Unido, Rússia e Itália cada. Na Suécia, Finlândia e Espanha tiveram um caso cada um.

O Ministério da Saúde do Brasil disse neste domingo que o país segue com 16 casos suspeitos. Metade dos pacientes está em São Paulo. Há suspeitas também no Rio Grande do Sul (4), Santa Catarina (2), Ceará (1) e Paraná (1). 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou emergência de saúde global, e a primeira morte fora da China foi registrada neste domingo nas Filipinas: um homem de 44 anos de Wuhan que viajou para as Filipinas via Hong Kong.

Por outro lado, o diretor- da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse em Genebra que proibições de viagens são desnecessárias. "Não há motivo para medidas que interfiram desnecessariamente com viagens e comércio internacional", afirmou Ghebreyesus. "Pedimos a todos os países que implementem decisões consistentes e baseadas em evidências."

Nesta segunda, a porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Hua Chunying, disse a repórteres que os Estados Unidos "fabricaram e espalharam pânico", contrariando assim recomendações da OMS. O pânico, segundo a China, seria causado pelo fato de os EUA retirarem seus cidadãos do país asiático e restringir viagens, em vez de oferecer auxílio significativo.

Imagem aérea mostra hospital com capacidade de mil leitos construído em dez dias em Wuhan, na província central de Hubei. Unidade foi feita para lidar com surto do novo coronavírus. Edifício é composto por módulos brancos, vê-se os dutos de ventilação no teto e restos de material de construção nas laterais do hospital. Ruas adjacentes são pavimentadas com cimento, engenheiros circulam sobre elas.

China construiu um hospital com mil leitos em dez dias em Wuhan para lidar com a crise de coronavírus

Na China, todas as novas 57 mortes, exceto uma, foram registradas nesta segunda-feira em Wuhan e no resto da província central de Hubei. A maior parte da região está sob quarentena há quase duas semanas para impedir que as pessoas saiam e transmitam o vírus.

A SARS, causada por um patógeno (ou causador de doenças) semelhante ao novo coronavírus e também originário da China, matou 774 pessoas – com a maioria das mortes ocorrida em Hong Kong.

O vírus também está gerando um impacto econômico cada vez mais pesado, fechando negócios em toda a China, encerrando as linhas de produção de grandes empresas e restringindo viagens internacionais.

No primeiro pregão desde 23 de janeiro, as ações na Bolsa de Xangai despencaram quase 9% na manhã desta segunda-feira pouco após o início da sessão por causa dos desdobramentos do surto de coronavírus, com os investidores voltando do feriado do Ano Novo Lunar, que foi prolongado para impedir que as pessoas viajassem pela China. A bolsa de Shenzhen também reabriu em queda de 9%.

Escolas e universidades fechadas

Em Wuhan, que se transformou de um movimentado centro industrial em uma cidade quase fantasma, os serviços de saúde estão sobrecarregados e o governo está correndo para construir dois novos hospitais em prazos extraordinariamente rápidos.

O primeiro deles, uma instalação para mil leitos, receberá pacientes a partir desta segunda, apenas dez dias após o início da construção. Cerca de 1.400 médicos militares atenderão os pacientes no hospital, de acordo com a mídia estatal. A construção de um segundo hospital com 1.500 leitos está em andamento.

No entanto, com o número de mortos aumentando em Wuhan e em outros lugares da província de Hubei, não ficou imediatamente claro qual será o impacto sobre esses hospitais com o vírus se espalhando em outros locais

A cidade industrial de Wenzhou, no leste do país, foi colocada no domingo sob um bloqueio semelhante ao de Wuhan.

As estradas de Wenzhou, localizada a cerca de 700 quilômetros de Wuhan, foram fechadas e seus 9 milhões de moradores receberam ordens para ficar em casa. Somente um residente por família em Wenzhou pode sair de casa a cada dois dias para comprar artigos de primeira necessidade, anunciaram as autoridades.

Wenzhou se se une às 14 cidades da província de Hubei que permanecem bloqueadas em meio a um número crescente de mortes.

O surgimento do vírus coincidiu com o Ano Novo Lunar, quando centenas de milhões de chineses viajam pelo país para reuniões familiares. O feriado, originalmente programado para terminar na última sexta-feira, foi prolongado por três dias para dar às autoridades mais tempo para lidar com a crise.

Mas algumas grandes cidades, incluindo Xangai, prorrogaram o feriado novamente, e muitas escolas e universidades atrasaram o reinício de suas atividades.

Os países do G7 – Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e EUA – já registraram casos da doença em seus territórios. Eles irão discutir uma resposta conjunta, afirmou o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, neste domingo.

EUA, Austrália, Nova Zelândia e Israel proibiram a visita de estrangeiros se eles estiveram recentemente na China e também alertaram seus cidadãos a não realizarem viagens para o território chinês. Mongólia, Rússia e Nepal fecharam suas fronteiras terrestres.

FC/afp/rtr/dpa/ap

______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube 
App | Instagram | Newsletter

Leia mais