Coreias reforçam compromisso com desnuclearização | Notícias internacionais e análises | DW | 19.09.2018

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Ásia

Coreias reforçam compromisso com desnuclearização

Em nova cúpula bilateral, Kim anuncia fechamento de instalações nucleares e de mísseis. Líderes afirmam concordar em transformar península em "terra de paz". Trump elogia novas promessas.

Moon Jae-in e Kim Jong-un exibem declaração conjunta assinada em Pyongyang

Moon e Kim exibem declaração conjunta assinada em Pyongyang

O governo da Coreia do Norte afirmou nesta quarta-feira (19/09) que vai desativar instalações-chave para testes de mísseis na presença de especialistas internacionais e que está disposto a desmantelar o complexo de Yongbyon – epicentro do programa nuclear do país – se os Estados Unidos adotarem "medidas recíprocas".

Numa entrevista concedida durante uma cúpula entre as duas Coreias, em Pyongyang, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, afirmaram terem concordado em transformar a Península Coreana numa "terra de paz e sem armas nucleares".

Numa declaração conjunta assinada por Kim e Moon, ambos enfatizam a importância de "conseguir progressos reais o mais rapidamente possível" no campo da desnuclearização.

Kim também anunciou que fará uma histórica visita a Seul num futuro próximo. A visita seria a primeira de um líder norte-coreano à capital do Sul desde o fim da Guerra da Coreia, ocorrida entre 1950 e 1953. O conflito terminou com um armistício, e não com um acordo de paz.

Kim se tornou o primeiro líder da Coreia do Norte a pisar em solo sul-coreano ao participar da primeira cúpula com Moon, em abril, na fronteira entre os dois países, tecnicamente ainda em guerra, pois nunca houve um armistício.

As conversas atuais em Pyongyang, no âmbito da terceira cúpula entre Moon e Kim neste ano, sinalizaram uma reaproximação crescente. Ambos os líderes concordaram em realizar regularmente encontros entre famílias separadas pela Guerra da Coreia, trabalhar para conectar estradas e ferrovias entre os dois países e cooperar numa candidatura conjunta para sediar os Jogos Olímpicos de 2032.

Moon afirmou que ambas as Coreias também se comprometeram a estabelecer um comitê militar conjunto para avaliar como reduzir as tensões bilaterais e manter a comunicação para afastar crises. Segundo o presidente sul-coreano, o comitê é parte de um compromisso de eliminar qualquer ameaça que possa levar a uma guerra na Península Coreana.

Novo encontro entre Kim e Trump?

As promessas feitas na cúpula entre Moon e Kim podem impulsionar as travadas negociações entre Washington e Pyongyang e estabelecer as bases para um novo encontro entre o líder norte-coreano e o presidente americano, Donald Trump.

Em suas duas reuniões com Moon neste ano e numa histórica cúpula com Trump em Cingapura, realizada em junho, Kim prometeu trabalhar rumo à completa desnuclearização da Península Coreana.

No entanto, as discussões sobre como implementar as vagas promessas estagnaram desde então. Washington exige uma ação concreta rumo à desnuclearização antes de concordar com objetivos-chave de Pyongyang: declarar o fim oficial da Guerra da Coreia e aliviar duras sanções internacionais impostas ao regime norte-coreano devido a seu programa nuclear e de mísseis.

Trump classificou as novas promessas do líder da Coreia do Norte de animadoras. "Kim Jong-un concordou em permitir inspeções nucleares, sujeitas a negociações finais, e a desmantelar permanentemente o local de testes e a plataforma de lançamento na presença de especialistas internacionais. Nesse meio tempo, não haverá testes de mísseis ou nucelares", escreveu o presidente no Twitter.

Na semana passada, Kim enviou uma carta a Trump sugerindo uma segunda cúpula entre os dois – que, se concretizada, pode representar uma nova oportunidade para dar forma real ao processo de desnuclearização. A Casa Branca afirmou estar planejando o encontro.

LPF/rtr/afp/ap/efe

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