1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
Leis e JustiçaCoreia do Sul

Coreia do Sul concede perdão à ex-presidente Park Geun-hye

24 de dezembro de 2021

Em meio a acirrada corrida presidencial, líder sul-coreano anuncia indulto a sua adversária e antecessora. Primeira chefe de Estado mulher do país, Park está presa desde 2017, cumprindo pena de 20 anos por corrupção.

https://p.dw.com/p/44nrQ
Park Geun-hye, ex-presidente sul-coreana
Park sofreu impeachment em 2016 e foi presa no ano seguinteFoto: Ahn Young-Joon/AP Photo/picture alliance

Em meio a uma corrida presidencial acirrada na Coreia do Sul, o presidente do país, Moon Jae-in, anunciou que vai perdoar sua adversária e antecessora no cargo, a ex-presidente conservadora Park Geun-hye, que cumpre uma longa pena de prisão por corrupção e outros crimes.

Park, de 69 anos, se tornou a primeira mulher presidente sul-coreana em 2013, mas menos de quatro anos depois seria o primeiro líder do país a sofrer um impeachment durante o período democrático, em meio a um escândalo que também levou o chefe da Samsung à prisão.

A ex-presidente cumpre uma pena de 20 anos de prisão por suborno e abuso de poder, além de mais dois anos por violações da lei eleitoral.

O governo liberal de Moon afirmou nesta sexta-feira (23/12) que o perdão a Park visa superar divisões passadas e promover a unidade nacional em meio às dificuldades causadas pela pandemia.

Alguns analistas dizem, contudo, que o presidente sul-coreano estaria tentando aliviar um fardo decorrente dos problemas de saúde de Park, ou mesmo usá-la para dividir a oposição antes das eleições presidenciais de março no país.

"Devemos entrar em uma nova era superando as dores do passado. É hora de reunir com ousadia todas as nossas forças para o futuro, em vez de lutar um contra o outro e se preocupar com o passado", afirmou Moon em declarações divulgadas por seu escritório.

"No caso da ex-presidente Park, consideramos o fato de que suas condições de saúde se deterioraram muito após cumprir quase cinco anos na prisão", acrescentou.

O Ministério da Justiça sul-coreano informou que Park está entre 3.094 pessoas que receberão perdão no próximo dia 31 de dezembro.

A ex-presidente está sendo tratada em um hospital civil desde o mês passado, e será libertada da pena de lá mesmo, disse o ministério.

Autoridades têm se recusado a detalhar as condições de saúde de Park, mas a imprensa local afirma que ela vem sofrendo de uma hérnia de disco lombar, uma lesão no ombro e problemas dentários, além de intenso estresse mental.

Em declarações divulgadas pelo advogado Yoo Young-ha, Park agradeceu a Moon pelo perdão e disse que vai focar em tratar seus problemas de saúde. Ela afirmou ainda que planeja saudar o povo sul-coreano em breve.

"Rainha das eleições"

Park, filha do ditador Park Chung-hee, assassinado em 1979, já foi a queridinha dos conservadores na Coreia do Sul. Apelidada pela mídia local como "a rainha das eleições", ela venceu o pleito presidencial do país no final de 2012, derrotando Moon por um milhão de votos.

Park foi impulsionada por conservadores que celebram seu pai como um herói que tirou o país da pobreza do pós-guerra, apesar de sua enorme supressão dos direitos civis.

A então chefe de Estado foi cassada pelos parlamentares sul-coreanos em 2016, sendo formalmente removida do cargo e presa no ano seguinte em meio a um escândalo explosivo de corrupção que gerou meses de intensos protestos nas ruas do país.

Em janeiro deste ano, a Suprema Corte da Coreia do Sul confirmou a sentença de 20 anos de prisão para Park. Se não fosse perdoada, ela poderia ter que ficar 22 anos atrás das grades, já que foi condenada em outro processo por interferir nas nomeações de seu partido antes das eleições parlamentares de 2016.

Park tem se descrito como uma vítima de vingança política. Ela se recusou a comparecer a seus julgamentos desde outubro de 2017.

Entre as principais acusações contra ela estaria um conluio com uma amiga de longa data, Choi Soon-sil, para embolsar milhões de dólares em subornos e extorsão de alguns dos maiores grupos empresariais do país, incluindo a Samsung, enquanto ela estava no cargo.

Eleições em 2022

Após o impeachment, a ex-presidente foi sucedida por Moon, que venceu sem dificuldades uma eleição presidencial especial enquanto os conservadores de Park estavam desorientados em meio a uma feroz rixa interna sobre a cassação dela.

O mandato de cinco anos de Moon termina em maio de 2022, após as eleições de março. Pesquisas de opinião recentes mostram uma disputa acirrada entre os candidatos do partido governista e da oposição conservadora.

Não ficou imediatamente claro como a libertação de Park pode afetar o sentimento dos eleitores. O perdão poderia causar uma reação dos liberais, mas alguns analistas dizem que também pode reacender uma divisão no campo da oposição.

Líderes na mira da Justiça

Quase todos os ex-presidentes da Coreia do Sul – ou membros de sua família ou amigos próximos – estiveram na mira de escândalos perto do fim de seu mandato ou após deixarem o poder.

O pai de Park foi assassinado por seu chefe de espionagem em 1979 após governar o país por 18 anos. O ex-presidente liberal Roh Moo-hyun, amigo de Moon, se suicidou em 2009 em meio a investigações de corrupção envolvendo sua família.

Outros dois ex-presidentes, Chun Doo-hwan e Roh Tae-woo, cumpriram pena na prisão, mas foram depois perdoados. Ambos morreram neste ano.

O predecessor conservador de Park, Lee Myung-bak, também está preso, cumprindo uma sentença de 17 anos por acusações de corrupção.

ek (AP, Reuters, AFP)