Coreia do Norte testa novos mísseis de longo alcance | Notícias internacionais e análises | DW | 13.09.2021

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Mundo

Coreia do Norte testa novos mísseis de longo alcance

Imprensa oficial afirma que projéteis de cruzeiro são capazes de atingir alvos a 1.500 quilômetros de distância. Japão afirma que mísseis com tal alcance representam uma "séria ameaça à paz".

Imagens de testes do novo míssil divulgadas pela agência estatal norte-coreana KCNA

Imagens dos testes do novo míssil divulgadas pela agência estatal KCNA

A Coreia do Norte testou com sucesso no fim de semana um novo tipo de míssil de cruzeiro de longo alcance, informou nesta segunda-feira (13/09) a imprensa oficial do país. Os testes são os primeiros realizados por Pyogyang em meses, em meio um impasse nas negociações com os EUA sobre a desnuclearização norte-coreana.

Segundo analistas, o míssil representa um avanço na tecnologia de armamentos norte-coreana, tornando-a mais capaz de driblar sistemas de defesa para atingir a Coreia do Sul ou o Japão, ambos aliados dos Estados Unidos.

O que disse a Coreia do Norte sobre os mísseis?

Imagens divulgadas pela agência de notícias estatal KCNA mostram um míssil saindo de um de cinco tubos num veículo de lançamento e um míssil numa trajetória horizontal.

Os testes ocorreram no sábado e no domingo, segundo a KCNA. O novo tipo de míssil percorreu 1.500 quilômetros em trajetos de duas horas sobre a Coreia do Norte e suas águas territoriais até atingir alvos, relatou a agência.

A KCNA definiu o novo tipo de míssil como "uma arma estratégica de grande importância", acrescentando que os testes foram bem-sucedidos e que o país ganhou um "novo meio eficaz de dissuasão” contra "forças hostis”. O projétil teria levado dois anos para ser desenvolvido.

Quais foram as reações internacionais?

As Forças Armadas sul-coreanas, normalmente a primeira fonte de informação sobre testes de mísseis conduzidos pela Coreia do Norte, não relatou lançamentos ocorridos no fim de semana. No entanto, o Estado Maior da Coreia do Sul afirmou que está "fazendo uma análise detalhada, em estreita cooperação entre os serviços de inteligência do sul-coreanos e americanos".

Em comunicado, o Comando Indo-Pacífico dos EUA afirmou que os testes noticiados ressaltam o "foco contínuo da Coreia do Norte no desenvolvimento de seu programa militar e as ameaças que isso representa para seus vizinhos e para a comunidade internacional".

O governo japonês disse estar preocupado com os relatos e que o Japão continua a observar a situação de perto, ao lado da Coreia do Sul e dos EUA. Katsunobu Kato, secretário-chefe de gabinete do Japão, disse que mísseis de longo alcance norte-coreanos representariam uma "séria ameaça à paz e à segurança do Japão e de seus arredores''.

A Coreia do Norte está sob sanções internacionais devido a seus programas de armas nucleares e mísseis balísticos, os quais o regime diz serem necessários para defender o país de uma invasão dos Estados Unidos.

No entanto, diferentemente dos mísseis balísticos desenvolvidos e testados pelo regime de Pyongyang, os projéteis de cruzeiro não estão sujeitos a sanções do Conselho de Segurança da ONU, por serem considerados ameaça de menor escala.

Quão significativos são os testes?

Para Park Won-gon, professor de estudos norte-coreanos na Universidade Ewha Womans, em Seul, o novo míssil testado representa uma "ameaça considerável”.

"Se o Norte tiver ogivas nucleares suficientemente miniaturizadas, elas poderão ser transportadas também por um míssil de cruzeiro", afirmou à agência de notícias AFP. "É muito provável que haverá mais testes para o desenvolvimento de vários sistemas de armamento."

Os lançamentos do fim de semana foram uma resposta a exercícios militares conjuntos da Coreia do Sul e dos EUA realizados no mês passado, apontou o professor.

Jeffrey Lewis, especialista do Instituto Middlebury de Estudos Internacionais, na Califórnia, afirmou no Twitter que o novo tipo de míssil testado seria capaz de levar uma ogiva a alvos na Coreia do Sul e no Japão.

Os lançamentos relatados são os primeiros conduzidos desde março pela Coreia do Norte, que não realiza um teste nuclear ou um lançamento intercontinental de mísseis balísticos desde 2017. Os testes ocorreram dias depois de um desfile em Pyongyang para marcar o 73º aniversário da fundação do país.

As conversações nucleares com os Estados Unidos estão paradas desde a fracassada cúpula de 2019 em Hanói entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o então presidente americano, Donald Trump, sobre o alívio das sanções internacionais e do que Pyongyang estaria disposto a desistir em troca.

O atual enviado do presidente americano Joe Biden à Coreia do Norte, Sung Kim, expressou repetidamente sua disposição de se encontrar com seus homólogos de Pyongyang.

O governo norte-coreano, no entanto, nunca mostrou indícios de que estaria disposto a entregar seu arsenal nuclear, e rejeitou esforços sul-coreanos para reavivar o diálogo. Kim havia dito no início deste ano que cientistas estavam desenvolvendo mísseis "com as ogivas mais poderosas do mundo".

lf (AFP, AP, Reuters, Efe, DW)

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