Coreia do Norte reduz distribuição de comida | Notícias internacionais e análises | DW | 03.05.2019
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Mundo

Coreia do Norte reduz distribuição de comida

Governo diminui para 300 gramas por pessoa quantidade diária de alimentos distribuída a população, diz ONU. Escassez afeta 10,1 milhões de norte-coreanos. Safra foi a pior dos últimos dez anos.

Agricultor em plantação de arroz seca

Seca prejudicou colheita do arroz na Coreia do Norte

Depois da pior safra dos últimos dez anos, a Coreia do Norte reduziu as porções de comida distribuídas à população para um nível jamais visto para esta época do ano, revelou nesta sexta-feira (03/05) a ONU. Aproximadamente 10,1 milhões de pessoas, cerca de 40% dos habitantes do país, sofrem com a grave escassez de alimentos.

Segundo as Nações Unidas, o governo norte-coreano reduziu para 300 gramas por dia por pessoa as porções de comida distribuídas. Além da redução na quantidade de alimentos, a diversidade alimentar no país é mínima, muitos sobrevivem comendo só arroz e repolho. A avaliação da situação alimentícia foi feita pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), a maior agência de ajuda humanitária da ONU.

A porta-voz do PMA em Genebra, Herve Verhoosel, afirmou que a comida está sendo racionada devido à safra ruim. A produção de alimentos no país foi impactada por períodos de seca, ondas de calor e inundações. "Sem apoio humanitário, milhões podem sofrer com a fome", advertiu Verhoosel.

A situação é "particularmente preocupante para crianças pequenas e para mulheres grávidas e lactantes, que são as mais vulneráveis à desnutrição", segundo a ONU.

Especialistas do PMA e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) visitaram a Coreia do Norte de 29 de março a 12 de abril a pedido do regime de Kim Jong-un para realizar a avaliação.

A missão estabeleceu que a produção agrícola no país no último ano foi de 4,9 milhões de toneladas, o pior número desde 2008-2009 e que representa um déficit de 1,36 milhão de toneladas (incluindo as importações) em relação à quantidade mínima necessária.

"Os efeitos das mudanças climáticas recorrentes são agravados pela escassez de combustível, fertilizantes e peças de reposição essenciais para a agricultura", acrescenta Verhoosel. Essa falta de produtos agrícolas básicos é em grande parte consequência das sanções internacionais para pressionar o regime de Kim Jong-un a abandonar o seu programa nuclear.

As doações de alimentos de Rússia, Canadá, França, Suécia e Suíça ao país através do PMA estão longe de cobrir as necessidades mais vitais da população norte-coreana. "Tememos que, diante da ausência de uma assistência externa significativa, as porções de alimentos distribuídas pelo governo sofram ainda mais cortes nos meses críticos, que vão de julho a outubro, o período entre safras na Coreia do Norte", alertou o PMA.

A Coreia do Norte sofreu uma das piores crises de fome na década de 1990 como consequência de safras ruins, o que coincidiu com a desintegração da União Soviética, um dos seus principais apoios econômicos naquela época. Essa situação gerou uma escassez de alimentos que, segundo alguns especialistas, provocou a morte de aproximadamente 3,5 milhões de pessoas.

Nas últimas décadas, a China foi um dos principais fornecedores de ajuda humanitária à Coreia do Norte, mas esta geralmente foi direta, sem passar por órgãos da ONU.

CN/efe/lusa/rtr/afp

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