Cooperação européia na busca de crianças desaparecidas deixa a desejar | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 14.07.2008
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Mundo

Cooperação européia na busca de crianças desaparecidas deixa a desejar

UE pretende intensificar cooperação entre os países-membros no resgate de crianças desaparecidas. Em entrevista, especialista de uma ONG de proteção à criança considera a medida insuficiente e faz sugestões de melhoria.

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Apenas uma pequena porcentagem de casos justifica ativação do sistema de alerta

O desaparecimento da menina britânica Madeleine McCann em Portugal, no ano passado, virou manchete em toda a Europa – em parte graças à gigantesca campanha de publicidade lançada por seus pais. Eles se mostraram indignados com o fato de a notícia do rapto de Madeleine ter chegado ao controle de fronteiras da Espanha somente 12 horas após o ocorrido.

Gerry und Kate McCann die Eltern der verschwundenen Madeleine während einer Pressekonferenz Juni 2006 Titanic

Pais de Madeleine, Kate und Gerry McCann, em meados de 2007

Os McCann haviam feito um apelo pela criação de um sistema europeu de alarme para raptos. A medida recentemente foi rejeitada por diversos países-membros da UE, entre os quais a Alemanha, sob a alegação de que um sistema centralizado seria contraproducente por propagar um número excessivo de alertas.

No lugar disso, os ministros da UE concordaram em criar sistemas nacionais eficientes e compatibilizá-los. A DW-WORLD.DE conversou com Delphine Moralis, vice-secretária geral da organização Missing Children Europe, Federação Européia para Crianças Desaparecidas e Vítimas de Abuso Sexual, sobre a necessidade de uma maior coordenação entre as autoridades européias para impedir raptos.

DW-WORLD.DE: Como a senhora vê as decisões dos ministros da Justiça dos países da União Européia?

Delphine Moralis: Apesar da ambivalência das mensagens, acreditamos que houve um avanço. Mas palavras não bastam. A organização Missing Children Europe considera fundamental a abolição de fronteiras quando se trata do desaparecimento de uma criança. O que gostaríamos que acontecesse a longo prazo é a criação de sistemas de alarme em todos os países europeus. Mas o primeiro passo é melhorar a cooperação e a conexão entre os órgãos de segurança.

Nesse sentido, a situação da UE hoje mais parece uma colcha de retalhos. Você poderia nos dar um quadro geral?

Há sistemas nacionais de alerta altamente desenvolvidos na Grécia e na França, a serem acionados em casos considerados realmente preocupantes. Na França, isso vale apenas para o caso de raptos por estranhos, quando há informações sobre a criança e o criminoso, e a certeza de que a ativação do sistema facilitaria a busca. Na Grécia, os critérios também são bem rígidos. O sistema de alerta para crianças desaparecidas só pode ser ativado em casos bastante específicos.

O grande problema é que, apesar de serem eficientes, esses sistemas se restringem às fronteiras nacionais. O ideal, a longo prazo, seria criar sistemas semelhantes nos diferentes países-membros, o que facilitaria a interconexão.

Como funcionam os sistemas de alerta existentes hoje?

Eles se servem de diferentes meios de comunicação. A Grécia e a França têm sistemas nacionais. No Reino Unido, há um sistema que funciona em nível local.

Entre eles existem pequenas diferenças. Em caso de desaparecimento, você ouviria a notícia como se fosse um anúncio de congestionamento. Os detalhes constariam de painéis eletrônicos ao longo da rodovia, a mídia seria avisada, etc. O fornecimento do maior número possível de informações à população, no mais breve período de tempo, permitiria uma maior vigilância.

A Alemanha foi um dos países a criticar um sistema europeu centralizado de alerta, alegando que isso seria contraproducente. A senhora é a favor da centralização?

Não estamos reivindicando um sistema centralizado, mas sim a possibilidade de atravessar as fronteiras, para tornar as buscas mais eficientes.

A Comissão Européia também criticou os países-membros pela falta de hotlines para crianças desaparecidas. Você também considera relevante essa questão?

A situação hoje é que o número foi cedido a uma organização em sete países-membros, mas só está operando em dois – na Hungria e na Grécia. Nós, da Missing Children Europe, achamos que deveria haver uma conexão entre o sistema de alarme e um telefone europeu a ser operado em nível nacional. Mas são duas coisas diferentes.

Um número de telefone europeu é um ponto de partida. Uma criança desaparece, isso é comunicado para um telefone que tem o mesmo número em todos os países da UE. A partir de então, pode-se entrar em ação. Além disso, o objetivo do sistema de alerta para crianças desaparecidas é alarmar a população quando uma criança for raptada e estiver correndo risco de vida.

Qual é a dimensão do problema dos raptos de crianças na União Européia?

O desaparecimento de crianças não é um assunto tão estudado na União Européia a ponto de dispormos de estatísticas precisas. Temos um grande número de casos, mas são diversos tipos de desaparecimento.

Há alguns dados gerais. Por exemplo, a polícia britânica registra 140 mil queixas de desaparecimento de crianças todo ano, entre as quais evidentemente apenas uma pequena minoria justificaria acionar o sistema de alerta.

O sistema francês está em funcionamento há quase dois anos e foi usado seis vezes. Sobre a Alemanha, infelizmente não dispomos de dados confiáveis.

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