Continental empregou trabalho forçado durante regime nazista, revela estudo | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 27.08.2020

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Alemanha

Continental empregou trabalho forçado durante regime nazista, revela estudo

Fabricante alemã de pneus chegou a ter 10 mil trabalhadores forçados. Estudo mostra ainda que empresa ordenou testes de sola de sapato em campo de concentração, onde prisioneiros eram executados se parassem de marchar.

Entrada da Continental

Cotinental era maior produtora de materiais de borracha do mundo na década de 1930

A fabricante alemã de pneus e peças automotivas Continental desempenhou um papel fundamental de apoio ao regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial, além de empregar trabalho forçado em suas dependências neste período, revelou um estudo divulgado nesta quinta-feira (27/08).

"A Continental era uma parte importante da máquina de guerra de Adolf Hitler", afirmou o presidente-executivo da empresa, Elmar Degenhart, ao comentar o estudo independente conduzido pelo historiador Paul Erker, que investigou o papel da empresa durante o regime nazista.

Encomendado pela própria empresa, o estudo mostrou que, entre 1933 e 1945, a Continental, maior produtora de materiais de borracha do mundo na época, forneceu ao regime nazista componentes centrais de bens de consumo e armamentos. Um dos principais produtos da empresa na época era a sola de sapato, o que a tornou uma fornecedora vital para o exército. Ela também produzia máscaras de gás.

A empresa não somente lucrou monetariamente, equipando o exército de Hitler, mas também com a mão de obra barata dos territórios ocupados na Bélgica e de prisioneiros de guerra russos e franceses. Neste período, a Continental chegou a empregar cerca de 10 mil trabalhadores forçados em suas fábricas, incluindo prisioneiros de campos de concentração, em condições que Erker descreveu como desumanas. 

Perto do fim da guerra, os prisioneiros obrigados a trabalhar para a empresa eram "explorados e maltratados até a exaustão ou morte", diz o estudo, de cerca de 800 páginas. 

A pesquisa também revelou que prisioneiros do campo de concentração de Sachsenhausen, na região de Berlim, era obrigados a marchar entre 30 e 40 quilômetros por dia no local para testar as solas da empresa. Aqueles que diminuíam o ritmo ao longo do dia ou caíam eram executados por guardas da SS (Schutzstaffel), a assassina unidade de elite de Hitler.

A Continental teria ordenado ainda a realização de testes na neve e no gelo, com alguns prisioneiros sendo obrigados a caminhar até 2,2 mil quilômetros.

Segundo Erker, a direção da empresa esteve ativamente envolvida nestas violações, mas muitos poucos deles foram presos após a guerra. O historiador destacou ainda que a Continental foi um "pilar dos armamentos nazistas e da economia de guerra".

"O estudo é uma oportunidade que escolhemos conscientemente para enfrentar nossa responsabilidade", afirmou Degenhart.

No futuro, a empresa planeja integrar os resultados do estudo em seus programas de desenvolvimento profissional e de treinamento para informar ativamente os funcionários sobre seu passado. A Continental anunciou ainda que abrirá seus arquivos para pesquisadores.

Fundada em 1871, em Hannover, a Continental é a empresa alemã mais recente a confrontar seu passado nazista durante o período mais sombrio da história da Alemanha. A investigação histórica é semelhante à já realizada por uma série de firmas do país, como a Volkswagen, a Audi, a Dr. Oetker, e o Deutsche Bank.

Em 2000, uma fundação foi criada para pagar indenizações a ex-trabalhadores forçados ou para seus familiares, na qual o governo alemão e a indústria contribuíram em igual medida para um fundo de mais de 5 bilhões de euros. A Continental repassou milhões para esse fundo.

CN/afp/dpa/epd

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