Congresso do Peru vai debater cassação de presidente | Notícias internacionais e análises | DW | 16.12.2017
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Mundo

Congresso do Peru vai debater cassação de presidente

Pagamentos ilícitos da construtora Odebrecht podem levar a afastamento de Pedro Pablo Kuczynski. Promotores alegam que chefe de Estado peruano está desacreditado para continuar governando por "faltar com a verdade".

Peru Veranstaltung der Streitkräfte - Pedro Pablo Kuczynski (picture alliance/dpa/Agentur Andina/P. Presidencia)

Pedro Pablo Kuczynski "faltou com a verdade" ao negar ligação com Odebrecht, dizem promotores

Nesta sexta-feira (15/12), o Congresso do Peru aprovou debater no próximo dia 21 o pedido de cassação do presidente Pedro Pablo Kuczynski, por "incapacidade moral permanente", por supostamente ocultar pagamentos da construtora Odebrecht a uma das suas empresas quando era ministro.

O Parlamento, dominado amplamente pela oposição, onde o fujimorismo é maioria absoluta, aceitou a "moção de vacância" (destituição) de Kuczynski apresentada pela Frente Ampla de esquerdas por 93 votos a favor, contra 17 votos.

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Os promotores da destituição alegam que Kuczynski está desacreditado para continuar governando por "faltar com a verdade" ao negar em diversas vezes qualquer ligação com a Odebrecht, empresa que esta semana revelou ter pagado mais de US$ 782 mil em consultorias entre os anos de 2004 e 2007 a Westfield Capital, empresa do próprio Kuczynski.

Nesse período, o atual presidente peruano atuou como ministro de Economia e depois primeiro-ministro do governo de Alejandro Toledo, quem tem um mandado de prisão internacional por supostamente ter recebido propinas no valor de US$ 20 milhões da Odebrecht.

Debates parlamentares

No início dos debates, o congressista Kenji Fujimori, filho mais novo do ex-presidente Alberto Fujimori, que está preso, pediu aos demais companheiros para respeitar a presunção de inocência de Kuczynski e argumentou a experiência vivida com o seu pai.

O filho de Fujimori voltou a manifestar uma posição dissonante do resto dos 70 congressistas de seu grupo parlamentar, cujos porta-vozes ameaçaram Kuczynski, na quinta-feira, com a destituição se ele não renunciasse imediatamente.

Outros legisladores expressaram sua insatisfação com a mensagem enviada à nação, onde o presidente rejeitou todas as acusações e enfatizou que não renunciará, pois não vai se intimidar com seus opositores.

Por sua vez, o porta-voz da bancada governista, Gilbert Violeta, acusou a oposição de forçar um "julgamento politico" onde o presidente deve destituído de "forma abusiva".

Operação Lava Jato

A descoberta das consultorias fornecidas por Kuczynski surgiram através de um documento da construtora Odebrecht, enviado para a comissão parlamentar que investiga o lado peruano da Operação Lava Jato.

O presidente tinha se recusado em diversas ocasiões a comparecer nesta comissão por considerá-la um "circo", até que apareceram os pagamentos da Odebrecht para sua empresa.

O escândalo Odebrecht foi revelado em dezembro do ano passado, quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que a empreiteira pagou cerca de 788 milhões de dólares em propinas em 12 países, entre eles o Peru.

O relatório mostrou que somente no Peru, entre os anos de 2005 e 2014, a construtora desembolsou propinas no valor de 29 milhões de dólares a funcionários do governo.

Em julho, o ex-presidente Ollanta Humala e sua esposa, Nadine Heredia, investigados sob suspeita de terem recebido milhões de dólares da Odebrecht em propina, foram presos. Segundo a investigação, o casal teria recebido 3 milhões de dólares da empreiteira em troca de um contrato para construir um oleoduto no país. Além de financiar as campanhas, o dinheiro ilícito teria sido usado para lucro pessoal.

CA/efe/abr/dw

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