Confissão de Bush sobre prisões da CIA revolta europeus | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 07.09.2006
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Mundo

Confissão de Bush sobre prisões da CIA revolta europeus

Críticos europeus do presidente norte-americano vêem suas denúncias confirmadas e falam de "lado sujo de uma guerra secreta". Conselho da Europa e Parlamento Europeu exigem esclarecimentos.

Ao confirmar pela primeira vez publicamente, nesta quarta-feira (06/09), a existência de prisões secretas fora dos EUA, o presidente norte-americano, George W. Bush, provocou indignação na Europa em relação às práticas usadas pela CIA no combate ao terrorismo internacional. As principais organizações políticas européias cobraram mais esclarecimentos sobre o caso.

O Conselho da Europa, encarregado de vigiar o respeito aos direitos humanos no continente, comunicou que a confissão de Bush confirmou as suspeitas da instituição. "Nosso trabalho ajudou a revelar o lado sujo desta guerra secreta, conduzida completamente sem base legal", disse o presidente da Assembléia Parlamentar do Conselho, René van der Linden.

O Conselho apura denúncias sobre a existência de uma rede de prisões e vôos secretos, abrangendo todo o território europeu – inclusive com estações na Alemanha. "Mesmo que seja verdadeiro o argumento de Bush, de que a detenção de suspeitos de terrorismo em prisões secretas impediu atentados, estes métodos em longo prazo tornam o mundo mais inseguro", declarou Van der Linden.

"Só uma parte da verdade"

George W. Bush

Bush: falando meias verdades?

O investigador especial do Conselho da Europa, o suíço Dick Marty, disse que a afirmação de Bush é "apenas uma parte da verdade. Os EUA ainda precisam revelar muito mais".

Marty acrescentou que as declarações do presidente norte-americano foram politicamente motivadas, provavelmente em função das eleições para o Congresso em novembro. "Para mim, não há nada de novo. Sempre estive convencido da existência das prisões", disse.

"Os locais das prisões devem ser publicados", pediu o eurodeputado Wolfgang Kreissl-Dörfer, membro da comissão de inquérito que apura o escândalo. "É preciso averiguar se governos europeus ou candidatos ao ingresso na União Européia atuaram como cúmplices em atividades ilegais", propôs.

Tanto o Conselho da Europa quanto o Parlamento Europeu até agora não conseguiram apresentar provas da existência de prisões secretas da CIA na Europa, mas seus relatórios acusam os EUA de seqüestro e transporte ilegal de supostos terroristas pelo continente.

O comissário de Justiça da UE, Franco Frattini, conclamou os 25 países-membros do bloco a colaborarem com as investigações. Até o momento, nenhum país europeu admitiu sua participação na rede da CIA. Mas a pressão sobre a Polônia e Romênia aumenta.

"O ex-presidente Aleksander Kwasniewski e o primeiro-ministro Kazimierz Marcinkiewicz já disseram que não há prisões secretas na Polônia e, desde então, não há fatos novos", rebateu o ministério polonês das Relações Exteriores.

Críticas de Paris e Madri

A França e a Espanha também criticaram os métodos da CIA. O ministro francês das Relações Exteriores, Philippe Douste-Blazy, reiterou o pedido de seu país de que a ONU intervenha no caso e feche a prisão de Guantánamo.

O primeiro-ministro espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero, declarou que a luta contra o terrorismo só pode ser conduzida por meios democráticos. "Ela não é compatível com a existência de prisões secretas", disse.

Bush anunciou na quarta-feira que 14 suspeitos ligados à Al Qaeda foram transferidos das prisões secretas da CIA fora dos EUA para a prisão militar de Guantánamo e que seriam tratados com base nas normas da Convenção de Genebra sobre prisioneiros de guerra.

"ONU deve fechar as prisões"

O relator especial da ONU sobre tortura, o austríaco Manfred Nowak, classificou a confissão de Bush como "progresso". Ele lembrou, porém, que a existência das prisões secretas era conhecida há muito tempo. "A tarefa da ONU agora é fechá-las", disse. Nowak garantiu que poderia dizer o nome de pelo menos outros 15 suspeitos que teriam sido presos pelos EUA no Afeganistão e Paquistão e daí sumiram do mapa.

Segundo o jornal Westdeutsche Zeitung, a declaração do presidente dos EUA "não foi nem admissão nem confissão. Porque a admissão supõe a consciência de ter cometido injustiça, e a confissão supõe o arrependimento – ambos faltam a Bush. O momento da declaração foi puramente tático: pouco depois da publicação de informações sobre fracassadas tentativas de ataques e a poucos dias do quinto aniversário do 11 de setembro, ela espera compreensão especial para com esta medida drástica".

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