1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Futuro da Líbia

31 de agosto de 2011

Grupo de países se reúne pela quarta vez para discutir ajuda à Líbia. Brasil, que não reconhece o Conselho Nacional de Transição líbio, participa como convidado.

https://p.dw.com/p/12Qmz
Palácio do Eliseu recebe a quarta conferência do Grupo de ContatoFoto: AP

A França recebe nesta quinta-feira (01/09) os representantes do chamado Grupo de Contato, criado em março último para administrar a operação militar da Otan na Líbia. A data escolhida pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, coorganizador, é simbólica: por 41 anos, Muammar Kadafi comemorou neste dia o aniversário da revolução que o levou ao poder, em 1969.

A proposta francesa é transformar o comitê em Grupo de Amigos da Líbia, e discutir durante o encontro o futuro do país africano. É aguardada a presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, da secretária de Estado norte-americano, Hillary Clinton, e da chanceler federal alemã, Angela Merkel.

A conferência no Palácio do Eliseu também deve receber o presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia. O debate será focado na ajuda financeira ao país que expulsou Kadafi do poder. "A comunidade internacional aguarda impaciente para que o governo de transição indique suas demandas", comentou uma porta-voz da secretaria de Estado dos EUA.

Segundo os cálculos do CNT, cinco bilhões de dólares seriam necessários apenas como ajuda emergencial à nação arrasada pelo conflito interno. O governo interino teria que pagar ainda os salários de servidores e formar uma nova polícia e sistema jurídico.

Posição brasileira

O Brasil não faz parte do Grupo de Contato, mas foi convidado por Sarkozy para participar do encontro. O governo brasileiro ainda não reconheceu oficialmente o CNT, e diz que uma manifestação oficial virá depois da discussão na Assembleia Geral das Nações Unidas para decidir quem é o representante legítimo da Líbia – uma decisão que deverá ser acatada pelo conjunto da comunidade internacional, incluindo o Brasil.

Além de Índia, China, Rússia e Alemanha, também o Brasil se absteve quando o Conselho de Segurança da ONU votou a missão militar no país africano. Segundo o ministro brasileiro do Exterior, Antônio Patriota, "havia a suspeita e o temor de que esta autorização [de ataques aéreos para proteger a população civil] pudesse ser desvirtuada. É um elo muito problemático associar a promoção de democracia e de direitos humanos a iniciativas militares", afirmou.

Entre os representantes de 60 países e organizações que devem acompanhar a discussão em Paris, estará também o vice-ministro chinês do Exterior, Zhai Jun. Esta será a quarta reunião do Grupo de Contato, formado por 32 países e sete organizações regionais. Além do Brasil, também foram convidados pela primeira vez como observadores Índia, Coreia do Sul, Ucrânia e Senegal.

Relaxamento de sanções

Ainda antes da reunião na França, a União Europeia (UE) pode formalizar nesta quinta-feira a suspensão de sanções impostas pelo bloco contra cerca de 30 empresas petrolíferas e portuárias líbias. Um primeiro acordo técnico entre peritos dos 27 Estados-membros já teria sido firmado nesta quarta-feira.

Se for confirmada, a suspensão entrará em vigor apenas na sexta-feira, depois que a decisão for publicada no diário oficial da UE. Atualmente, 50 empresas líbias e 42 nomes estão na lista de sanções impostas pelos europeus.

Autoras: Nádia Pontes / Ericka de Sá
Revisão: Roselaine Wandscheer