Comunidade internacional saúda acordo sobre fim do regime no Iêmen | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 24.11.2011
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Mundo

Comunidade internacional saúda acordo sobre fim do regime no Iêmen

Presidente Ali Abdullah Saleh aceita deixar o poder e, em troca, não será responsabilizado por crimes contra a humanidade. Iemenitas vão às ruas protestar contra a imunidade.

Há meses Saleh resistia às pressões para deixar o poder

Saleh resistiu vários meses às pressões para deixar o poder

A comunidade internacional recebeu bem o anúncio feito pelo presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, de que deixará o poder após 33 anos no comando do país. Os Estados Unidos e a União Europeia saudaram a assinatura, nesta quarta-feira (23/11), do acordo proposto pelo Conselho de Cooperação do Golfo, que possibilitará a saída de Saleh após meses de protestos no país.

O governo da China também elogiou a transferência de poder para o vice-presidente, Abed Rabbo Mansur Hadi, no prazo de 30 dias e a realização de novas eleições dois meses mais tarde.

Já no Iêmen, centenas de manifestantes tomaram as ruas para protestar contra as condições acertadas no acordo, que garantirão a Saleh, sua família e seus apoiadores imunidade diante das acusações de, entre outros, crimes contra a humanidade. Em Sanaa, cinco civis foram mortos nesta quinta-feira por militares supostamente leais ao ainda presidente. Cerca de 1.500 pessoas morreram desde fevereiro em protestos pedindo o fim do regime no Iêmen.

"Passo importante"

Por meio de um comunicado oficial, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ressaltou que há dez meses a população iemenita vem clamando por mudanças políticas no país e que o acordo é um significante passo para concretizar "suas aspirações por um novo começo". "Este é um importante passo para o povo do Iêmen, que merece a oportunidade de determinar seu próprio futuro", afirmou a Casa Branca.

Proteste gegen die Regierung im Jemen

Manifestantes não aceitam que o presidente ganhe imunidade

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse que o acordo serviria de base para um "processo de reconciliação" e uma transição "pacífica e democrática". O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, pede que todas as partes parem com a violência e que trabalhem em um recomeço pacífico "apesar de todas as dificuldades e diferenças".

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, também classificou o acordo como "um passo importante do povo iemenita na direção de um futuro melhor". Ele pediu a todos que cumpram suas obrigações e evitem provocações e violência, a fim de garantir uma transição que atenda às exigências do povo do Iêmen. Segundo Ban Ki Moon, após a assinatura do acordo, Saleh irá para Nova York receber tratamento médico.

Agarrado ao poder

Há meses, o presidente vinha tentando resistir às pressões domésticas e internacionais para se manter no poder. Desde abril, ele se recusava a aceitar o acordo negociado pelas monarquias do Golfo Pérsico. O acordo que garante sua saída do poder foi assinado em Riad, na Arábia Saudita.

Ao aceitar a saída do poder, Saleh não tem mais direito de tomar decisões políticas no Iêmen. Dentro de três meses, haverá votação para escolha do novo presidente pelos próximos dois anos.

Saleh será o quarto chefe de Estado árabe a deixar o poder após protestos populares desde o início da Primavera Árabe, há um ano, que levou ao fim dos regimes na Tunísia, no Egito e na Líbia. No entanto, ele é o primeiro a abandonar o poder através de um acordo negociado.

MSB/dpa/afp/lusa
Revisão: Roselaine Wandscheer

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