Como Peter Lindbergh revolucionou a fotografia de moda | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 04.09.2019
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Moda

Como Peter Lindbergh revolucionou a fotografia de moda

Morre, aos 74 anos, fotógrafo alemão que lançou a era das supermodelos. Em quatro décadas de carreira, Lindbergh redefiniu a fotografia de moda ao retratar mulheres em poses realistas e como personagens empoderadas.

Peter Lindbergh

Alemão rejeitava retocar fotos e exigia que publicações não alterassem suas imagens

O fotógrafo alemão Peter Lindbergh, que se notabilizou por suas fotografias em preto e branco e foi considerado o pai da era das supermodelos dos anos 1990, morreu na terça-feira (03/09), aos 74 anos, segundo confirmou nesta quarta-feira o estúdio dele em Paris. As causas da morte não foram divulgadas.

"Considerado pioneiro na sua arte, soube redefinir a fotografia de moda contemporânea e seus padrões de beleza, enaltecendo as mulheres de todas as idades", informou o estúdio em comunicado.

Ao longo de uma carreira que se estendeu por 40 anos, Lindbergh trabalhou para revistas como Vogue, Vanity Fair, Elle e Marie Claire. Por suas lentes passaram celebridades como Catherine Deneuve, Naomi Campbell, Cindy Crawford, Linda Evangelista, Claudia Schiffer e Kate Moss.

Até o final da sua vida, Lindbergh permaneceu ativo. Ainda em 2019, ele fotografou capas para as revistas Vogue espanhola, alemã e britânica. Recentemente, supervisionou pessoalmente a montagem de uma exposição sobre sua carreira, que foi aberta no último sábado no museu Kunsthal, em Roterdã, na Holanda.

Com mais de 220 fotografias ao lado de notas e storyboards, adereços e polaroides, todos reunidos no estúdio de Lindbergh, a exposição oferece uma visão do processo criativo do artista e mostra o mundo através de seus olhos.

Nascido em 1944 no antigo território alemão de Wartheland, uma área da Polônia anexada pelos nazistas, Peter Brodbeck (seu nome de batismo) iniciou a carreira como fotógrafo nos anos 1970, após ter passado mais de uma década estudando e produzindo pinturas. Ele abriu seu primeiro estúdio em Düsseldorf em 1973. Cinco anos depois, se tornou um dos fotógrafos da revista alemã Stern.

Lindbergh retratou grupo de modelos em poses casuais em 1988

Lindbergh retratou grupo de modelos em poses casuais em 1988

No final dos anos 1980, ele se tornaria mundialmente conhecido por retratar modelos como personagens fortes, fotografadas muitas vezes em poses casuais, sem maquiagem pesada e adornos excessivos nos cabelos, contrariando totalmente o padrão da época, que dava preferência para cabelos superproduzidos e poses artificiais.

Em 1988, ele fotografou para a Vogue britânica um grupo de jovens modelos com camisas sociais brancas se divirtindo em uma praia de Malibu. A série de fotografias não agradou a chefia da revista à época e acabou engavetada.

Mas as imagens chamaram a atenção de Anna Wintour, que viria a assumir a direção-geral da franquia de revistas no mesmo ano. Com a Vogue sob direção de Wintour, Lindbergh seria o responsável pela primeira capa icônica de uma nova era. A edição da Vogue americana de novembro de 1988 mostrava a modelo Michaela Berçu, combinando uma caríssima blusa do designer Christian Lacroix com um par de jeans comum e exibindo um ar feliz e casual.

A icônica capa da Vogue de janeiro de 1990: o início da era das supermodelos

A icônica capa da "Vogue" de janeiro de 1990: o início da era das supermodelos

Lindbergh ainda foi creditado como o pai da era das supermodelos dos anos 1990 ao produzir a fotografia de capa da edição de janeiro de 1990 da Vogue britânica.

Em preto e branco, sua marca registrada, a capa mostrava as jovens modelos Linda Evangelista, Naomi Campbell, Tatjana Patitz, Cindy Crawford e Christy Turlington com o horizonte de Nova York. A edição rapidamente se tornaria lendária pela ousadia de mostrar um grupo de modelos em ascensão com maquiagem minimalista e roupas simples. Nascia a era das supermodelos.

Nesta terça-feira, Wintour lamentou a morte do alemão. "Como é devastador saber que perdemos Peter, um homem generoso e adorável que, mais do que qualquer fotógrafo, definiu como vemos a moda em nossa era moderna", disse a editora-chefe da Vogue. "O que eu mais amava no trabalho dele era como ele era empoderador, como ele acreditava em evocar força e autoconfiança nas mulheres e capturar sua beleza natural sem adornos. Não havia ninguém como ele, e ele fará muita falta."

Pirelli Kalender 2017 Julianne Moore (picture-alliance/dpa/Peter Lindbergh)

A atriz Julianne Moore, então com 55 anos, nas lentes de Lindbergh. Imagem fez parte do calendário Pirelli de 2017, que fugiu do padrão de jovens modelos seminuas

Lindbergh ainda se destacou por sua ojeriza a retocar fotografias digitalmente e por seu desejo de mostrar o corpo humano com todas as suas imperfeições. Ele inclusive fazia as publicações de moda assinarem contratos se comprometendo a não alterar as fotografias.

Em 2016, o alemão comandou as fotografias da edição de 2017 do célebre calendário Pirelli. Em contraste com muitas edições anteriores, as fotos de Lindbergh não mostraram jovens modelos seminuas, mas uma gama de atrizes com idades que variavam entre 28 e 71 anos.

Em 2015, ele resumiu essa filosofia em um livro sobre sua obra. "Se fotógrafos são responsáveis por criar ou refletir a imagem das mulheres na sociedade, então, devo dizer, só há um caminho para o futuro: eles definirem as mulheres como fortes e independentes. Esta deveria ser a responsabilidade dos fotógrafos hoje em dia: libertar as mulheres e, finalmente, todo mundo do terror da juventude e da perfeição."

JPS/efe/lusa/ots

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