Como os alemães lançaram raízes no Brasil | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 13.04.2004
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Alemanha

Como os alemães lançaram raízes no Brasil

Por onde se espalharam os alemães no Brasil?

A Deutsche Kolonie de São Leopoldo se estendia de Sapucaia do Sul até Campo dos Bugres, hoje Caxias do Sul, no norte, e de Taquara, no leste, até Montenegro, no oeste. Com a chegada de mais imigrantes, surgiram novas colônias e povoações nos vales dos rios Taquari (Estrela, Lajeado, Teutônia e outras), Pardo e Pardinho (Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Candelária) e no sul do Estado (São Lourenço). Essas e outras são chamadas povoações da "segunda geração".

No final do século 19 e começo do século 20, os imigrantes se concentraram na serra, em lugares como Ijuí, Santa Rosa, Panambi, Cerro Largo e muitos outros. Depois começaram a se expandir pelo Brasil, através de seus descendentes de segunda, terceira e quarta geração.

Os que vieram do Rio Grande povoaram a parte oeste de Santa Catarina, depois de atravessar o Rio Uruguai. Alguns seguiram para o Paraná e de lá muitos foram para o Mato Grosso. Hoje eles já chegaram em Rondônia. Por isso não é raro encontrar gente loira de olhos azuis, tomando chimarrão e falando alemão bem no norte do Brasil.

A década de 30 foi difícil para os alemães no Brasil, não somente por causa da nacionalização de Getúlio Vargas...

Museu Histórico Visconde de São Leopoldo

Fachada do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo

Foi a época das ditaduras: Salazar em Portugal, Mussolini na Itália, Stalin na Rússia, Hitler na Alemanha e Vargas no Brasil. A ideologia de Hitler encontrou adeptos em vários lugares, e o próprio Getúlio chegou a simpatizar com ela.

Havia agentes nazistas que tentaram ganhar adeptos entre a colônia alemã, não apenas no Rio Grande do Sul, como também em outros estados. Mas daí a concluir que os colonos alemães e seus descendentes eram nazistas, não tem cabimento.

Vargas tentou combater a propaganda nazista com sua campanha de nacionalização. Ao mesmo tempo, ele queria limitar qualquer influência política dos alemães. Falar alemão em público foi proibido. Meu pai, por exemplo, foi chamado à delegacia por ter dito Guten Morgen (bom dia), ao cumprimentar alguém na rua. E havia quem denunciasse isso.

A polícia também chegava na casa das pessoas e dava fim em tudo o que estivesse escrito em alemão. Até bíblias foram confiscadas nessa época, e houve quem destruísse aqueles pratos de parede que as famílias alemãs tinham com os dizeres Glaube, Liebe, Hoffnung (Fé, amor, esperança), só para evitar problema.

No Museu Histórico de São Leopoldo, eu tenho alguns desses panôs bordados com dizeres em alemão, que se colocava na cozinha, geralmente em cima do fogão. Pois uma vez veio uma senhora visitar o museu e me disse: "Se eu soubesse que isso um dia ia parar num museu, eu teria guardado. O meu virou capacho quando o alemão foi proibido."

Essa época foi difícil, pois os jornais foram proibidos, cultos e missas em alemão também, assim como reuniões nas associações que os alemães fundaram, de canto, ginástica e atiradores. Mas o pior de tudo foi o fechamento das escolas, pois eram centenas, e o governo não tinha condições de assumir de uma vez todos esses alunos, foi um caos.

Não se perdeu o idioma alemão com isso, as tradições?

As tradições alemãs sofreram muito e, onde antes havia bailes, festas, teatro e cantoria, se estabeleceu o silêncio e o medo. Uma geração inteira ficou sem conhecer suas raízes, o que é importante como orientação e para a identidade. Muitos esqueceram o alemão que sabiam, ou nem aprenderam a língua, o que é uma perda irreparável. Durante a Segunda Guerra isso se acentuou mais ainda.

Somente depois é que a vida nas regiões de colonização alemã tornou a voltar ao ritmo normal. Calcula-se que um quinto dos gaúchos falem alemão, uns falam bem, outros só um pouco. Há quem fale também o dialeto do Hunsrück, que eu aprendi na minha família, mas isso infelizmente está se perdendo, tanto o alemão como o dialeto. Hoje o alemão também é ensinado nas escolas públicas.

Mas, a bem da verdade, é preciso dizer que, na época da guerra, muitas autoridades no interior do Estado conheciam as comunidades alemãs, sabiam que todos ali eram bons cidadãos brasileiros, cujo único crime era a sua origem alemã, e por isso reagiram com muita moderação. Os poucos demagogos que aderiram à funesta ideologia, e que provocaram tudo isso, nunca pagaram por aquilo que fizeram.

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