1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Comissária da UE critica posição brasileira na OMC

(rw)13 de novembro de 2005

Mariann Boel critica irredutibilidade do país na OMC. Ela considera agricultura brasileira competitiva, mas afirma que UE "quer produzir alta qualidade e proteger natureza". BDI e DIHK querem impulsos de Hong Kong.

https://p.dw.com/p/7Rqf
Fischer Boel está pessimista quanto a consenso em Hong KongFoto: AP

A pouco menos de um mês do encontro ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Hong Kong, a tentativa de liberalização do comércio mundial já está fadada ao fracasso. Depois de o comissário de Comércio do bloco, Peter Mandelson, ter prognosticado na última sexta-feira (11/11) a falta de chances das negociações, neste final de semana foi a vez da comissária de Agricultura da União Européia, Mariann Fischer Boel.

Em artigo publicado na edição dominical do jornal alemão Tagesspiegel, a dinamarquesa critica a posição brasileira como "extremamente ofensiva em relação às barreiras alfandegárias". A agricultura brasileira é altamente eficiente em sua competitividade, salientou. "Se a União Européia reduzir suas taxas alfandegárias a ponto de competir diretamente com o Brasil, nossa agricultura teria que mudar completamente. Mas o que queremos é produzir com alta qualidade e proteger o meio ambiente."

A comissária de Agricultura da UE acusou que há membros da OMC "que se recusam a dar os últimos passos necessários e que não se esforçam pelo consenso em Hong Kong". Enquanto Fischer Boel acusou o Brasil, Mandelson havia criticado duramente também os Estados Unidos e a Austrália de não cederem.

Fracasso esta semana em Genebra

O conflito entre os países em desenvolvimento com os Estados Unidos e a União Européia pelo acesso justo de seus produtos agrícolas ao mercado mundial começou em 2001, na rodada de negociações da OMC em Doha, no Catar. Recentemente, o bloco europeu ofereceu diminuir em 46% as taxas alfandegárias sobre produtos agrícolas e uma redução de 70% em seus subsídios ao setor agrícola.

Após três dias de reuniões, representantes do Brasil, Estados Unidos, União Européia, Índia e Japão haviam declarado, na quarta-feira (09/11), em Genebra, que não houve avanço na direção de um acordo previsto para a reunião em Hong Kong. Países como o Brasil e a Índia querem mais cortes, mas a União Européia, assim como o Japão, Noruega e Suíça, temem problemas para sua agricultura.

Críticas alemãs a Mandelson

Jürgen Thumann BDI
Jürgen ThumannFoto: AP

"Não considero positivo sufocar as expectativas [das negociações]. Hong Kong talvez seja a última chance de dar um passo decisivo à frente", salientou o presidente da Confederação da Indústria Alemã (BDI), Jürgen Thumann.

Também Martin Wansleben, gerente executivo da Confederação Alemã de Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK), apelou aos membros da OMC para que se esforcem pelo consenso: "O êxito das negociações pode representar impulsos para os problemas do crescimento econômico e do desemprego na Alemanha", prognosticou.

O presidente da Confederação Alemã do Comércio Atacadista e de Exportação (BGA), Anton Börner, chega até a reivindicar mais concessões dos europeus. Para ele, "a agricultura não pode tornar-se um freio para a contínua liberalização do comércio mundial".

O encontro em Hong Kong reunirá representantes dos 149 países-membros da Organização Mundial do Comércio, entre 14 e 18 de dezembro. A conclusão da rodada de Doha está prevista para 2006.