Começa a disputa pela nova Comissão Europeia | Notícias internacionais e análises | DW | 28.05.2019
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União Europeia

Começa a disputa pela nova Comissão Europeia

Eleições mudaram composição do Parlamento Europeu, com o avanço de legendas verdes, liberais e populistas, em detrimento de coligações de centro-direita e centro-esquerda. Chefia do Executivo do bloco está em aberto.

Sede da Comissão Europeia em Bruxelas

Sede da Comissão Europeia em Bruxelas

A primeira reunião dos líderes europeus após as eleições para o Parlamento da União Europeia (UE), nesta terça-feira (28/05) em Bruxelas, marca o início de uma acirrada disputa sobre quem deverá ocupar a presidência da Comissão Europeia – o poder Executivo do bloco – além de outros cargos importantes nas instituições do bloco.

Os chefes de governo e Estado querem agir com rapidez na escolha dos novos nomes, mas esbarram na resistência das bancadas no Parlamento, que têm preferência pelos candidatos que tiveram maior expressão nas eleições para o Legislativo comunitário.

A votação no último fim de semana resultou em uma nova composição do Parlamento Europeu, com o avanço de legendas verdes, liberais e populistas, em detrimento dos partidos e coligações majoritárias tradicionais de centro-direita e centro-esquerda. Com o resultado, ainda é incerta a formação de um bloco majoritário. 

Nesta terça-feira, presidentes e primeiros-ministros deram início às conversas para a escolha do sucessor de Jean-Claude Juncker no comando da Comissão Europeia, além de especularem nomes para outras funções de alto escalão.

Entre estas atribuições estão a presidência do Conselho Europeu, ocupada no momento por Donald Tusk, do Banco Central Europeu, cujo atual incumbente é Mario Draghi, e a chefia da diplomacia da UE, atualmente exercida por Federica Mogherini.

Os líderes europeus querem agir rápido e indicar nomes para os postos mais altos já na próxima cúpula, nos dias 20 e 21 de junho. "Queremos encontrar uma solução o mais rápido possível, porque o Parlamento Europeu se reunirá no início de julho e, é claro, será desejável que até lá já haja uma proposta", disse a chanceler federal alemã, Angela Merkel. "Quanto mais rápido tomarmos a decisão, melhor será para o futuro."

Mas há sinais de que esse processo levará algum tempo. Uma disputa de poder entre o Conselho Europeu, que representa os países do bloco, e o Parlamento, parece iminente. Em uma reunião de líderes partidários nesta manhã, não houve definição sobre um nome para suceder Juncker.  

Os líderes dos partidos apenas concordaram que o nome a ser escolhido para chefiar o Executivo europeu deve estar entre os candidatos eleitos pelos blocos parlamentares, "para que o programa e a personalidade do próximo presidente da Comissão sejam conhecidos desde antes das eleições", segundo afirmaram em nota. Essa decisão, porém, bate de frente com o presidente da França, Emmanuel Macron, que insiste que os chefes de governo devem decidir quem encabeçará a Comissão.

O alemão Manfred Weber, de centro-direita, é um dos favoritos para chefiar a Comissão Europeia

O alemão Manfred Weber, de centro-direita, é um dos favoritos para chefiar a Comissão Europeia

Sob o sistema de cabeças-de-chapa, introduzido em 2014 com o objetivo de atrair o interesse dos eleitores nas eleições europeias, o candidato colocado pelo grupo com a maior formação no Parlamento deve ter prioridade para assumir a Comissão Europeia.

A posição dos parlamentares dá impulso ao nome do alemão Manfred Weber, da União Social Cristã (CSU) da Alemanha, que foi eleito como o principal candidato para o Parlamento da UE pelo Partido do Povo Europeu (EPP) de Juncker.

A legenda de centro-direita obteve o primeiro lugar nas eleições europeias, apesar de sofrer fortes perdas. O nome de Weber, porém não é consenso entre os líderes europeus. O grupo parlamentar liberal Alde, o terceiro mais votados nas últimas eleições e que abriga o partido de Macron, não declarou apoio ao alemão.

Espera-se que as negociações sejam bastante complexas, uma vez que o partido de Weber necessita de uma maioria de ao menos 376 parlamentares de um total de 751 que compõem o Legislativo europeu. Para obter êxito, ele precisará do apoio do bloco dos socialistas e democratas, o segundo maior no Parlamento, e dos verdes.

"O Partido do Povo Europeu está pronto para todas as concessões necessárias", disse Weber nesta terça-feira. "Estamos prontos para conversar com todos", afirmou.

Mas essa certamente não será uma tarefa simples. Os socialistas apoiam seu próprio candidato, o atual vice-presidente da Comissão, Frans Timmermans, enquanto os verdes acenaram com a possibilidade de apoiar candidatos de outros partidos, como Margrethe Vestager, da bancada liberal, uma das raras mulheres postulantes ao cargo.

No encontro dos líderes em Bruxelas, Macron manterá conversações com os líderes da Bélgica (Charles Michel), Holanda (Mark Rutte) e Espanha (Pedro Sánchez), além de Merkel. A chanceler alemã e o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, concordaram que essa fase preliminar deve ser voltada para as "questões de procedimento" ao invés de nomes, segundo informou o gabinete do líder italiano.

A Comissão Europeia é o maior órgão da burocracia da UE, de onde saem os projetos de lei para as 28 nações que integram o bloco, que são apreciados e debatidos pelo Parlamento e pelo Conselho Europeu.

RC/dpa/ap/ots

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