Com a morte de Merce Cunningham ″morreu a vanguarda da dança″ | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 28.07.2009
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Cultura

Com a morte de Merce Cunningham "morreu a vanguarda da dança"

Coreógrafo e dançarino norte-americano, recém-falecido aos 90 anos, foi celebrado pela opinião pública de língua alemã como um dos mais influentes artistas do século 20. Com ele, se encerra uma era da dança.

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'Não trabalho com imagens ou ideias, trabalho com o corpo.'

O coreógrafo residente em Manhattan fundou a Merce Cunningham Dance Company em 1953, para a qual criou mais de 200 peças. Ele se apresentou nos principais palcos da Europa e da Alemanha, entre os quais em Berlim, Munique e Frankfurt.

Cunningham tinha acabado de comemorar seu 90º aniversário no dia 16 de abril. Nascido em 1919 no estado norte-americano de Washington como filho de um advogado, ele começou sua carreira como dançarino, tendo estudado com Martha Graham na década de 40. Com o compositor John Cage, seu parceiro, desenvolveu uma forma de coreografar pouco ortodoxa, baseada numa concepção espacial radicalmente livre e no princípio do acaso.

"Minhas coreografias não tem nada a ver com pensamento. Não trabalho com imagens ou ideias, trabalho com o corpo" – assim descrevia o que movia sua criação.

A imprensa alemã lamentou a morte de Merce Cunningham, destacando a inventividade e o pioneirismo de sua obra.

Merce Cunningham Flash-Galerie

Merce Cunningham, 1973

"A dança de Merce Cunningham vai ficar, mesmo que o mestre não dance mais. Não seria possível descrever a dança do século 20 sem ele. Nascido em 16 de abril de 1919 em Centralia, Washington, ele fez história durante meio século, alterou como poucos coreógrafos os hábitos de criar e ver, pesquisou incansavelmente e sempre arriscou coisas novas, desenvolvendo para seus dançarinos uma técnica que fez escola."

Neue Zürcher Zeitung

"Pouco depois de Pina Bausch, agora foi Merce Cunningham que morreu, no domingo passado, aos 90 anos. Ambos os coreógrafos impulsionaram decisivamente a dança, revolucionando-a e libertando-a para novas ideias, movimentos, tendências. Mas eles realizaram isso de formas bastante distintas. Onde Pina Bausch buscava uma expressão para estados de ânimo e alma, o americano Cunningham pretendia, na medida do possível, banir do palco qualquer coisa do gênero. (...)

Como Cunningham só permitia a seus dançarinos expressões faciais neutras, como eles só podiam ser um recipiente transparente para as séries de movimento que ele selecionava para uma determinada peça (muitas vezes combinados segundo o princípio do acaso), dificilmente dava para descobrir histórias ou dramas de relacionamento em sua obra. Nas coreografias de Merce Cunningham, o espectador tentava atingir um estado de espírito meditativo e deleitar-se com um mosaico de movimentos que – com alguma sorte – continha algum pequeno módulo jamais visto antes.

Frankfurter Rundschau

"O coreógrafo, também denominado o 'Einstein da dança', transferiu o dançarino para o centro da apresentação. 'Ao contrário do bailarino clássico, acho que todos os movimentos são possíveis', declarou certa vez Merce Cunningham.

Ele não revolucionou a dança para gozar do 'prazer do iconoclasta', mas sim 'por causa da beleza e do encantamento evocados pela investigação de novos caminhos'. Com suas coreografias marcadas pelo dadaísmo até o pós-modernismo, Cunningham é considerado – ao lado de Martha Graham e George Balanchine – o mais influente dançarino e coreógrafo dos EUA."

Basler Zeitung

Merce Cunningham Flash-Galerie

'Quartet', 1986

"Cunningham achava a simetria um tédio, algo desprovido de qualquer beleza. Ele compreendia a dança como um fenômeno de tempo e espaço. Como o movimento ocorre e se desenvolve em toda parte do corpo, como o corpo humano pode explorar o espaço ilimitadamente em altura, profundidade e largura, Cunningham partia de inúmeros pontos no espaço e não de um único ponto, que a danse d'école imaginava no centro do palco e no plexo solar do corpo de cada dançarino. O que o interessava era a dança, o movimento, o fluxo de movimento, e nada mais. (...) Com ele, morreu a vanguarda da dança do século 20."

Süddeutsche Zeitung

Autora: Simone Lopes

Revisão: Rodrigo Rimon

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