Comércio mundial de armas cresceu após atentados terroristas | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 13.06.2002
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Economia

Comércio mundial de armas cresceu após atentados terroristas

Os gastos mundiais com armamentos aumentaram 2%, em 2001, para US$ 839 bilhões. Os dados do instituto SIPRI ainda não incluem gastos com a nova "guerra contra o terrorismo", desde os atentados de 11 de setembro nos EUA.

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Atentado contra o World Trade Center (NY) provocou aumento dos gastos com armas

A Rússia aumentou as suas exportações de armas e equipamentos bélicos em 24% no ano passado, totalizando cinco bilhões de dólares, segundo o Instituto de Pesquisas da Paz (SIPRI), com sede em Estocolmo. Pela primeira vez, a Rússia passou à frente dos Estados Unidos, que exportaram armas no valor de 4,6 bilhões de dólares. A Alemanha ocupa o quinto lugar na lista de exportadores de equipamento bélico (US$ 700 milhões), após a França (US$ 1,3 bilhão) e a Grã-Bretanha (US$ 1,3 bilhão).

Os gastos mundiais com armas aumentaram 2% no ano passado, somando 839 bilhões de dólares. Esta importância corresponde a 2,6% da soma de todos os PIB (Produto Interno Bruto), representando uma despesa per capita de 137 dólares. Os dados referentes a 2001 provavelmente terão que ser corrigidos posteriormente, pois ainda não incluem os gastos suplementares do final do ano passado, decorrentes da "guerra contra o terrorismo", anunciada pelo presidente norte-americano George W. Bush.

Maiores despesas com armas: as novas prioridades desde os atentados

Em conseqüência dos atentados nos EUA, o SIPRI conta com "um aumento muito mais rápido" dos gastos armamentistas nos próximos anos. "O 11 de setembro representa um novo desafio para a segurança internacional", nas palavras do diretor do instituto, Daniel Rotfeld. Os orçamentos de defesa, que haviam caído drasticamente entre 1987 e 1998, tornaram a subir 7% nos três anos seguintes. E a tendência continua apontando para cima.

A China foi o país que mais comprou armas em 2001. Suas importações bélicas aumentaram 44% frente ao ano anterior, somando 3,1 bilhão de dólares. A Índia aumentou suas importações em 50%, gastando em armamento 1,1 bilhão de dólares, o que lhe garantiu o terceiro lugar na lista dos importadores, após a Grã-Bretanha (1,2 bilhão de dólares).

Ao aumentar suas importações em 15 bilhões de dólares, o Oriente Médio, contudo, foi a região que mais contribuiu para a tendência de maiores gastos com armas desde 1998. A seguir vêm a Europa Central e a Europa Oriental, com 13 bilhões de dólares, e América do Norte e Ásia, com 7 bilhões de dólares, respectivamente.

Pobres e ricos gastam em armas – O SIPRI destaca que justamente países africanos pobres, como Eritréia, Etiópia e Burundi, foram os que mais gastaram com armas, proporcionalmente ao seu PIB. Em gastos absolutos, no entanto, apenas cinco países – Estados Unidos, Rússia, França, Japão e Grã-Bretanha – são responsáveis pela metade dos gastos com armas no mundo.

O número de guerras no mundo diminuiu para 24, no ano passado. Com exceção da disputa pela Caxemira, entre a Índia e o Paquistão, foram todas elas guerras civis, isto é, travadas entre adversários dentro das próprias fronteiras. O confronto entre os EUA e o grupo terrorista Al Qaeda é o mais recente na lista. Trata-se de um conflito "qualitativamente novo, com características globais e, até agora, de difícil classificação nas categorias habituais", diz o relatório do instituto de Estocolmo, que menciona "mais de 3.000 mortos" como saldo da "guerra contra o terrorismo" no ano passado.

Os atentados terroristas contra Nova York e Washington "mudaram as prioridades e considerações estratégicas" de muitos países. A campanha contra o terrorismo, iniciada pelos Estados Unidos e seus aliados, teve influência direta sobre muitos conflitos, bem como uma influência indireta, que ainda não pode ser precisada.

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