Cientistas não identificam origem de substância que envenenou russo | Notícias internacionais e análises | DW | 03.04.2018
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Mundo

Cientistas não identificam origem de substância que envenenou russo

Laboratório do governo britânico afirma, porém, que agente nervoso utilizado em ataque ao ex-espião Serguei Skripal exigiu métodos sofisticados de fabricação, "algo que apenas um Estado teria capacidade de fazer".

Investigadores analisam túmulo de Liudmila Skripal, mulher do ex-espião

Investigadores analisam túmulo de Liudmila Skripal, mulher do ex-espião

A instalação militar de Porton Down, no Reino Unido, informou nesta terça-feira (03/04) que não identificou a origem do agente nervoso que envenenou o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha Yulia há um mês na Inglaterra – um ataque pelo qual Londres culpa Moscou.

Gary Aitkenhead, chefe do laboratório de química de Porton Down, que analisa as amostras no caso Skripal, confirmou que a substância pertence a um grupo de substâncias tóxicas conhecido como Novichok, fabricado pela União Soviética nos anos 1970 e 1980.

"Nós não identificamos a fonte precisa, mas fornecemos as devidas informações científicas ao governo, que usou uma série de outras fontes para chegar às suas conclusões", declarou o chefe do laboratório, localizado perto da cidade de Salisbury, onde ocorreu o ataque.

Aitkenhead destacou que a fabricação da substância utilizada para envenenar Skripal exigiu "métodos extremamente sofisticados, algo que apenas um Estado teria capacidade de fazer".

"Continuamos trabalhando para fornecer informações adicionais que podem nos ajudar a chegar mais perto [da fonte], mas ainda não fomos capazes de fazer isso", acrescentou.

Segundo Aitkenhead, o governo britânico possui "outras contribuições" que podem ser usadas para determinar a origem do agente nervoso, algumas delas baseadas em inteligência.

Ele ainda reiterou que a substância não pode ter vindo de Porton Down, rebatendo insinuações do embaixador da Rússia na União Europeia (UE), Vladimir Chizhov. Em entrevista à BBC no mês passado, o diplomata afirmou que o laboratório britânico fica a apenas 11 quilômetros de Salisbury, sugerindo que o local poderia ter sido a fonte do agente nervoso.

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), que também investiga a substância, se reunirá nesta quarta-feira para discutir o caso. O encontro foi um pedido de autoridades russas, que solicitaram ainda que as conversas sejam a portas fechadas.

Segundo o Ministério do Exterior russo, Moscou enviou à Opaq uma lista de 13 perguntas relativas ao envenenamento de Skripal, que diz ter sido "um caso fabricado contra a Rússia".

Desde que se provou que a substância pertence ao grupo Novichok – marcando o primeiro uso conhecido de um agente nervoso de natureza militar em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial –, o Reino Unido culpa o governo russo pela tentativa de homicídio.

Moscou, por sua vez, nega qualquer envolvimento no ataque. Nesta segunda-feira, o ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov, chegou a dizer que a ordem para o envenenamento poderia ter vindo de Londres, como forma de desviar a atenção da opinião pública sobre o Brexit.

O caso gerou uma crise diplomática a nível mundial, levando à expulsão de centenas de diplomatas em todo o mundo. Entraram no embate entre Reino Unido e Rússia vários aliados de Londres, como Canadá, Estados Unidos e uma série de países da União Europeia.

Skripal, de 66 anos, e sua filha Yulia, de 33, permanecem internados desde que foram encontrados inconscientes, em 4 de março passado, num banco próximo a um parque de Salisbury, localizada a 120 quilômetros de Londres.

Na semana passada, médicos comunicaram que Yulia "tem respondido bem ao tratamento" e seu estado de saúde deixou de ser crítico. A situação do pai segue crítica, mas estável.

EK/afp/dpa/rtr

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