China suspende compra de produtos agrícolas dos EUA | Notícias internacionais e análises | DW | 05.08.2019
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Mundo

China suspende compra de produtos agrícolas dos EUA

Suspensão é resposta a novas sobretaxas anunciadas por Donald Trump a importações chinesas. Pequim ameaça ainda impor tarifas a produtos americanos.

Porto de Qingdao

Volume de importação de produtos americanos para a China caiu com guerra comercial

O Ministério do Comércio da China anunciou nesta segunda-feira (05/08) que empresas do país suspenderam a compra de produtos agrícolas dos Estados Unidos. A medida é uma resposta ao anúncio do presidente americano, Donald Trump, sobre novas taxas a importações chinesas.

Segundo o ministério, a China também não descarta a possibilidade de impor tarifas adicionais aos produtos agrícolas importados dos Estados Unidos. Não foram divulgados mais detalhes sobre essa possível sobretaxa. No comunicado, Pequim afirmou que espera que os Estados Unidos cumpram sua promessa e criem as condições necessárias para a cooperação bilateral.

A paralisação nas compras ocorreu alguns dias depois de Trump anunciar novas sobretaxas de 10% sobre outros 300 bilhões de dólares em produtos importados da China, acirrando a guerra comercial entre os dois países. O presidente justificou a decisão alegando que os dirigentes de Pequim não cumpriram, entre outros, promessas de aumentar significativamente o volume de compras de produtos agrícolas dos EUA.

As novas tarifas atingem as importações que haviam sido poupadas até agora pelos EUA e se unem as sobretaxas de 25% já impostas sobre 250 bilhões de dólares em produtos importados da China, país que exporta cerca de 500 bilhões de dólares em bens para os Estados Unidos anualmente.

O Ministério do Comércio chinês afirmou que as novas tarifas americanas representam uma "séria violação" na guerra comercial travada entre as duas maiores economias do mundo. A resposta chinesa atinge em cheio os agricultores americanos que já tiveram uma grande redução nas vendas para o país asiático com o conflito.

Antes da guerra comercial, em 2017, a China comprou produtos agrícolas no valor cerca de 19,5 bilhões de dólares dos Estados Unidos. Os principais produtos foram soja, laticínios, sorgo e suínos. Em 2018, o volume de importação americanas para o país asiático caiu para 9,1 bilhões de dólares.

O presidente da Federação Americana de Agricultores, Zippy Duvall, disse que o anúncio chinês é um "golpe para milhares de agricultores que estão lutando para sobreviver".

As tensões entre EUA e China têm raízes no desequilíbrio da balança comercial a favor do país asiático, que exporta 419 bilhões de dólares a mais do que importa, o que segundo Trump acontece devido a injustas práticas comerciais do gigante asiático.

Os dois países continuam negociando uma forma de resolver a guerra comercial aberta pelo presidente americano. Fases de progresso e desastre tem se alterado ao longo das negociações. Em maio, as conversas pareciam ter entrado em colapso, mas ganharam um impulso depois da reunião entre Trump e presidente da China, Xi Jinping, durante a cúpula do G20 no Japão. As conversas da semana passada, porém, foram suspensas e serão retomadas no início de setembro.

CN/afp/rtr/dpa

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