China expulsa jornalistas americanos, e tensões com os EUA se escalam | Notícias internacionais e análises | DW | 18.03.2020
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Mundo

China expulsa jornalistas americanos, e tensões com os EUA se escalam

Decisão promete dizimar redações do "NYT", "Wall Street Journal" e "Washington Post" no país asiático. Pequim afirma que medida foi em resposta à "opressão irracional" do governo americano contra a imprensa chinesa.

Zhao Lijian, porta-voz do Ministério do Exterior chinês, ao anunciar a decisão de expulsar três jornalistas em fevereiro

Zhao Lijian, porta-voz do Ministério do Exterior chinês, ao anunciar a decisão de expulsar três jornalistas em fevereiro

A China anunciou nesta terça-feira (17/03) que decidiu expulsar do país jornalistas americanos que trabalham em três grandes jornais dos Estados Unidos, numa das medidas mais severas adotadas pelo governo em Pequim contra a imprensa estrangeira na história recente.

Segundo o Ministério do Exterior chinês, a decisão afeta cidadãos americanos que escrevem para os veículos The New York Times, The Wall Street Journal e The Washington Post com credenciais de imprensa expirando até o final deste ano.

Esses jornalistas deverão notificar o governo sobre sua condição dentro de quatro dias a partir desta quarta-feira, e terão dez dias para devolver suas credenciais de imprensa.

"Eles não poderão continuar trabalhando como jornalistas na República Popular da China, incluindo suas regiões administrativas especiais Hong Kong e Macau", disse um comunicado.

Não ficou claro quantos profissionais serão afetados pela medida, mas a China geralmente concede vistos e credenciais de imprensa de 12 meses a jornalistas, então a expulsão deve impactar a maioria dos correspondentes desses jornais no país.

A imprensa internacional já prevê que a decisão deverá dizimar algumas das maiores redações estrangeiras na China e forçar repórteres com décadas de experiência em cobrir o país a deixarem o território chinês.

Pequim também ordenou que os veículos Voice of America, New York Times, Wall Street Journal, Washington Post e a revista Time "declarem por escrito informações sobre seus funcionários, finanças, operações e imóveis na China" – regras semelhantes às impostas recentemente à mídia estatal chinesa por Washington.

O Ministério do Exterior afirmou que as medidas "são inteiramente necessárias e recíprocas", as quais a China "foi obrigada a tomar em resposta à opressão irracional que as organizações de mídia chinesas vivenciaram nos Estados Unidos". "São legítimas e justificadas em todos os sentidos."

As medidas vêm na esteira de uma disputa entre as duas potências sobre a pandemia do novo coronavírus: enquanto o presidente americano, Donald Trump, chama de forma provocativa o Sars-Cov-2 de "vírus chinês", uma autoridade do governo da China promove teorias da conspiração infundadas sobre o envolvimento dos EUA na propagação do vírus.

A polêmica teve início em fevereiro, quando Pequim expulsou três correspondentes do Wall Street Journal – dois americanos e um australiano – depois que o jornal publicou um artigo de opinião chamando a China de "o verdadeiro homem doente da Ásia".

O governo chinês condenou a coluna como racista e, após o veículo se recusar a pedir desculpas, decidiu revogar os vistos de três repórteres, mesmo sem eles terem envolvimento na redação do texto. Outro jornalista do jornal teve que deixar o país no ano passado após a China se negar a renovar seu visto.

Segundo o Clube de Correspondentes Estrangeiros na China, foram as primeiras expulsões de jornalistas estrangeiros promovidas pelo país asiático desde 1998.

Em retaliação, no início de março os Estados Unidos anunciaram que estavam cortando o número de cidadãos chineses autorizados a trabalhar nos escritórios americanos de quatro grandes meios de comunicação estatais chineses: de 160 funcionários, a cifra foi para 100. À época, Washington mencionou uma "repressão aprofundada" contra a imprensa independente na China.

Um aspecto marcante da resposta de Pequim nesta terça-feira foi a decisão de impedir que esses jornalistas trabalhem também em Hong Kong e Macau, dois territórios semiautônomos chineses com suas próprias regras de credenciamento de imprensa. Em decisões passadas, jornalistas estrangeiros expulsos da China foram autorizados a trabalhar em Hong Kong.

Isso levantou questões sobre a autonomia de Hong Kong sob o acordo de "um país, dois sistemas" que ainda prevalece entre o território e a China continental.

"Não há precedentes de a China ditar abertamente quem pode e quem não pode trabalhar como repórter a partir de Hong Kong", disse Steven Butler, coordenador do programa asiático do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, uma organização sem fins lucrativos. "Isso destrói muito seriamente a autonomia e a liberdade de imprensa de Hong Kong."

O governo americano, assim como representantes da imprensa dos EUA, condenou o anúncio chinês desta terça-feira. O secretário de Estado, Mike Pompeo, afirmou que a expulsão dos jornalistas privará o mundo e o povo chinês de informação em tempos "incrivelmente desafiadores" provocados pela pandemia de coronavírus.

"Lamento a decisão da China de impedir ainda mais a capacidade mundial de realizar operações de imprensa livre que, sinceramente, seriam muito boas para o povo chinês", disse Pompeo a repórteres. "É lamentável. Espero que eles reconsiderem."

EK/afp/ap/rtr/ots

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