Casos não detectados impulsionam propagação do coronavírus, diz estudo | Notícias internacionais e análises | DW | 18.03.2020
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Saúde

Casos não detectados impulsionam propagação do coronavírus, diz estudo

Pesquisa diz que infecções não diagnosticadas foram principais responsáveis pela rápida disseminação da covid-19 na China. Cerca de 86% dos contágios não haviam sido detectados até o isolamento da cidade de Wuhan.

Mulher curada do vírus é desinfectada antes de entrar em quarentena num hotel em Wuhan

Mulher curada do vírus é desinfectada antes de entrar em quarentena num hotel em Wuhan

Casos não detectados de coronavírus, muitos deles com sintomas leves, foram os principais responsáveis pela rápida disseminação da covid-19 na China, afirma um estudo publicado nesta segunda-feira (16/03) pela revista americana Science.

Por pessoa, um caso não documentado é cerca de metade tão infeccioso quanto um caso documentado com sintomas graves, mas, como há muito mais casos não documentados, são eles que impulsionam a expansão do vírus, resumem os pesquisadores.

Para a pesquisa, os cientistas projetaram um modelo matemático, simulando a dinâmica espaço-temporal das infecções em 375 cidades chinesas e dividiram os casos de coronavírus em dois tipos: os documentados com sintomas graves e os de pessoas infectadas que ainda não haviam sido detectadas.

Para calcular a expansão do coronavírus pelas cidades chinesas, os pesquisadores analisaram os movimentos diários de uma cidade para outra e levaram em conta um fator multiplicador, que foi o feriado do Ano Novo chinês, quando muito mais pessoas se deslocam.

Os cientistas usaram dados sobre padrões de deslocamentos na China em 2018 durante esse mesmo feriado (1° de fevereiro a 12 de março de 2018) registrados pela Tencent, conglomerado transnacional chinês que oferece serviços de inteligência artificial e tecnologia relacionada à internet, e os compararam com as estatísticas oficiais. Depois, cruzaram as informações com dados das infecções em 2020.

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Através do modelo matemático, os especialistas concluíram que, até a imposição do isolamento a Wuhan, cidade que foi a origem da doença, e de outras restrições de viagem na China, cerca de 86% das infecções por covid-19 não haviam sido detectadas. Segundo esses dados, apenas 14 de cada 100 infectados estavam sob monitoramento, enquanto as demais pessoas, assintomáticos ou com sintomas leves, continuavam vivendo normalmente.

Por indivíduo, essas infecções não detectadas se mostraram 52% tão contagiosas quanto as documentadas, mas, por serem em muito maior número, foram a origem de dois terços dos contágios relatados.

Os pesquisadores constataram que os esforços do governo e a conscientização dos cidadãos reduziram a taxa de disseminação do vírus na China, especialmente após restrições de viagem e medidas de controle, que retardaram a disseminação.

"A explosão nos casos de covid-19 foi amplamente motivada por indivíduos assintomáticos ou com sintomas leves ou limitados que não foram detectados", disse um dos autores do estudo, Jeffrey Shaman, da Mailman School of Medicine da Universidade Columbia.

"Os casos não detectados podem expor uma proporção maior da população ao vírus do que outra maneira", continuou o especialista, que é professor de saúde ambiental na Universidade Columbia. "Essas transmissões invisíveis continuarão apresentando um grande desafio para impedir que o surto continue", ressaltou.

Os cientistas observaram que, apesar do declínio de força da infecção decorrente do aumento da conscientização, as medidas de proteção individuais e as restrições de viagem, ainda não está claro se esse declínio será suficiente para impedir sua propagação.

"Se o novo coronavírus seguir o padrão da gripe pandêmica H1N1 de 2009, ele vai se espalhar globalmente e se tornar o quinto coronavírus endêmico da população humana", afirmou Shaman.

MD/efe/ots

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