Caos reina na Europa, critica Acnur | Cobertura especial sobre a atual crise migratória na Europa | DW | 16.09.2015
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Migração

Caos reina na Europa, critica Acnur

Agência da ONU para refugiados faz duras críticas à forma como a União Europeia lida com a crise migratória e afirma que bloco precisa de um plano B, e não de longas negociações.

Antonio Guterres

Para António Guterres (d), Europa pode fazer muito mais pelos refugiados

O chefe da agência da ONU para refugiados (Acnur), António Guterres, fez duras críticas à União Europeia (UE) após o fracasso do encontro de ministros do Interior sobre a distribuição de imigrantes no bloco europeu. Segundo ele, " uma situação caótica" reina na Europa, e cada país faz o que quer em suas fronteiras.

"Os refugiados estão confusos, inseguros, com medo e desesperados", disse o diplomata português em Bruxelas. "A situação é muito preocupante. E os refugiados é quem pagam a conta. É mais um sofrimento."

Também a Hungria, que fechou de fato suas fronteiras com a Sérvia, tem a obrigação legal de proporcionar proteção aos refugiados, criticou o chefe do Acnur. Segundo ele, a Europa precisa agora de um plano B e não de longas negociações sobre propostas de redistribuição de refugiados.

Guterres considera sem sentido o adiamento da decisão sobre a realocação de 120 mil solicitantes de refúgio para o próximo encontro do Conselho de Ministros de Interior da UE em outubro.

"Pode-se esperar até outubro, consultar o Parlamento Europeu e, em seguida, novamente o Conselho e assim por assim diante, porque estamos lidando aqui com uma emergência", ironizou o político.

"Escassez entre os principais motivos"

Para o diplomata português, a UE deveria instalar, o mais rápido possível, centros para o acolhimento de refugiados na Grécia e na Itália. Até agora, a Comissão Europeia é da opinião que tais centros devem ser somente um grupo de trabalho composto por diferentes agências da UE e autoridades locais.

"Isso não será suficiente", criticou Guterres. "As instalações de primeiro acolhimento devem ser capazes de oferecer hospedagem e alimentação durante vários dias para milhares de pessoas."

Guterres mostrou-se aliviado pelo fato de a UE estar agora disposta a financiar melhor os imensos acampamentos de refugiados sírios em Turquia, Líbano e Jordânia. O gargalo financeiro, principalmente no Programa Mundial de Alimentos (PMA), fez com que as rações alimentares fossem reduzidas em 40%. Portanto, as pessoas deixaram em massa os campos, tentando chegar agora à Europa e à Alemanha.

"A escassez é um dos principais motivos para o aumento do número de refugiados na Grécia", afirmou.

O chefe do Acnur afirmou que é urgente ajudar a Sérvia. Pois muitos refugiados deverão ficar retidos ali, já que a Hungria passou a barrá-los. Para Guterres, no entanto, está claro que isso não vai dissuadir os refugiados, a longo prazo, de tentar chegar à Europa Ocidental.

"Já estamos vendo que os atravessadores estão oferecendo as primeiras rotas alternativas por navio da Grécia para a Itália", afirmou um diplomata da ONU em Bruxelas.

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